Thursday, September 01, 2016

OS ENGRAÇADISTAS E O ENGRAÇADISMO 1



 O "engraçadismo" é o estado corporal e mental forçado que tomam certas criaturas armadas em divertidas engraçadas para manterem um permanente e aparente ambiente de fingida boa disposição à base da piada superficial ou anedota sádica sobre qualquer assunto, velho ou do momento. Eles estudam e trabalham empenhadamente para ganharem notoriedade e tornarem-se rapidamente profissionais do engraçadismo nacional e assim, despudoradamente, enveredam pelo caminho fácil do trocadilho de cariz sexual pró-pornográfico enveredando pelo facilitismo do engraçado pimba. Por outro lado, na peugada e em complemento da pimbalhice engraçadista, usam e abusam de um patriotismo de garganta funda e moralismo contundente contra o "amanhanço" e "corrupção" dos políticos fazendo-se, eles próprios, passar por mais impolutos e honestos que a própria honestidade. Contudo, atenção, aqui são contundentes contra os políticos ou os "grandes" caídos em desgraça que, aos no activo. são exemplarmente dúbios e cautelosos na distribuição equitativa do tempo, número, grandeza e, sobretudo, no modo engraçadista de envolver as graçolas de maldizer, já de si, normalmente falaciosas e inofensivas, em omo lava mais branco quando dirigidas a cada detentor de poder de todos os quadrantes ideológicos.
Ganho o estatuto intelectual de "engraçadista" atribuído pelos media, passam a entrar-nos inadvertidamente pela casa adentro a solo ou em grupo com plateias de embasbacados estudantes rascas a tirocinar para humilhados de praxes e futuras pavlovianas jarras decorativas dos programas da manhâ, e tentam impingir-nos graçolas primárias quase sempre próximas da boçalidade ao pior estilo do camionista de longo curso.
O engraçadista desprezou, quase à partida, o inteligente bom humor que um Herman José produziu e praticou largo tempo e agarrou ávida e interesseiramente o seu lado pior de humorista quando cedia ao facilitismo da imagem e linguagem reles e ordinária para agradar a públicos sem exigências éticas nem estéticas.
O engraçadista não faz humor que é uma coisa durável e fica na memória, não, o engraçadista apenas quer provocar a risada imediata, instantânea, impensada e repetitivamente em moto contínuo, precisamente, para evitar que o pensamento funcione. O engraçadismo aposta no instinto e joga contra o racional, ultrapassa o limite do ridículo pela ordinarice e gozo do sucesso fácil. Contudo, o engraçadismo não passa de um espantalho que apenas afasta o espírito, da inevitável existência e racionalidade necessária, um breve tempo de enganos para depois regressar à sua realidade de inútil enfeite sem função.
Como dissemos, o engraçadismo nasceu do pior que o humorista misturava no humor são e não doentio e imediatista. Podemos tomar como seu momento iniciador o humor intelectual dos "fedorentos". Contudo, estes, ostentando o aplauso quase unânime da esquerda e piscando já o olho à direita, muito rapidamente se renderam à publicidade empresarial e, inevitavelmente, descambaram  para o uso e abuso do dúbio sentido das palavras e imagens para levar ao engano a pessoa alvo fazendo-a crer que é melhor para si ser cliente autómato que criatura clarividente quando, na verdade, é sobretudo melhor para o engraçadista a quem o patrão paga correspondentemente aos resultados conseguidos pelo trabalho de enganos executados como engraçadista contratado.
E deste modo, politicamente, o engraçadista é sempre uma personagem dissimulada mesmo quando enfeita às camadas a sua prosa de palavreado progressista para disfarçar-se. O engraçadista, embora sendo já uma figura pública, nunca é cidadão militante activo. Ele resguarda-se socialmente em fazer passar-se por uma personagem neutra, puro de contaminação politico-ideológica mas conspurcado de profundo moralismo político-puritano, contudo, o seu visceral criticismo contra os políticos revela um ser empenhadamente anti-partidos e, consequentemente, anti-política que se deita para sonhar com um país de um partido democrático e único, o dos amigos.
O humorista é determinado pela dimensão cómica da existência e usa-a não poupando ninguém, nem a si próprio, quando trata de fazer humor recorrendo ao trabalho da inteligência.
O engraçadista é o oposto daquele, também conhece essa humana dimensão cómica mas, ao contrário, abusa dela pelo excesso e cai no exibicionismo ridículo, poupa-se sempre a si próprio ou se auto-elogia por contraponto, prescinde do trabalho da inteligência a favor da esperteza e termina, quase invariavelmente, na piada de sentido insultuoso ou mesmo no insulto puro provocatório.
É que alguns engraçadistas, como é sabido, usam o seu talento parasitário para fazer da provocação ignóbil o meio prático de subirem ao topo da Babel mediática e, paralelamente, descerem ao fundo da subserviência.       
O engraçadista é o novo bobo da corte agora com a missão de divertir e distrair o povo e, por tal motivo e bom comportamento, atingem tão elevada reputação e são bem pagos junto dos detentores de poder.

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