Monday, September 07, 2015

MISTIFICAÇÕES

19-1=18                                                                            (segundo Cavaco)
1+1+1+1+1+1+1+1+1+1+1+1+1+1+1+1+1+1+1=1 (segundo Bagão Felix)

                                                                        
MISTIFICAÇÃO UM
Trata-se do pensamento que vai fazendo o seu percurso mistificador normal; de ideia dominante passou a ideia-fixa e vai a caminho de ser tomada como verdade incontestada atirada à cara do povo como facto histórico e que é proclamada assim:
"são as empresas e os empresários que criam empregos"
Bem, ao longo da minha vida o que vi e assisti foi trabalhadores sentirem-se competentes e corajosos para arriscarem criar pequenas empresas que começaram por criar dois ou três empregos e terminarem, como PME, com cem ou mais postos de trabalho criados.
Mesmo os que são hoje chamados grandes empresários com milhares de empregados, ou empregos ou postos de trabalho, como quiserem, tiveram, necessariamente, na origem da empresa que lideram, alguém que começou como trabalhador e foi desta situação original que se iniciou como pequeno-empresário, passou por médio-empresário e atingiu ser grande-empresário.
No princípio da humanidade havia o homem trabalhador empresário de si próprio e só com o progresso ao longo de milhões de anos e a vida em comunidade surgiram pequenos empresários artesãos e depois, apenas nos tempos modernos, com a industrialização e a divisão do trabalho, surgiram os grandes empresários.
Portanto, milhares de anos antes de haver empresários houveram tão só trabalhadores e, como desde sempre, o dito empresário só existe porque, em algum tempo anterior, foi apenas simples trabalhador inteligente, esperto, homem de acção com espírito de iniciativa. Nem podia ser de outra forma pois que a História da civilização humana e do trabalho não começa nos empresários e empresas e a ideia de que só os empresários criam postos de trabalho pressupõe o contrário; que as empresas e empresários precederam os trabalhadores e por isso tratar-se de uma mistificação.
Trata-se, portanto, de uma mistificação histórica que a modernidade e a actualidade do poderio empresarial tornou uma realidade aparente, aceite automaticamente sem discussão porque, sendo hoje a prática recorrente, oculta a origem e fundamento da transição histórica trabalhador-empresário, salientando apenas a realidade aparente professada pelos interessados; empresários poderosos e elites ao seu serviço.
Daqui se retira a ideia oposta àquela que é hoje indiscutível na visão das elites quer empresariais quer dos governos e interiorizadas acriticamente por sindicatos e trabalhadores. Isto é, o maior apoio que hoje é dado às empresas existentes para a criação de postos de trabalho, ao contrário, deve ser canalizado e concedido, pela comunidade, aos trabalhadores competentes, criativos, arrojados e visionários de todas as áreas laborais pois que, a criação e realização de novas unidades empresariais inovadoras ou renovadas são sempre mais rápidas a criar mais modernos e melhores postos de trabalho. Também a entrada no mercado de novas unidades empresariais fará estimular fortemente a competitividade e fazer que as velhas empresas ineficazes envelhecidas caduquem e sejam substituídas.
As grandes empresas instaladas em plena exploração deve a sua rentabilidade poder manter a sua modernização, ampliação ou criação de novas unidades e deste modo continuarem a criar postos de trabalho enquanto o maior esforço da comunidade deverá dirigir-se para estimular e apoiar trabalhadores competentes e inovadores visionários consequentes capazes de, continuamente, propor e lançar novos projectos criadores de mais e melhores postos de trabalho.

MISTIFICAÇÃO DOIS
Outra mistificação que ultimamente vem fazendo caminho e começa a ser argumento moral, para conseguir alguma honraria e proveito, é aquela ideia que surge sempre que morre um militar, polícia ou bombeiro em serviço e que, normalmente, a elite declara e o povo repete do seguinte modo;
" E morreu pela Pátria"
A questão que tal tese sugere é que os outros que dedicaram uma vida de trabalho ao país não morreram pela Pátria, logo, terão morrido sem Pátria ou por outra Pátria que não a sua; terão sido não-patriotas ou anti-patriotas a vida toda.
Um operário que trabalha numa ponte que desaba e o arrasta na queda onde morre soterrado entre toneladas de destroços ou um mineiro cuja galeria se abate, segundo a tese corrente, não terá morrido pela Pátria mas apenas por acidente e por acaso.
Um governante, militar, polícia ou bombeiro morre, por incidente ou acidente em serviço, em nome e pela Pátria, contudo, um vulgar cidadão cumpridor, precisamente, com uma vida inteira de trabalho dedicado ao serviço da Pátria não lhe é concedido o titulo moral de, morto pela Pátria.
É mais um conceito de mistificação histórica imposta pelos vencedores; estes morrem pela Pátria enquanto os vencidos morrem sem Pátria.

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