segunda-feira, maio 20, 2024

ACERCA DA ATUAL AMIZADE CHINA - RÚSSIA

O que se vê por interposta mediação e interpretação política do dia a dia no mundo dos grandes negócios  entre países e das conveniências ditadas pela necessidade dos acontecimentos à época não é o que faz a história ou de mais importante ela regista; historicamente os acontecimentos globais de hoje são jogos táticos determinados pela conjuntura da atualidade. Tais táticas sazonais não passam de aparências a longo prazo porque, a nós, que não vivemos o tempo suficiente para assistir à história as tomamos como história definitiva.
A China tem uma fronteira de muitos milhares de Kms com a Rússia ao longo de toda a Mongólia e península de Vladivostok e sempre houve disputas fronteiriças pelo controlo desses territórios entre ambos. Ainda em nosso tempo, finais de anos'60 do Séc passado a URSS (Brejnev?) teve uma guerra com a China (Mao, Ping?) nesse local por questões de disputa étnico-fronteiriças. E toda a península de Vladivostok a China nunca deixou de olhar para lá e de tempos a tempos faz lembrar que tal território já lhe pertenceu.                                                                                                                                                  A Rússia é um país bicontinental, ao contrário da China, e basta olhar para o mapa para ver que esta quase que contorna ou como que abraça a China pela ponta de Vladivostok para além desta conhecer a milenar história imperial dos czares. Aliás, se olharmos o mapa com atenção podemos pensar que tanto a Europa como o resto da Ásia são como que pequenas penínsulas da Rússia gigantesca, incluindo a China. Agora, com a invasão da Ucrânia a Rússia volta a demonstrar a sua necessidade de espaço vital, ou seja, precisa necessariamente de espaço habitado, com gente, populoso, para ser, efetivamente, uma potencia global económica e militar que conte.                                                                                                                       Ora, a China, que já é essa potência global que conta olha, hoje, para a Rússia como submisso parceiro de negócios rentáveis para si mas vê-a historicamente como um potencial adversário futuro. Segundo uma realidade histórica futura à China não interessa nada uma Rússia que compita consigo comercialmente e muito menos militarmente. Certamente Xi Jiping tem muito mais receio de uma Rússia super-potência chefiado por um qualquer czar ditador como Putin do que uma Europa feita de cacos ligados por agrafes de pontas democráticas. Se um dia a Rússia volta a ocupar o espaço populoso da antiga URSS ou ainda superior na Europa, não só meterá medo à Europa como à vizinha China e ao mundo em geral; quererá ser a potência única a ditar ordens no globo terrestre.
Algo semelhante se passa pelas estratégias de futuro a sul entre a China e a Índia: o poder é que conta e este está acima de tudo e é preciso preservar a todo o custo como já aconselhavam os sumérios, Confúcio e Maquiavel.

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