ACERCA DA ATUAL AMIZADE CHINA - RÚSSIA
O que se vê por interposta mediação e interpretação política do dia a dia no mundo dos grandes negócios entre países e das
conveniências ditadas pela necessidade dos acontecimentos à época não é
o que faz a história ou de mais importante ela regista; historicamente
os acontecimentos globais de hoje são jogos táticos determinados pela
conjuntura da atualidade. Tais táticas sazonais não passam de aparências
a longo prazo porque, a nós, que não vivemos o tempo suficiente para assistir à história
as tomamos como história definitiva.
A China tem uma fronteira de muitos milhares de Kms com a Rússia ao longo de
toda a Mongólia e península de Vladivostok e sempre houve disputas fronteiriças pelo controlo
desses territórios entre ambos. Ainda em nosso tempo, finais de anos'60 do Séc passado a URSS (Brejnev?)
teve uma guerra com a China (Mao, Ping?) nesse local por questões de
disputa étnico-fronteiriças. E toda a península de Vladivostok a China nunca deixou de olhar para lá e de tempos a tempos faz lembrar que tal território já lhe pertenceu. A Rússia é um país bicontinental, ao
contrário da China, e basta olhar para o mapa para ver que esta quase
que contorna ou como que abraça a China pela ponta de Vladivostok para além desta conhecer a
milenar história imperial dos czares. Aliás, se olharmos o mapa com atenção podemos pensar que tanto a Europa como o resto da Ásia são como que pequenas penínsulas da Rússia gigantesca, incluindo a China. Agora, com a invasão da Ucrânia a Rússia volta a demonstrar a sua necessidade de espaço vital, ou
seja, precisa necessariamente de espaço habitado, com gente, populoso, para ser,
efetivamente, uma potencia global económica e militar que conte. Ora, a
China, que já é essa potência global que conta olha, hoje, para a Rússia
como submisso parceiro de negócios rentáveis para si mas vê-a
historicamente como um potencial adversário futuro. Segundo uma realidade histórica futura à China não interessa nada uma Rússia que compita consigo comercialmente e muito menos militarmente. Certamente Xi Jiping tem muito mais receio de uma Rússia super-potência chefiado por um qualquer czar ditador como Putin do que uma Europa feita de cacos ligados por agrafes de pontas democráticas. Se um dia a Rússia volta a ocupar o espaço populoso da antiga URSS ou ainda superior na Europa, não só meterá medo à Europa como à vizinha China e ao mundo em geral; quererá ser a potência única a ditar ordens no globo terrestre.
Algo semelhante se passa pelas estratégias de futuro a sul entre a China
e a Índia: o poder é que conta e este está acima de tudo e é preciso
preservar a todo o custo como já aconselhavam os sumérios, Confúcio e
Maquiavel.
Etiquetas: a atual ''amizade' china-rússia
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