terça-feira, abril 17, 2007

MARAFAÇÕES XVI

TABLÓIDE DE REFERÊNCIA

Além das alterações de colorido visual num sentido mais apelativo ao popular, já é bem visível que a mudança estética corresponde a uma mudança ética virada para o jornalismo de grandes títulos para pequenos acontecimentos, de destaque do folclórico para esconder o folclor, de muita imagem para pouca reflexão, muito opinativo mas de pouca opinião, de muito texto jornalístico e pouco pensamento. Com a dispensa de colaboradores a opinião foi entregue à prata da casa que se limita a a dar eco às posições da direcção com mais ou menos enfase pessoal.
Passo a passo o jornal Público vai numa tendência de cautelosa tabloidização à procura dos consumidores de telenovelas, fofoquices, acidentes, política de café, etc., num movimento descendente que aliás é geral na imprensa portuguesa, e deste modo o país se torna cada vez mais deprimente. Tão ocupado que anda com o curso do PM ao qual dedica continuamente duas páginas mais o editorial e restantes subserviências jornalísticas do pessoal da casa que se esquece de dar notícias do país. Hoje por exemplo, alem de mais do mesmo acerca da UNI e Sócrates, dá uma página inteira ao homem barricado no banco em Gaia com elevada visibilidade e destina um quarto de página escondida para a deslocação do governo a Marrocos com titulos a despropósito(título) ou insidioso(legenda de foto). Provávelmente daqui a dias alguém do jornal virá perguntar onde está o governo e depois outro afirmará que Portugal já não tem governo. Então talvez o jornal possa nomear um governo à maneira de selecção da redacção.
Nessa altura o jornal será um tablóide de referência obrigatório para todos os portugueses.

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