Friday, March 18, 2011

Á RASCA OU ENRASCADOS II


A manif da "geração à rasca" resultou uma caldeirada ideológica do "arco-da-velha". Desde a ideia de partida de ser contra "todos os políticos" (depois, na manif muito mitigada ou envergonhada), e por conseguinte desde vagamente anarquista, até ao mais resumido extremismo centralista quer da direita quer da esquerda.
Assim:
- pessoal com aotocolante do PNR terá ido lutar com alegria pela precaridade da liberdade!

- pessoal precário foi lutar com alegria para ter um emprego prá vida!

- pessoal anti-política terá ido lutar com alegria contra os políticos para os substituir!

- pessoal desempregado terá ido lutar com alegria para ter um emprego precário!

- pessoal licenciado-mestrado terá ido lutar com alegria pelo direito a emprego obrigatório com gabinete privado!

- pessoal como o Tordo terá ido lutar com alegria para promover, remoçado de baladeiro anti-salazarista, pela enésima vez a "tourada" de Ari, cuja mensagem cifrada, ninguém daquele pessoal entende ou liga/ligou patavina!

- pessoal como a Joana, cara de santinha, terá ido lutar com alegria pelo lugar perdido no Parlamento!

- pessoal como o Coelho, troca partidos e ideologia à-lá-minuta, foi lutar com alegria para promover a votação totoloto nas presidenciais, e derrubar, agora não o tiranete da Madeira, mas os "Vasconcelos" do cont'nente!

- pessoal como a Florbela terá ido lutar com alegria para reivindicar um lugar de vedeta na nova "revista à portuguesa" ou de estrela nas "telenovelas" para miúdas giras do ciclo preparatório!

- pessoal como Jel&Falâncio lutam com alegria para reivindicar junto dos media todos, e à mesma hora, o direito ao primado da sua música e poética a ser exclusiva e elevação de sua cultura de arte e política a o "máximo" de Portugal.

- pessoal com cartazes de Estaline terá ido lutar com alegria pelas "amplas liberdades" à maneira do gulag do socialismo real e contra a ditadura relativa da "democracia burguesa".

- pessoal do blogue 5 dias terá ido lutar com alegria à procura de Pol Pot para reduzir drasticamente precários, desemprgados, pequeno-burgueses e intelectuais e, ao mesmo tempo que lhes "trata da saúde", aumentar à bruta o pib per capita e simultâneamente "limpar" despezas com pessoal.

- pessoal como Manuela M. Guedes (se não esteve lá tal letra, bem lá ficava nesta sopa de letras), terá ido lutar com alegria para reivindicar a abolição de tribunais e juizes e sua substituição por um "apartidário e isento" programa de televião presidido por sí, precária de juizo e louca personagem, eregida a presidenta de supremo sem recurso.

- pessoal como a jsd terá ido lutar com alegria para obter a autoridade presencial de reivindicar que todos estavam alí apenas, só e exclusivamente para protestar contra Sócrates e solicitar a PPC que salve Portugal armado de fmi em riste.

A maior maravilha de todas foi que esta composição humana de inúmeras e variadas cores e furta-cores, estabelecessem entre sí uma animada convivência festiva, bem disposta, com alegria e ordeiro diálogo geracional, ligados por um fino fio comum em teia imaterial.
Passada a luta com alegria feita sob a igualdade de fala, protesto e manifestação, como manter em teia esse fino fio ligador de igualdade feita de desiguldades.

Labels:

7 Comments:

Blogger sergio said...

bem... eu fui... e o que me levou lá e que porventura não foi o que levou outros, foi:

1. Valorizar o trabalho, socialmente e economicamente.

O trabalho é um elemento central do desenvolvimento da Humanidade, tem uma função social. Por outro lado, os Seres Humanos não são máquinas ou matérias primas, não são custos de produção.

Qualquer sistema, sociedade, empresa ou governo tem que ter inscrito na sua matriz o trabalho numa perspectiva humana:

- Valorizado socialmente na vertente da realização pessoal e porque ocupando um papel central nas sociedades humanas não pode ocupar toda a vivência humana, deixando espaço para a vida privada, família e lazer

- Valorizado economicamente porque a sua remuneração tem que corresponder aos meios necessários para a satisfação das necessidades humanas nos tempos modernos. E a protecção no desemprego tem que garantir mínimos de uma subsistência digna.

a base de uma sociedade nova tem que ser o trabalho, valorizado economicamente e socialmente. o trabalho e não a preguiça, a esmola ou o subsidio tem que ser a principal forma de distribuição da riqueza. os salários eram 56% do pib portugês em 1973, em 1975 passou para 69% e em 2009 apenas 52%. nos eua, desde 1979 a riqueza de 1% de super-ricos aumentou quase 400% e a riqueza de 80% da população ficou na mesma ou caiu.

5:30 PM  
Blogger josé neves said...

Caro Sérgio,

Marx, depois de sublinhar que no mercado de trabalho, o que compra e o que vende a mercadoria "força de trabalho",entram em relação um com o outro com o mesmo estatuto, sendo ambos por isso mesmo "pessoas juridicamente iguais".
E partindo desta proposição deduz:

"Para que esta relação persista, é necessário que o propritário desta força de trabalho não a venda nunca por mais que um tempo determinado, pois se a vender em bloco, de uma vez para sempre, está a vender-se a sí mesmo, e de livre que era tranforma-se em escravo, de possuidor de mercadorias em mercadoria. Se quiser manter a sua personalidade, deve preservar a força de trabalho como propriedade sua, como mercadoria própria, e para isso só temporariamente deverá pôr a sua força de trabalho à disposição do comprador, de modo que ao aliená-la não renuncie também à propriedade sobre ela".
In Capital Cap.VI, Compra e venda da Força de Trabalho.

Absolutamente premonitório esta dedução de Marx feita na sua análise crítica do capitalismo. Só que, se acertou de raspão no que diz respeito às sociedades democráticas actuais (e cada vez mais tangencialmente), acertou na muche no que diz respeito às sociedades do "socialismo real" em que se transformou o socialismo que Marx propunha para transformar o mundo.
Claro que todos concordamos que o trabalho é determinante para as relações sociais e se todos disporem de oportunidade e liberdade de vender bem paga a sua força de trabalho a coesão social sai altamente reforçada e a pessoa-indivíduo vendedor sentir-se-á como contributo útil à sociedade e individualmente mais realizado, condição para melhorar o seu ser humano.

Errado, contudo, está a ideia, nascida e criada no interior da sociedade democrárica de abundância,
que a "sociedade" representada pelos Estados, tem o dever de garantir tudo e os jovens têm o direito de tudo ter garantido.
Tanto ao Estado como aos jovens cabe o dever de lutar para obter os objectivos de realização social e individual. E o processo histórico da globalização actualmente em marcha, promove o rápido crescimento de povos antes atrasados e provoca decadência nos mais avançados: um percurso de novos equilíbrios de bem estar e nível de vida está em marcha acelerada. Países europeus e especialmente Portugal, sem riquesas naturais e com fraca tecnologia e capacidade produtiva, vão ter dificuldades enormes neste quadro de vasos comunicantes de distribuição e novo equilíbrio universal de riquesa produzida.

Tanbém outro erro é atribuir ao Homem a função de máquina de trabalo. O Sérgio diz que os seres humanos não são máquinas, mas depois sobrevaloriza o trabalho humano em detrimento da preguiça. O Homem é um bicho da natureza como os demais e por conseguinte a sua natureza não é ser besta de carga ou máquina de trabalho bruto. Por isso e para isso domesticou outros animais de grande porte e, hoje em dia, até já criou máquinas que fazem trabalhos duros grossos e outras trabalhos minuciosos. A tendência é cada vez mais para a automação do trabalho e libertação do tempo de lazer: outra dificuldade para aplicação da força de trabalho no sentido clássico do termo.
O factor trabalho é cada vez mais uma parcela menor na composição do custo final da mercadoria, por isso não admira que o valor dos salários decaiam progressivamente em percentagem do pib. Preciso é que o factor trabalho utilizado produza riqueza que

12:17 PM  
Blogger josé neves said...

(continuação).

Preciso é que o factor trabalho utilizado produza riqueza que consiga, através do "estado social", proteger uma vida minimamente digna mesmo aos desempregados, acidentados, incapacitados, deficientes, etc., essa é a pedra de toque de toda boa governação. Porque, também, ser jovem desempregado depende muito dos medos do futuro, do querer e vontade própria para arriscar e ir à luta. Nascer e crescer até sair da Universidade com a papinha toda feita e farta e depois querer que o Estado substitua os pais na continuação de garantir a papinha feita igual ou melhor ainda, no estadio actual do desenvolvimento económico mundial, é um equívoco que pode levar a um logro terrível.

12:24 PM  
Blogger sergio said...

O meu Marx está um pouco enferrujado e não tenho tempo para ir aprofundar, ficam assim apenas algumas notas.

- No mercado de trabalho tendo teoricamente o que vende e o que compra trabalho o mesmo estatuto, na sociedade capitalista o que compra, sendo detentor dos meios de produção, tem mais poder que o que vende. Daí, principalmente com o advento da social democracia, foi promovida a negociação colectiva e o sindicalismo como forma de aproximar o poder negocial de ambos.

- Também não alinho pela ideia que tudo deve estar garantindo mas algumas coisas sim: justiça social e igualdade de oportunidades.

- O processo histórico da globalização promove o rápido crescimento de ALGUNS povos antes atrasados. África afunda-se irremediavelmente. a América Latina também não descola (excluindo os pretro-países). Mesmo na Ásia a situação é difícil onde não se instalaram as multinacionais e onde se instalaram (China e Índia) sabe-se a exploração existente...

- Existe de facto um rearranjo da localização do dinheiro a nível mundial mas os impactos no Ocidente são agravados por uma acumulação de capital nunca vista antes no reduzido topo da pirâmide social. Nos EUA, desde 1979 a riqueza de 1% das famílias super-ricas aumentou quase 400% e a riqueza de 80% das famílias americanas ficou na mesma ou caiu. Os salários eram 56% do PIB portugês em 1973, em 1975 passou para 69% e em 2009 apenas 52%.

- Não sobrevalorizo o trabalho. Digo que o trabalho ocupando um papel central nas sociedades humanas não pode ocupar toda a vivência humana, deixando espaço para a vida privada, família e lazer. Também julgo que o desenvolvimento tecnológico e uma consequente menor necessidade de mão de obra intensiva (e menos postos de trabalho necessários) deveriam traduzir-se na redução dos horários de trabalho e na diminuição da idade da reforma, sem desvalorização salarial e com menos acumulação de capital no topo da pirâmide.

- Acrescento justiça social e igualdade de oportunidades mas soncordo: Preciso é que o factor trabalho utilizado produza riqueza que consiga, através do "estado social", proteger uma vida minimamente digna mesmo aos desempregados, acidentados, incapacitados, deficientes, etc., essa é a pedra de toque de toda boa governação.

- Concordo: Nascer e crescer até sair da Universidade com a papinha toda feita e farta e depois querer que o Estado substitua os pais na continuação de garantir a papinha feita igual ou melhor ainda, no estádio actual do desenvolvimento económico mundial, é um equívoco que pode levar a um logro terrível. Mas é um caos se não existir uma consciência do papel social do trabalho por parte do topo da pirâmide social, menos acumulação de capital e mais distribuição via trabalho e salários .

- Concordo: ser jovem desempregado depende muito dos medos do futuro, do querer e vontade própria para arriscar e ir à luta. Mas o quase monopolismo e poder excessivo dos mega grupos económicos que secam o pequeno e médio empresário e a acumulação de capital destruida de postos de trabalho e desvalorizadora do trabalho não deixam espaço para a vontade e risco dos jovens.

4:01 PM  
Blogger josé neves said...

Caro Sérgio,
Afinal estamos de acordo em quase tudo. Quando digo que a premonição de Marx tinha apanhado de raspão, e cada vez mais tangencialmente, as democracias actuais, estava precisamente a pensar que, o sindicalismo livre, o poder de greve e manifestação ao lado da contratação colectiva, equilibram os pratos da balança de "pessoas juridicamente iguais".
Só mais uma nota. Um pib que imcorpore uma elevada taxa de mão de obra (salários)é sinónimo de país pouco desenvolvido, de baixa produtividade.
No meu entender, mas não sou economista, a diminuição de 69% para 52%, revela que o país melhorou substancialmente a sua produtividade e o pib per capita, e deixou de ser um país muito mais apetrechado tecnologicamente.E o problema é conciliar a contradição entre crescer tecologicamente (menos mão de obra) e dar emprego a todos. Uma quase quadratura do círculo.
de

5:45 PM  
Blogger sergio said...

A questão do PIB versus produtividade e economia de trabalho intensivo versus economia de conhecimento.

Podemos ter 60% do PIB para salários e isso significar que temos muita gente com salários baixos ou pouca gente com salários altos - uma economia de trabalho intensivo ou uma economia do conhecimento, com a mesma percentagem de salários no PIB.

O que se tem passado é que os rendimentos de uma grande parte das classes baixa e média têm vindo a cair, em detrimento da acumulação de capital no topo da pirâmide social. Rendimentos esses em queda que estão fortemente associados a rendimentos do trabalho. Problemas a não ser que se arranje outra maneira de compensar esses redimetos em queda: valorizando o trabalho e small is beautiful (as PME versus as mega empresas monopolistas/oligopolistas que secam a economia que nem eucaliptos); ou aventurando-se no casino das bolsas (que não dá para todos, quando não rebenta)ou através de subsidios ou outros (que não me agradam muito face aos abusos e fraudes).

4:57 PM  
Blogger josé neves said...

Caro Sergio,
Podemos ter a mesma percentagem de trabalho (massa salarial) do pib quer numa economia de trabalho intensivo ou numa economia de conhecimento, certo. Contudo, essa mesma percentagem numa economia de crescimento significa inevitavelmente que o pib cresceu fortemente.
Aceito perfeitamente que a distribuição de rendimento tem sido altamente distorcida em prejuizo das classes média e baixa. E é em liberdade democrática de livre crítica, proteso, reivindicação e manifestação e possibilidade de temporariamente poder fazer mudança de governos, que melhor e mais eficaz socialmente, se pode fazer inverter ou enveredar mudar de orientações no sentido de corrigir os males que o evoluir da própria sociedade vai criando.
Tar como nós, fisica e mentalmente, a sociedade é um corpo vivo que evolui por etapas após tomadas de consciência daquilo que é melhor para ela.

7:10 PM  

Post a Comment

<< Home