Tuesday, January 14, 2014

DESTRUIÇÃO CONSTRUTIVA

MIGUEL REAL

Ontem nos Prós e Contras da RTP um professor (de economia?) defendeu convicto a teoria da "destruição criativa", ou construtiva, a nova ideia coqueluche dos mandatários dos mercados.
O filósofo Miguel Real, também presente no debate, rebateu e desmontou filosoficamente de que estava por provar que tal ideia funcionasse na prática tal como se idealiza, como de resto acontece com a generalidade das construções mentais. Mas sobretudo porque tal ideia aplica-se sobre  alargados grupos sociais de pessoas que reagem sempre a condições desagradáveis impostas à força por meio de grande passividade ou violência até. Isto é, explicando que as pessoas não têm um funcionamento como uma máquina mas sim um comportamento como ser racional.
Miguel Real questionava a frieza desumana contida na aplicação de tal medida considerada como um automatismo, uma matemática ou ciência exacta sem ter o mínimo de consideração pelas consequências sobre a vida das pessoas submetidas à terapia da destruição criativa.
Realmente, neste momento económico, a ideia geral que se quer impor e tornar dominante no mundo é o predomínio do económico sobre o político, que a economia deve comandar o mundo porque só esta cria riqueza para distribuir e fazer ricas as nações.
E as elites dos países estão colaborando activamente na imposição desta ideia de reificação do económico e por via disso do império dos mercados.
 
Faltou Miguel Real lembrar ao professor que, nesse caso, tal ideia deveria ser imposta antes de mais a quem compreende melhor tal teoria pois que, aplicada aos conhecedores profundos dela, não só seria aceite de boa vontade e até com gozo, como o elevado saber desse grupo acerca de destruição criativa multiplicaria exponencialmente a criatividade. Aplicada a ideia sobre tal grupo de sábios sobre destruição criativa estes tornar-se-iam necessariamente de tal modo competitivos que a produtividade criativa seria imparável. Se aplicada sucessivamente a ideia sobre tal grupo de sábios em destruição criativa não só a criatividade seria imparável como, em pouco tempo, o resto das sociedades do mundo ficariam inundados em riqueza criada. E para mais, feita por sábios em destruição criativa, a abundância produzida criativamente seria obtida com o máximo de preocupação sobre a criação para um mínimo de destruição.  
Vamos lá senhores professores, economistas, estudiosos e propagandistas da destruição criativa, deixem os vossos lugares de comodidade e conforto nos  Gabinetes, Escolas, Universidades, Laboratórios e nos Media e deitem mãos ao trabalho. Vós enriquecereis as nações e consequentemente os mercados. Assim vós sereis exemplo de heróis dignos, a História registar-vos-á e o povo erigir-vos-á as estátuas merecidas.
Força, vamos ao trabalho, por uma vez apliquem as ideias criadas nos vossos laboratórios sociais a vós próprios, especialistas que melhor as conhecem, compreendem e podem aplicar com sucesso, em vez de as aplicarem aos outros que são analfabetos de tão rigorosa teoria científica. Por uma vez deem o exemplo e ensinem como se faz fazendo vós próprios em proveito do povo e não obriguem o povo, analfabeto de tal teoria, a fazer o que não sabe para mal do próprio povo, de vós mesmos e dos mercados que vós pondes no altar, reverenciais e adorais como o pote de ouro.  

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