Wednesday, December 03, 2014

OS PORTEIROS





Portugal, visto de perto, pode ser considerado o país mais rico ou o mais bizarro ou ainda o maior gozo do ridículo divertido do mundo actual.
Pois este país pequeno e pobre, e a empobrecer sempre mais desde há quatro anos, permite-se fazer inveja ao mundo colocando no topo da democracia não dois lentes académicos, nem dois filósofos, nem dois juristas, nem dois economistas, nem dois politólogos e nem sequer dois eminentes jornalistas mas sim dois porteiros.
No topo hierárquico temos um velho político muito batido que se desloca aos cus do mundo várias vezes ao ano num avião fretado que enche de gente, ele, a maria e a fadista com mais umas dezenas de empresário e jornalistas, à conta.
No vice-topo temos um matreiro esquivo pássaro passarão pavão que percorre mensalmente os cus do mundo inteiro e se pavoneia pelos salões para assistir à assinatura de contratos conseguidos pelas empresas em concursos internacionais ou inaugurar um salão de beleza e massagens índus.
Têm reuniões nos palácios luxuosos com presidentes, assinam protocolos com presidentes, tiram retratos com presidentes, dão apertados apertos de mão a presidentes, visitam grandiosos palácios, catedrais, obras sumptuosas, dão passeios aos lugares históricos locais, aos mais altos do mundo, aos mais antigos, aos mais grandiosos e luxuosos e às vezes dão passeios turísticos a pedido da maria.
No final da visita, ainda lá e com um grande salão dourado como pano de fundo, dão grandiosas (no sentido em que são com todas as dezenas de jornalista borlistas convidados) debitam umas banalidades de conveniência sobre as reuniões e conversações trocadas e à cerca de resultados alcançados nas grandiosas expedições caixeiro-económicas repetem invariavelmente:
. foram abertas todas as portas
. todas as portas foram abertas
. as portas abertas foram todas
. as portas foram todas abertas.
Os nossos Maiores antigos abriram mundos ao mundos, os nossos Menores actuais abrem portas dos palácios do mundo.
Mas que grandes porteiros. 

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