Saturday, June 02, 2012

OS FACTOS DOS LOUCOS


Na recente ida de relvas ao Parlamento dar esclarecimentos sobre as suas ligações com espiões e jornalistas, o in-poluto deputado do cds-pp, aquele ex-ministro que andou embrulhado até ao pescoço na questão portucale, quinta do bes em Vila Franca de Xira, e o mesmo que alarvemente imputava e imputa todos os males do mundo a Sócrates baseado em insinuações que a justiça durante anos de investigações não conseguiu provar uma migalha, apesar do denodado empenho e esforço de magistrados e juizes nesse sentido, pois aquele matreiro oportunista deputado concluia sobre relvas que " afinal nenhuma das propostas do espião tiveram provimento ou seguimento do ministro, logo não haviam factos e apenas insinuações".

Formular juizos deste valor anedótico só é possível com o pré-conhecimento de uma imprensa dominante que faz eco favorável deste malabarismo intelectual. E não fora o ataque a Balsemão via ongoing-rtp-secretas-relvas, e o Zé-Povinho papava este tipo de propaganda-slogan como ideia-feita feita verdade. Com o império comunicativo de Balsemão ao ataque é mais difícil fazer passar a mistela grosseira e envenenada do governo.

Mas o mais paradoxal é a tamanha desfaçatez e desonestidade de quem, no caso de Sócrates, todos os juizos desta "malta séria" são no sentido de transformar insinuações em factos e agora com o relvas todos os juizos vão no sentido de transformar factos em insinuações.
No caso Sócrates dão tal gravidade às insinuações que, são para eles, automaticamente factos. No caso relvas os factos são transformados em insinuações falsas, desprezíveis, sem valor.
Os atentos percebem porquê: no caso Sócrates as insinuações tem a sua própria autoria e assinatura, logo são factos. Factos seus.

Porém, pensar contra os factos acaba por confundir o pensamento ou por revolucionar os próprios factos.
Prever o futuro e com base nessa previsão montar e efectuar jogos de poder, é um caminho com tal imensidão de riscos e imprevisibilidades que só os loucos embarcam e ensaiam percorrer: chega sempre o dia trágico em que os loucos postados no mundo dos "de fora do caminho" entopem a progressão dos caminhantes loucos.
E com gente que faz previsões que passados dias já têm de ser revistas e feitas novas previsões: isto é, com gente que nem prever sabe, então, palmilhar tal caminho plantado apenas sobre imprevisibilidades, é como dar a volta ao mundo sobre uma corda.

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