Tuesday, April 10, 2012

EMPOBRECIMENTO OBRIGATÓRIO


O governo de Portugal decretou o empobrecimento obrigatório dos portugueses, seu próprio povo. Estaremos perante um governo de cariz religioso algo messiânico que pretende salvar o povo pela miséria terrena e a promessa do paraíso depois de expiar as culpas?
Mas de quais culpas pode o governo acusar o povo? Pelos argumentos parece que o povo é culpado, e agora julgado e condenado, por querer viver fora da pobreza.
Mas não deve ser esse o desígnio de um governo que dirige um povo esforçar-se sempre e em primeiro lugar e bater-se sempre e em primeiro lugar por obter bem-estar e felicidade para o povo que escolhe os melhores entre os seus e acredita neles? Será que atingimos o paradoxo de o povo acreditar nos seus dirigentes e estes não acreditam no povo que os elegeu?

Todo português legítimo que fez pela vida todos os dias de trabalho um duro exercício ao longo de muitos anos se sente directamente atingido e desrespeitado pela brutalidade de tão insensata e insensível medida.
E como é possível que políticos que jamais anunciaram ao povo sequer a possibilidade de aplicar uma tal medida, após ganhas as eleições se proponham e dediquem a aplicar tal medida e tenham a desonestidade moral de querer vender a ideia que o empobrecimento do povo e do país é um bem necessário donde rebentará a nascente do leite e mel inesgotável correndo para levar a felicidade a todos.
Elegemos um governo que prometeu resolver, e dizia ter estudos infalíveis feitos para aplicar na resolução rápida dos problemas do país e, depois vem propor como solução o empobrecimento do país e do povo? Tem o governo legitimidade para promover o empobrecimento do próprio país que prometera salvar de sofrer mais sacrifícios?

Se se sente, o governo deste Estado, com legitimidade para aplicar tal medida que nunca anunciou iria tomar, pelo contrário repudiou tal medida mesmo em solução suave, muito maior legitimidade terá o povo, no íntimo de seu pensamento como indivíduo moral e político, em decretar e aplicar individualmente o empobrecimento do Estado deste governo.
E o povo já começou a pôr em prática o decreto não dito nem escrito mas tão antigo quanto a existência e sempre pensado e activado necessariamente desde que colocada em causa essa mesma existência humana.

O povo, por reacção natural a quem o maltrata, replica pela mesma medida e argumento aplicando a lei de sangue em posição de auto-defesa: quem com ferro mata com ferro morre.
Deste modo o empobrecimento avança mas também as receitas caiem a pique: rebaixam os salários, o povo não gasta; criam-se pagamentos de circulação, o povo não circula; aumentam taxas sobre compras, o povo rejeita declarar compras; aumentam bens e serviços, o povo prescinde desses bens e serviços; criminaliza-se à bruta, o povo vai preso e enche prisões e campos de concentração se for preciso; promove-se o desemprego forçado, o povo foge do país; despromove-se o ensino, o povo promove-se auto-didata; despromove-se a saúde, o povo velho morre mais cedo e o novo promove a natalidade por força natural da preservação da espécie, visto que o ser em sí reside mais na espécie que no indivíduo.

É fácil constatar que, com tais respostas do povo ao Estado, o governo de tal Estado que quer o mal do seu povo assim à bruta, sai da receita ainda mais pobre do que o próprio povo: este subsistirá sempre enquanto um tal Estado não poderá durar muito.
Aliás como qualquer pessoa de senso comum pode prever infalivelmente: o Estado é a soma do conjunto dos cidadãos, ora se estes se tornam pobres à força, a mesma força levará o Estado à pobreza e à ruína.

Todas as utopias postas em prática à força, a de Pitágoras, Empédocles, Platão e a marxista-leninista acabaram em tragédia face ao empobrecimento forçado do povo e à resposta de braços-caídos deste perante a imposição de elites auto-iluminadas.
Decretar a pobreza e consequente sofrimento dum povo toma sempre um carácter religioso pois sob a capa doutrinal politico-económica subjaz sempre uma culpa a ser expiada que tenta promover uma crença no futuro.
Mas tanto as religiões como a economia não vingam por decreto e se o sofrimento faz crescer a fé e a crença, um superávite de de fé, crença e sofrimento é tão perigoso como um super defícite conduzido por uma espiral dinâmica de recessão económica.

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