terça-feira, outubro 06, 2009

O ELOGIO DA SOMBRA 1


DIÁLOGO ENTRE ALMA E SOMBRA
Alma:
Eu sou o sopro imortal que habita e anima o corpo. Vivo, passeio, repouso, pernoito, sonho no interior do corpo mas não misturada nesse saco carnudo roto de nove buracos. Saio e entro por conta própria para investigar e regresso para dar ordens a esse monte de carne e pôr em marcha o seu esqueleto de cal. Faço-o herói ou levo-o à perdição: sou a sua alma divina ou sua alma danada. Sou a visão e força do corpo: o olho e a mão invisíveis que vê ao longe e agarra ao perto.

Sombra:
Eu sou imitação sem forma definida nem conteúdo, uma imaterialidade vazia, sou vista mas vivo às escuras, às cegas.

Alma:
Sem mim, o corpo seria matéria mas como tu também vazia, uma imitação das pedras. Não sou fria e escura, sou o fogo e o brilho que ilumina o Homem. O meu reino é o Dia, a acção, a actividade, terçar com o fogo e o brilho dos outros Homens, vencê-los ou juntar-me a eles. À noite eriço Eros ou o Sonho.

Sombra:
O meu reino é a noite, a escuridão, viver apagada, à noite ser sombra da sombra é o meu estado ideal. O dia é um martírio, logo que um homem se levanta rastejo atrás dele, se se deita sou esmagada por ele. Se o homem tem uma alma grande mais rastejo e mais esmagada sou. Diz-me Alma, todos os homens têm uma alma grande?



(continua)

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1 Comments:

Blogger Diogo Sousa said...

Um comentario?
Fico abismado!
Palavras?
Nao tenho.
Ab e fico esperando
Dcs

8:45 da manhã  

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