Wednesday, March 03, 2010

QRIGEM DO POVO DE GORJÕES IV


RESUMO DOS POST ANTERIORES
Analizámos a origem do povo de Gorjões a partir dos povoados Neolítoco-Calcolítico do Cerro do Algarão e Cerro da Mina. Como os povos Romanos e Árabes andaram por estas bandas e deixaram as suas marcas. E depois como surge pela primeira vez em documentos oficiais os nomes de Nexe e Gorjões em finais do Séc. XV. E como o facto de, nessa mesma época, já haver no povoado de Gorjões contribuintes para o Reino ao mesmo tempo que surgia a construção da Ermida de Santa Catarina de Gorjões, revela bem da importãncia económica e politico-religiosa que o povoado adquirira nesse tempo.
Neste tempo de existência rica do povoado, uma tese académica pressupõe que o nome "Gorjões" deriva da importância de várias famílias abastadas locais com o apelido de "Gorjam". Defendemos que não faz sentido histórico que, desde os Homens do Neolítico e depois com a passagem por cá dos notáveis organizadores Romanos e Árabes, estas terras ainda não tivessem designação e nome próprio em pleno Séc. XV das Descobertas e Renascentista.
Em contrapartida, defendemos que tais nomes têm origem muito mais remota, que vêm dum tempo sem escrita, registo ou marca e cuja tradição oral aponta para a designação de uma qualidade de pássaros, notáveis gorjeadores, que aqui encontraram o seu habitat natural, e se desenvolveram ao ponto de se tornarem referência principal e desse modo terem dado nome ao local.


DO "ESTANCO" AO "ALTO"
A Ermida de santa Catarina de Gorjões, implantada num alto sobranceiro e virada para a planura povoada, e no cruzamento dos caminhos S. Brás-Loulé com o caminho de Faro, revela, como dissemos, que o povoado atingira importância populacional e sobretudo económica dada a fertilidade e extensão das terras cultivadas.

Tornando-se excedentário em cereais e frutos secos o povoado, próximo de Loulé, adquiriu importância como entreposto de trocas comerciais. Foi assim que em plena era heróica dos Descobrimentos, alguém ou família detentora do conhecimento e consumo do tabaco trazido do Brasil, instalou-se no povoado com um negócio de "Estanco", isto é; com uma estância de seca, tratamento e venda de tabaco. Este negócio, inédito e florescente, marcou o povoado de tal modo que se tornou seu símbolo e lhe deu nome, até hoje designado "Estanco", que por sua vez deu nome aos descendentes do negócio dando origem à faília dos "Estancos".
Os Estancos descendentes, nos finais do Séc. XIX, foram os primeiros "Empreiteiros" de estradas e pontes do local e quiçá dos primeiros do Algarve. E pela dimensão e número de obras que tomavam em "sociedade" com outras famílias vizinhas e amigos, formaram uma verdadeira "escola" de empreiteiros, capatazes e ofícios correlatios que ainda hoje perdura.


No início do Séc.XX, no cruzamento da nova estrada (EM520) com o caminho dos poços públicos, um jovem descendente dos Estancos, José Pinto Contreiras, construiu a primeira casa comercial do Lugar, uma "Venda" de taberna, e depois fez mais casas para instalar novos comércios como "Venda" de mercearias e padaria com "Venda" de pão, e de seguida novas casas para instalar os "Mestres" de ofícios e artesãos de artes rurais necessárias aos trabalhos do campo.
E por fim, nos "altos" das casas anteriores, criou a habitação própria e nela o espaço suficiente para a instalação da "Sociedade Recreativa Gorjonense", logo tornado lugar de encontro social e recreativo aberto e frequentado por todos os gorjonenses, o que constituiu para oa Gorjões, naquele tempo, como que uma entrada na modernidade.

Poucos anos depois, o mesmo, projectou e construiu, com a primeira cobertura local em laje de betão armado, um amplo "Salão" de baile com palco, balcão e buffet, que passou a ser sede da Sociedade Recreativa Gorjonense.
E coisa única nunca vista, junto das casas de comércio e oficinas, abriu uma "Retrete" pública canalizada para uma fossa sanitária em terra própria distante.
Inevitavelmente, este Lugar cresceu e passou a ser a centralidade comercial e social do Sítio de Gorjões e sua principal referência até hoje.

A casa adaptada para funcionar a "Sociedade Recreativa Gorjonense", constituia parte de um 1º andar de habitação. Aquela era a primeira casa do Lugar construida fora do estilo tradicional da casa agrícola do Barrocal de sequeiro, assim com uns "altos" para habitação e comércio por baixo.
Sendo novidade e coisa única no Sítio, o povo deu em designar o local como o "Lugar dos Altos". E finalmente, por uso e simplificação popular do termo, o povo acabou a designar o Lugar tão só por "Alto", nome até hoje designação deste Lugar, o mais conhecido e principal centralidade do Sítio dos Gorjões.

Lugar que, além de constituir a centralidade mais povoada e centro comercial e social, é também uma centralidade territorial do Sítio, relativamente aos outros Lugares designados de Estanco, Caramujeira, Corgo, Poço Largo, Fonte da Murta, Palmeiral, Poço Arranhado, Sobrado, Cerca do Lobo, Raposeiras, Espírito, Nora, Crespos, Goldra, Sobreiras, Pinheiros, Monte Roque e Cerro da Mina.

Labels:

0 Comments:

Post a Comment

<< Home