Friday, June 17, 2011

NOVO GOVERNO, MEDIDAS URGENTES.


Nas primeiras medidas do novo governo, segundo fontes próximas de nosso mais profundo pensamento, constam as seguintes:

1º. Abolição de todas as medidas, acções e empreendimentos alguma vez realizados ou ainda em curso tomadas pelo governo anterior e,

2º. Promover um nacional gigantesco auto-de-fé, a realizar em Lisboa nos locais tradicionais para o efeito, de modo a erradicar de uma só vez e sob a vontade única de todos os bons portugueses, o maldito computador conspurcador das escolas e, pior que tudo, das cabecinhas das nossas crianças e por conseguinte do futuro dos nossos filhos, em má hora chamado "Magalhães", conspurcando também deste modo a nobreza do nome do grande navegador português e de Portugal.
Para fazer a condenação da herezia política de tão ediondos instrumentos, postos ao serviço do mal pelo filho dilecto do Diabo, enviado disfarçado de Engº. Sócrates em Portugal, será encarregue o nosso sábio e ilustre educador do povo, Dr. Pacheco Pereira:

- O computador "magalhães" é uma fraude administrativa entregue sem concurso aos amigos quando os chineses ou formosinos os podiam fornecer mais baratos. E uma fraude educacional pois para a idade dos miúdos o que seria ideal era que os conteúdos fossem tais como os das consolas de jogos que é o que eles gostam.

Para fazer a oração de encomendação das almas dos herejes objectos, será encarregue o vigário intendente rigoroso na vigilancia da devassidão e preservação dos bons costumes e moral do povo, Dr. António Barreto:

- A introdução do computador "magalhães" nas escolas, que vai levar os miudos directamente à pornografia, que é o que eles querem e gostam como seres genéticos imorais, é uma profunda ofensa à moral pública e constitui uma impiedade sem desculpa. Este instrumento é uma manobra do diabo, sob a figura de Sócrates, para estragar as nossas queridas crianças.
- Que no local histórico tradicional para o efeito, seja instalada uma pira contendo todos os "magalhães" sem excepção, sobre tal pira fúnebre seja colocada a esfingie, caso não seja possível o próprio em carne e osso, do mandante culpado da blasfémica acção contra as nossas cianças e logo, contra o nosso futuro, e depois de tudo regado e encharcado de gasolina se dê fogo e deixe arder tudo sem rasto. Para qualquer eventualidade do Diabo actuar e tentar deixar algum magalhães intacto, devem ser prevenidos lança-chamas para actuar prontamente sem piedade.


3º. Igualmente promover um grandioso auto-de-fé por todo o país de modo a erradicar da vista dos portugueses esses monstros de aço colocados no cimo das montanhas portuguesas.
Consiste tal medida em fazer desaparecer dos locais mais próximos do céu e outrora dedicados aos eremitas e conversas com os deuses, aqueles mostrengos poluentes da nossa vista, do sossego e bucolismo dos montes, agitadores das brandas e amigas brisas portuguesas.

A acusação estará a cargo do querido lídimo defensor da pureza dos ares portugueses, o incontido politólogo exímio explicador de tudo que acontece e acontecerá, Dr. Ricardo Costa:

- Não é preciso mais conversas sobre energia, não quero levar a noite inteira a ouvir falar de ventoinhas.
Quais ventoinhas, mais não fazem, que promover a agitação da calma antes existente, que nos meter medo com aqueles braços enormes sempre a ameaçar-nos e que, dado o seu gigantismo, afinal nos tornam pequeninos quixotes desorientados e tontos.
- Mas, sobretudo, não queremos nem precisamos dessa invenção do Diabo feita sob figura de Sócrates, que mais não são do que gigantescas ventoinhas instaladas nos campos para infernizar as nossas belas e serenas vidas de pacatos citadinos.
É que essas malditas ventoinhas têm por detrás um plano secreto que já começa a notar-se e ficar claro: foram estudadas e instaladas para, sob o pretexto de renovar a energia, aplicar o seu principal e secreto objectivo que é enxotar as moscas para cima de nós, aqui na cidade.
- Logo, face a tal perversidade de querer encher de moscas o nosso tranquilo quotidiano, devem tais mostrengos ser erradicados da nossa vista: que sejam serrados a um metro de altura e, no vaso deixado pela base, sejam plantadas flores, de preferência grandes girassóis que sempre que o sol de nossas presenças se lhes mostre, elas se possam voltar para nós e nos acenem agradecidas.
Disse e cumpra-se.

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