Monday, June 06, 2011

PRESENTE FORA DE CENA


O PS perdeu as eleiões com clareza e Sócrates saiu de cena. Saiu? Nem tanto.
Mesmo no momento de sair proferiu o melhor discurso jamais feito em Portugal para o efeito de despedir-se por derrota clara: agradecendo aos portugueses e, sem rancor ou ressentimento, afirmar que não teme e aguarda o julgamento da História, o juiz idoso e sábio que nunca falha.
Um exemplo de dignidade face à derrota que transforma os discursos de vitória de Cavaco em lixo repelente. Um discurso que, mesmo sobre o momento de uma derrota pesada, empolgou os derrotados coisa que Passos não conseguiu com os seus nesse momento e perante uma vitoria clara.
Mas, fundamentalmente, não saiu de cena porque daqui em diante toda e qualquer governação terá como referencial o governo de Sócrates. Mas, fundamentalmente, porque desde agora o que o novo PM disser e fizer será comparado com Sócrates. Mas, fundamentalmente, porque as idas ao Parlamento prestar contas aos deputados quinzenalmente e discussões aí travadas, terão como bitola a capacidade e qualidade de Sócrates. Mas, fundamentalmente e inevitavelmente, porque a partir de hoje as medidas do novo governo serão questionadas, escrutinadas e confrontadas com as medidas inovadoras do governo de Sócrates.
Qualquer nova governação em Portugal estará perante o confronto com a forma, firmeza, convicção, trabalho árduo, credibilidade na UE e mundo exterior, capacidade intelectual e de relacionamento para criar empatias com os chefes mundiais incluindo a sua tranquilidade e à vontade para fazer passar e vender os produtos portugueses, de que Sócrates deu concludentes provas.
E, sobretudo, os novos governos serão sempre confrontados, especialmente no mundo lá fora, com a postura e imposição inequívoca de Sòcrates, que ser portugues é ser igual a outra qualquer nacionalidade, que ser portugues tem a mesma dignidade que todos os outros povos, ricos ou pobres, e merece respeito identico que dá aos outros, sem pesos e medidas à medida de gloriosos passados ou grandezas actuais.
Esta pecha portuguesa de subserviência perante o estrangeiro é também um forte motivo de confrontação e aferição da qualidade e afirmação dos novos governos face ao entendimento e comportamento como encaram o estatuto de ser portugues e obtenção de respeitabilidade ao nosso povo como povo igual a todos outros.
Por todas estas razões não prevejo que Sócrates tenha saído de cena completamente. O fantasma da sua governação e da sua postura e acção política pairará permanentemente sobre os novos governantes. E se estes continuarem a apenas maldizer e culpar as políticas de Sócrates face a incapacidades pessoais e desaires governativos, então o povo fará a tal comparação entre o antes e depois e o fantasma Sócrates tomará corpo e realidade outra vez.

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