Sunday, December 02, 2012

CRISE, OS NOSSOS AGRADECIMENTOS


O secretário geral Jerónimo do PCP, entusiasmado no pensamento de que a crise lhe dará uma maioria eleitoral para governar, tratou logo à partida de avisar que o PS será excluido desse seu governo. É nesse sentido que exige eleições antecipadas e não a revolta das massas na rua, a revolução e tomada de assalto do palácio de S. Bento, como seria normal num partido revolucionário (m-l).
Mas a subtileza e substância da mensagem não está na exclusão expressa, exibida e exaltada do PS do seu pressentido próximo governo mas sim no facto de não referir a exclusão do PSD. 
Sobre com quem se coligaria para governar o secretário geral não se expressa. Ou pensa que a crise se agudizará a ponto de que o eleitorado do PS e PSD e arredores lhe cairá rendido nos braços ou tem em mente uma coligação partidária que inclui outros que não o PS.
O PCP, por motivos ideológicos, históricos e sobretudo estratégicos, foi e será sempre contra o PS e mais ainda quando este é governo e alarga o bem estar e faz crescer a classe média, principal obstáculo à tomada leninista do poder. Não é por acaso que nessas alturas o PCP é o maior aliado do PSD para derrubar governos socialistas como se verificou recentemente no governo Sócrates.
Mas, na actual situação outras condições objectivas e muito determinantes fazem do PSD um aliado e auxiliar importante da estratégia política do PCP. Primeiro, o PSD está tratando de empobrecer a alta velocidade os portugueses. Segundo, com tal empobrecimento acaba com a classe média e trata de a proletarizar à força, empurrando-a para os braços do partido dito dos proletários. Terceiro,  proletarizando a classe média o PSD poupa um duro e doloroso trabalho futuro e obrigatório para a instalação forçada do socialismo real. Quarto, este governo tem-se mostrado um empenhado amigo dos chineses, os tais que actualmente são para o PCP o novo farol e guia para a implantação do socialismo real no mundo e, se cá estiverem em força, é meio caminho andado. 
Com estes dados objectivos presentes e a carburar em pleno, não é de descartar uma eventual comunhão de interesses até, pelo menos, parte da jornada. Depois, na corrida para a meta, a luta será entre a ditadura do proletariado ou a ditadura do plutocratariado.


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