Monday, February 25, 2013

NOTÍCIAS DA REDACÇÃO DO PAU, 2013



Fui até à "Redacção do Pau" onde estava um grupo de gorjonenses apanhando o agradável Sol outonal já com cheiros de primavera. Desta vez o corpo de cavaqueira na "Redacção" era composto de maioria por caçadores. Existe aqui um couto de caça e o respectivo Clube de Caça e Pesca "Serro da Mina" com sede local na antiga escola primária. A "Redacção" discutia a actualidade a partir de um caso recente havido há uma semana com um deles.
Um dos caçadores quando regressava a casa depois de uma petiscada na sede do Clube, foi apanhado pela GNR no percurso de 1500 m entre o Clube e a sua casa residência, com excesso de velocidade medida a olhómetro e de alcóol medido pelo balão. E levava a arma de caça dentro da carrinha pelo que a GNR quis imediatamente algemar e levar para o Posto de Faro o operário caçador.
Como este se opusesse querendo que antes o levassem a casa, a 1000m do local, para deixar a carrinha e participar à mulher o que se passava, também não tinha telemóvel disponível, houve algum alvoroço e, segundo o caçador, às tantas imobilizaram-no e algemaram-no com a utilização de gás atirado para os olhos.
Passou essa noite no Posto da Guarda, pagou uma multa de 120 euros por excesso de velocidade medida a olho, tem a arma e porte de arma apreendida e um processo no tribunal posto pela autoridade GNR.
Felizmente ainda lhe deixaram os documentos de condução e circulação caso contrário teria ficado sem meios de ir trabalhar mais este operário da construção civil, dos raros que ainda por aqui têm trabalho.
Era sobre este candente assunto local que a "Redaccção do Pau" discutia e a partir dele fazia considerações críticas sobre a actualidade política. Ninguém presente naquele colóquio de gente de saber de experiência feito estava minimamente de acordo com as medidas actuais impostas e sobretudo com a presença, quase ininterrupta, da patrulha de trânsito GNR nos caminhos rurais à porta de honestos e inofensivos residentes.
Um deles, mais idoso e ainda do tempo da ditadura, dizia:
 - Nunca se viu uma coisa assim, não andam por aqui para guardar as casas, os bens e as pessoas mas para as multarem por qualquer coisa -, e continuou; - abala uma pessoa de casa descansada para ir semear ou apanhar umas favas ou erva para os coelhos na terra aqui ao lado a 200m de casa, ou para ir ao Clube conversar e beber um copo com os amigos, abala com a roupa que tem, não leva carteira nem pôe o cinto e... zás, apanha com a GNR à saida de casa, depois com uma discussão de arrasar nervos, uma multa exorbitante e trabalhos de burocracia, tribunal, dias perdidos e despezas em cima do pouco que já nos resta. Isto está uma porca miséria insuportável -
E voltando-se para mim rematou:
- Vê aquela carrinha ali à frente? É minha, é minha propriedade particular, mas eu não posso transportar nada nela sem levar uma guia de remessa de cada peça que lá vá dentro. Eu sou um particular, tenho uma carrinha particular em nome individual mas tenho obrigações como se fosse uma empresa comercial ou industrial. 
Olhe amigo, antigamente nós, particularmente, podíamos fazer o que queríamos só não podíamos falar de política, agora nós podemos falar tudo de política mas não podemos fazer nada do que queremos -.
E logo outro "redactor do pau" resumiu claro e sucinto:
- É isso mesmo; eu posso chamar gatuno ao governo mas sou obrigado a entrgar-lhe a carteira. O que é que a gente ganhou com a troca?
Chegámos aqui, estamos neste ponto.

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