Wednesday, May 01, 2013

1º 1º DE MAIO, FOTO ORACULAR


Em 1974 o 1º de Maio já tinha esta unidade, ou consenso como se diria hoje, que está fulminantemente patente nesta foto do 1º 1º de Maio.
Pela vista do Largo do Areeiro ao fundo, quem quer que tenha tirado esta foto, estava próximo de mim naquele momento pois, também eu esperei aquela manif naquele local onde havia um grande edifício em construção pejado de gente e uma senhora a oferecer água com um jarro na mão que enchia continuamente.
Mas a foto é, sabendo nós hoje o que se seguiu, duma clareza elucidativa brutal. 
Um, de cravo ao alto vivendo e comungando efusiva e afectivamente da alegria da liberdade do momento com o povo na rua, completamente alheio e ausente de qualquer pensamento interior fora do estado de alma que lhe está estampado no rosto.
O outro, de rosto impassível e impenetrável como uma máscara carregada de mistério, como um ícone  sagrado saído da sombra da clandestinidade para acender o fogo prometeico. Um símbolo assim, carregado de sagrado, não pode abrir-se quanto mais saudar ou sorrir ao povo-chão, imitando-o. Não, não está ali para imitar o povo-chão sendo como eles, está ali como guia supremo para indicar o caminho carregado de dificuldades e trabalhos duros mas redentores amanhã, logo, como profeta do caminho luminoso o seu porte e pose tem de expressar o simbolismo da impassibilidade e impenetrabilidade religiosa, face aos fiéis.
Contudo, apesar desta aparencia conveniente face à austera convicção teoideológica, era imensamente superior aos seus discípulos actuais. Percebia com nitidez as diferenças entre as classes político-ideológicas actuantes no espaço político português e no mundo. 
Foi capaz de perceber, sem tergiversar um segundo, a diferença entre dois candidatos a  Presidente e  optar, impondo, sob força de vontade e em cima da hora, pelo lado que sabia ser melhor para o seu partido.
Coisa que a pobreza mental e medo mesquinho, apesar de parecerem mais povo-chão, os seus discípulos actuais não são capazes de perceber e empreender. 

Labels:

0 Comments:

Post a Comment

<< Home