Tuesday, November 10, 2015

A UTOPIA DE JOSÉ PINTO CONTREIRAS 2



A PRIMEIRA CASA; A IDEIA EXISTIA INCONSCIENTE  

Com a mesma têmpera dos seus antepassados, com 20 anos, numa esquina do cruzamento dos caminhos para Faro com o dos Poços Públicos, demarca por meio de um alto muro de pedra uma parcela grande de terreno do sogro e contra a vontade deste, inicia a construção de uma casa própia dedicada a instalar um negócio de “venda” de taberna, que conclui em 1915.
Regressado, via Marrocos, da debandada militar na frente de La Lys em França, após ataque brutal de gás, fogo e aço pelos alemães em 9Abril1918, dá início à construção de casas para “venda de mercearia” e “forno de padaria” que conclui em 1925. 
Com três portas abertas ao público, taberna, mercearia e padaria, continua trabalhando com o pai nas estradas como Mestre Capataz Geral encarregado dos traçados e nivelamentos e, com os rendimentos do seu trabalho e dos negócios das “vendas”, no mesmo local constrói mais casas para instalar o Mestre barbeiro, o Mestre sapateiro e o Mestre mecânico de “casa das bicicletas”. O Mestre ferreiro-ferrador, amigo de escola, foi buscá-lo a Bordeira e convidou-o a instalar-se no local em casa vizinha. Mais tarde faria também um armazém para instalar o Mestre carpinteiro.


A IDEIA DESPERTA; O SONHO NASCE

A sua incorporação como recrutado no CEP, Corpo Expedicionário Português, com guia de marcha para  "A Grande Guerra” em La Lys na Flandres francesa, via desembarque na Bretanha e comboio até à frente de combate, permitiu o contacto directo com as populações das aldeias francesas locais e mostrou-lhe uma realidade bem diferente daquela que conhecia na sua terra.
Nesse contacto vivido junto das aldeias ao redor do acampamento do CEP em Air-sur-la-Lys, entre Armentiére a la Bassée e Merville a Bethune, constatou que as populações dessas  aldeias viviam associadas e organizadas à volta de colectividades que organizavam os eventos festivos tradicionais ou domingueiros como os bailes, teatro, jogos, etc. Além disso as aldeias eram auto-suficientes de oficinas de artes e ofícios para apoio dos trabalhos rurais assim como de casas de porta aberta ao público para comércio de abastecimento e convívio do povo à volta duma mesa de jogar às cartas, tomar uma bebida e conversar acerca dos trabalhos diários da terra, da guerra, da família, dos amigos, da vida e da morte.
A observação atenta de tal modo de convivência social ordeira e harmoniosa nestas pequenas comunidades francesas, fez revelar e nascer em sua mente futurista irrequieta a ideia visionária de transpor para a sua terra natal este modelo civilizacional avançado que permitiria acabar com hábitos ainda reminiscências de rudezas medievais. 
Ficara convicto que no pós-guerra o estilo de vida das pequenas comunidades que vira em França, mais tarde ou mais cedo, haveria inevitavelmente de chegar à sua aldeia e aldeias de Portugal. Então pensou firmemente que o ideal era apressar o cumprimento do futuro.
O ideal tornou-se sonho e este começou a ser pensado e ter formas.  
 (continua)

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