sexta-feira, março 05, 2010

ORIGENS

O PENSADOR, FIGURA DE BARRO DO NEOLÍTICO


GÉNE MATRICIAL

A pé descalço, vestido de peles sobre pele
subiste à mão a pulso o Cerro ao cume
de vistas longas largas e ao costume
arcaico caçador pastor nómada, teu papel

errante anónimo primitivo, disseste basta.
Ficáste, e Homo Faber, da pedra bruta
fizeste pedra lascada útil, abriste gruta
casa, limpáste rocha e mato, fizeste fasta
a terra plana fértil, sulcáste-a à mão,
inseriste sememte na Terra-Mãe fecunda,
viste nascer de semente semente abunda,
alimentáste os teus na casa do Algarão.
Fizeste-te lavrador e pastor sedentário

organizáste-te em famílias e povoados
fabricáste o barro, facas e machados
de silex, gasta a magia erigiste santuário
aos deuses ctónicos, talvez a Atégina
do culto da fertilidade, ventre maternal
criador de pão fruto e da prole inicial

humana povoadora do Cerro da Mina,
avós de todos avós e pai do géne matricial
único, indivíduo que nos habita e domina.

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