Thursday, December 20, 2012

A ABADA E O RICOCHETE


  HERCULES ESTRANGULANDO ANTEU DEPOIS DE O SUSTER NO AR PARA EVITAR O CONTACTO COM A TERRA DONDE LHE VINHA A SUA FORÇA

Nas eleições legislativas que travou, A Drª Manuela prometeu riscar, rasgar, apagar tudo que o Governo Sócrates estava fazendo, erguendo ou criando.
Nem que tivesse de suspender a democracia por 6 meses para governar em ditadura chefiada por sua persona imaculada de "verdade".
Os jornalistas aplaudiram e começaram a guerra psicológica de convencimento dos portugueses dessa necessidade pois o mal, o mal todo, o mal em si era a forma na figura de Sócrates. A "imprensa" e os "homens sérios" trataram de lançar mãos aos diversos trabalhos hercúlios para derrubar e matar os monstros do mal que habitavam o governo e destruíam o país.
Um dos trabalhos bem sucedidos foi o de meter o microfone na boca do PCP e BE a toda a hora 24 sobre 24. Teve um efeito multiplicador de lapidação pelo facto de introduzir no ruído geral o argumento falso de que até os da família apedrejavam.
Neste entretanto, Passos, pela calada, era a favor de Sócrates e manobrava e rosnava as canelas da Drª Manuela. Ao contrário Seguro, pela calada, não criticava a Drª. como manobrava e rosnava as canelas de Sócrates.
Os "homens sérios e da verdade" iam escrevendo o guião e a "imprensa" reescrevia, reinterpretava e pintava a tinta negra o mal, a forma e idéia do mal em si na figura de Sócrates Anteu. Tal como Anteu, Sócrates ganhava força cada vez que se agarrava à terra, era portanto necessário atirá-lo ao ar. 
Dessa tarefa se encarregou com estrondo e sucesso o nosso hércules(zinho) presidente cá de nossa casa.
O Povo desconfiou e ainda aguentou até uma semana antes das legislativas dando um empate às partes em disputa eleitoral. Contudo "os homens sérios e da verdade" aliados da "imprensa da verdade liberta" massacraram o Povo convencendo-o de que era preciso dar seguimento à palavra presidencial da necessidade inadiável de atirar Anteu ao ar.
A própria classe média, bem representada nos professores e quadros funcionários públicos e privados, pela mão de chefes mestres como Avoila, Nogueira e outros iguais ou apanhados, cedeu à corrente e foi na onda.
Como Sócrates iniciara a austeridade, esta classe lembrada dos tempos de Cavaco e dos "fundos" a jorrar, sentiu saudades desses tempos que novamente lhes prometiam juntar "gordurinha" à gordura antiga. E Sócrates levou uma "abada" como me prometera um amigo professor amigo de muitos professores.
Derrotada a Drª Manuela, veio Passos que logo iniciou o instrumental e fingido combate pela "verdade". Outra vez era preciso riscar, rasgar e apagar a obra maléfica fundadora e promotora de todos os males deste mundo e do outro.
O Povo, já admoestado e configurado para aceitar isso como a "verdade" dos sábios, a princípio achou tudo muito bem; era o princípio da resolução de todos os males para ascender do inferno ao paraíso, pensaram.
E Passos riscou, rasgou, apagou, destruiu, desmontou (Álvaro dixit) tudo que Sócrates erigiu ou sequer pensou em erigir. Era preciso destruir a obra e até o pensamento político-social governativo de Sócrates. Era pois imperioso e necessário instalar na cabeça do povo um auto-de-fé pela obra, pensamento e forma-idéia de mal em si representada na figura de Sócrates.
Passos, contudo, excitou-se com o poder. Lançado na fúria destruidora-regeneradora, terminada a desmontagem, destruição e apagamento da obra Sócrates, não parou aí.
De repente, deu asas à sua fantasia politico-religiosa de regeneração e purificação dos pecados pela via do empobrecimento e vida simples, e deu em fazer à força dos portugueses, homens pobres, simples, rotos mas lavados e honrados.
Agora Passos, homem de fé político-religioso, ao contrário e para contradizer e vingar-se de Sócrates "megalómano" do desenvolvimento pela ciência e novas tecnologias, Passos dizia, quer a redenção pela miséria do Povo da qual se reerguerá com ajuda da caridade divina.
Tal como no poema.
Quando Passos destruiu a obra de Sócrates não era nada connosco nem contra o Povo.
Quando Passos iniciou o empobrecimento não era comigo, era com alguns.
Quando passos começa a destruir e desmantelar a obra social do Estado erguida desde o 25 Abril, o incómodo foi geral e preocupante.
Quando é claro que Passos quer destruir, vergar e proletarizar a classe média, esta percebe que é com ela mesma, forte e feio.
Quando é claro que o caminho de Passos leva a uma ditadura plutocrata, com uma pequena elite financeira no topo e um plano, rasteiro e vasto proletariado de rastos, o Povo começa a abrir o pensamento e a "rever" e "refazer" as "histórias" que lhes venderam.
Meu caro amigo professor, a tal "abada" como uma bala, entrou em ricochete perfeito no sentido inverso. 
E o Povo está numa encruzilhada, sem saber que caminho seguir perante a saraivada de estilhaços que se lhe cravam na carne quase diariamente. 

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