Saturday, May 18, 2013

O ÊXTASE DE CAVAVO



Tenho para mim que ninguém percebeu bem, ou então fingiu não perceber tomando-a como mais uma baboseira parola, que também foi, para assim poder fazer chacota fácil com tal figurante de opereta de cordel.
Contudo o dito cavaquista, ou melhor o dito "mariani", acerca da intervenção milagrosa de Nª Sª de Fátima para aprovação da 7ª avaliação da troika contém todos os ingredientes do mais puro carácter de desconfiado mesquinho auto-convencido de uma grandeza pessoal que só o uso manhoso do cargo lhe permite fingir e manipular para enganar os ignorantes.
O Cavaco tal como o Portas e muitos políticos da direita são crentes apenas por conveniência própria face à defesa de suas imagens perante a sociedade moralista existente. Eles só acreditam em si próprios e no jogo escondido que subterraneamente lançam à luz do dia sempre no propósito de sua defesa e auto-promoção.
Cavaco nem utilizou um ar de santinho para dar consistência à sua beata afirmação mas sim propositadamente o mais informal do seu ar doutoral. Isso porque a intenção era passar a ideia aos portugueses que onde ditara "talvez, Fátima" deveria ler-se "fui eu, foi graças a mim". A mensagem que, através duma ironia sub-reptícia, verdadeiramente Cavaco queria deixar era: pensarão os ingénuos portugueses que foi a mão divina de Fátima e não a mão oculta do Presidente? A tal mão escondida atrás dos arbustos dos jardins e gabinetes presidenciais.
Cavaco quis dizer que se houve ou haverá o cheque da 7ª avaliação e consequentes ordenados e pensões é a ele que os portugueses devem agradecer. Aliás as notícias depois confirmariam que se deveu à imposição do Presidente o acordo entre Passos e Portas.
Cavaco, finalmente, está nas suas sete quintas vivendo em êxtase afiado: é quem define as regras do jogo e é o próprio árbitro do jogo. Está feliz, sem forças de bloqueio nem limitações de poder, atingiu a sua máxima altura. Ele sim, deve pensar em milagre pelo facto de chegar onde está. E os portugueses devem pensar como foi possível um indivíduo sem estatura chegar a tão elevado poder pessoal.
Há, contudo, na lei não escrita da vida que quem mais alto sobe de maior altura será a queda.

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