Wednesday, October 16, 2013

LOGO, NÃO HÁ ALTERNATIVA DIZEM ELES

 Porquê e para quê as diferenças que os comentadores de cu e cadeira marcada nas tv tão deliciados e dedicadamente encontram entre as infelicidades de linguagem que os vários políticos despejam nos microfones assiduamente?
Em toda e qualquer clara e obstrusa infelicidade proferida ao microfone existem sempre duas formas diferentes, quase opostas, de interpretar a tal infelicidade. É sempre assim:
- Uma grossa bujarda expelida da boca do passos, do portas, do machete, do cavaco, da miss swaps e por aí fora nunca é uma bujarda, nem uma mentirola, nem uma vergonha, nem uma palermice, nem falta de inteligencia, nem ignorância, nem idiotice ou parvoice, nem um disparate ou sequer um disparatezinho: é sempre e tão somente uma "expressão infeliz", uma "fala inoportuna", "um deslize". E isto dito com ar de grande seriedade intelectual e convicção trazida à boca parido de um pensamento profundo, filosófico, académico.
- No caso de uma bujarda atirada por um qualquer dirigente da oposição e nomeadamente do PS, então o caso torna-se imediatamente grave, grave mesmo ou extraordinariamente grave. Neste caso qualquer bujarda grossa ou ligeira será imediatamente catalogada de "falta de rigor", "incompetência", "irresponsabilidade", "indignidade", "imaturidade", "ignorância", "parvoice", "incapaz". E, neste caso, não dito com ar filosófico mas com acompanhamento depreciativo de risadas ou rizinhos, chacota e macaqueações diversas.
E porquê, sobre caso semelhante ou igual, existem opiniões em total oposição e contradição? Porque é preciso fazer passar a mensagem de que o pessoal do governo apenas comete "infelicidades" e "deslizes", coisas menores e sem importância e pode até nem ser muito bom ou mesmo ser mauzinho contudo, muito pior é a oposição que diz enormidades e é incapaz: logo não há alternativa.
Basta ver uns minutos dos rapazes do tio balsemão e do merceeiro belmiro no eixo-do-mal na sic ou os fedorentos no programa gémeo daquele na tvi para perceber imediatamente do que se trata.   

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