Thursday, June 28, 2012

149, DIA DE EMBARQUE


Hoje, há cinquenta e um anos, plenos
de jovens lá fomos sábios igorantes
ao cais na alegria da viagem, confiantes
uns nos outros; nós, moços cremos
nos homens, estes na fé dos errantes
corajosos pensando do mal o menos.

E, armados desta força subimos o portaló
firmes nesta unidade de sentimentos
comuns que nos blindaram isentos
de maus presságios ou moinha de mó
de moer juizos e, sem medos ou lamentos
lá fomos serenos, sem raiva sem dor ou dó.

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Wednesday, June 27, 2012

EURO 2012 - PORTUGAL ESPANHA


Como todos portugueses o meu desejo é que logo à tarde Portugal ganhe:
Contudo,

O meu e nosso são desejos muito fortes.
Outros, porém, têm desejos com muita força.

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Friday, June 22, 2012

NO REINO DA HIPOCRISIA


O sujeito acima de bigode aparado à vista no buço mas de bigodaças na mente, num local apropriado ao seu pensamento politico-filosófico onde é evidente que os extremos enfiam a boca no rabo um do outro, isto é, no pasquim "correio da manha", vem sem corar falar de três pecados mortais do actual governo.
E deve ter feito um esforço enorme para conseguir lobrigar, entre a floresta de bondades do cratino e do alberto da ilha, estes três pecados deste governo. E levou um ano a olhar contemplativamente para, depois de uns primeiros tempos elogiosos e de beija-mão ao cratino, ao alberto e ao passos, concluir numa paspalhona croniqueta num jornal aliado conveniente, que o actual governo cometeu neste ano 3 (três) pecados mortais: o desemprego, o corte nos subsídios dos professores e algumas propostas, diplomas e leis para facilitar o despedimento de professores.
Este pífio professor mas manhoso e obediente comissário político que sob o pretexto da avaliação de professores promoveu esperas ao anterior PM, manifs "espontaneas" convocadas por sms, transformou uma ida de um polícia, a mando do cabo da esquadra local, ao sindicato para saber do itinerários dos autocarros (que os autarcas psd lhes punham à disposição tal como os patrões da comunicação social lhes punham os microfones à boca a todo o momento do dia, pudera), numa conspiração de Sócrates contra a liberdade sindical e liberdade em geral contra os portugueses, que pôs milhares de professores a gritar, cantar e dançar num histerismo quase orgíaco-bacantico pela Av. da Liberdade abaixo sob o pretexto da avaliação dos professores, que aliado ao psd enviou gente para boicotar comícios eleitorais do PS e outras manifestações democráticas e legais, que contribuiu à grande e à psd-cds para derrubar o governo legítimo porque o "derrube do governo era o princípio da solução dos problemas do país", e que por fim, depois de fazer todo o trabalho encomendado pelo seu partido, preparou o terreno para que este se aliasse obscenamente com o psd-cds na recusa do PEC IV sabendo de antemão que tal levava à queda do governo e o recurso à troika, e colocava o psd no poleiro do governo como aconteceu.
E fez tudo como fez pensadamente porque o desejava mais que ninguém, porque o bem estar do povo em liberdade não pode dar-se nunca sem prejuizo da estratégia da tomada de poder leninista.

Anos de objectiva e descarada aliança com a actual maioria governamental. E, como se tudo tivesse acontecido por obra e graça do espírito santo, vem agora, depois de elogios e beija-mão públicos, fazer umas quase envergonhadas lamentações contra o actual governo para professor ver.
Quer fazer crer, como faz o seu partido, que não sabia quais as consequências de uma direita mais direita e extremista como jamais vista, mesmo depois de conhecer o programa de revisão constitucional do psd que consubstanciava fielmente o pensamento económico e social tal como agora está sendo posto em acção prática sobre os portugueses.
Perante os graves três pecados graves que empobrecem os professores, aumentam o desemprego dos professores e preparam despedimentos de milhares de professores, que faz o sujeito? Que faz quando até já se prevê que os futuros professores sejam submetidos a uma prova de avaliação prévia; isto é, um exame de admissão ao professorado?
Faz umas piedosas queixas numa croniqueta insonsa no pasquim correio da manha.
E porque está o sujeito tão manso agora que as coisas pioram exponencialmente?

Porque, trata-se aqui da mais antiga e descarada aliança, essa táctica que se esconde no fingimento do palavreado populista-demagógico mas que tem como suporte subjacente a tese leninista de que o "socialismo real" florescerá tanto mais e mais forte quanto mais pobre e desgraçado se sentir o povo; quanto mais miserável for o povo e degradada estiver a comunidade mais ganhos de consciência e opinião reverterão para a causa do "socialismo real".
Desde que Lenine fixou tal tese como uma das armas para a tomada do poder, ao contrário da tese de Marx que defendia que o comunismo só poderia ser implantado no país mais evoluido e avançado do mundo, o que está de acordo com as possibilidades de futuro, os leninistas discípulos tomaram tal tese à letra e acabaram tentando impor pela violência, antes da História e pelo fim da História, o "socialismo real" e a criação do "homem novo" com perda total de liberdades, polícia política, julgamentos políticos sumários e gulagues. Tal como o nazismo quis impor o "ariano" como o "homem novo" de raça pura pela mesma perda total de liberdades, polícia política feroz, e campos de concentração para impuros e opositores políticos e depois com fornos crematórios para homens, mulheres e crianças.
Tais povos acabaram sendo como verdadeiros escravos sob o poder e controlo absoluto de elites auto-iluminadas e os respectivos países acabaram sendo verdadeiros campos concentracionários, como ainda hoje o são os restos existentes, com mais ou menos variações, sobre o tema do "socialismo real".
E todos acabaram em tragédia ou ainda vivem em tragédia indigna da condição humana do Séc. XXI.

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Wednesday, June 20, 2012

NO REINO DA SONSICE

O presidente promulga as novas leis laborais afirmando que, cito de memória, "...não encontrou indícios claros de inconstitucionalidade ..."
Bem, se salienta que não encontrou indícios claros pressupõe que suspeita ou pelo menos subentendeu a possibilidade de existirem indícios não claros ou obscuros.
Razão mais que suficiente para os submeter à apreciação do Tribunal competente e especializado, precisamente, na detecção de inconstitucionalidades não declaradas mas especial e juridicamente dissimuladas.

E para sacudir a água do capote da má-consciência pela promulgação, ou dando prova evidente de incomodidade trata de simular um pedido de desculpas encapotado sob a forma de uma advertência de que não contassem mais com ele para novas mexidas no código ora promulgado.
O estilo próprio no seu melhor.

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Tuesday, June 12, 2012

A CORRERIA OBSCENA


Neste Lugar há uma correria de mortos
com vivos atrás, velhos curvados tortos
trôpegos, sem os filhos nem os netos
vão aos funerais e vê-se-lhes nos rostos
a tristeza de seus pensamentos concretos
olhando no vazio o amigo, o parente
o familiar encaixotado, exactamente
um homem bom a partir daquela exacta
passagem ao não ser, o que foi diligente
lutador de força e vontade dura, magnata
de força e suor vendidos a preço de caganita
caída como migalhas da mesa circunscrita
à elite que decide da condição e ordena
a escala descendente do pote à marmita,
do palácio à barraca, da justiça e da pena
num teatro de sombras e actores em grita-
ria nesta correria infernal, louca e obscena.

Divina, a correria continua, a vida persegue
o fito da natureza, exige que não vergue
a vontade da espécie para que garanta
primeiro a santa natureza e esta pegue
pelos cornos o direito inicial dado à santa
existência da espécie com qualidades
cognitivas e racionais capaz de vontades
individuais e colectivas, e finas filosofias
do ser e não ser, imaterialidades
guiando o existir para o sonho e utopias.
E qual rio de água atrás de água desagua
perdida na água, tal correria continua
feita de vivos atrás de mortos e, sem cura
todos irão desaguar numa longa rua
sem nome perdida no tempo, casa futura
de toda puta de vida: todas, a minha e a tua.

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Saturday, June 02, 2012

OS FACTOS DOS LOUCOS


Na recente ida de relvas ao Parlamento dar esclarecimentos sobre as suas ligações com espiões e jornalistas, o in-poluto deputado do cds-pp, aquele ex-ministro que andou embrulhado até ao pescoço na questão portucale, quinta do bes em Vila Franca de Xira, e o mesmo que alarvemente imputava e imputa todos os males do mundo a Sócrates baseado em insinuações que a justiça durante anos de investigações não conseguiu provar uma migalha, apesar do denodado empenho e esforço de magistrados e juizes nesse sentido, pois aquele matreiro oportunista deputado concluia sobre relvas que " afinal nenhuma das propostas do espião tiveram provimento ou seguimento do ministro, logo não haviam factos e apenas insinuações".

Formular juizos deste valor anedótico só é possível com o pré-conhecimento de uma imprensa dominante que faz eco favorável deste malabarismo intelectual. E não fora o ataque a Balsemão via ongoing-rtp-secretas-relvas, e o Zé-Povinho papava este tipo de propaganda-slogan como ideia-feita feita verdade. Com o império comunicativo de Balsemão ao ataque é mais difícil fazer passar a mistela grosseira e envenenada do governo.

Mas o mais paradoxal é a tamanha desfaçatez e desonestidade de quem, no caso de Sócrates, todos os juizos desta "malta séria" são no sentido de transformar insinuações em factos e agora com o relvas todos os juizos vão no sentido de transformar factos em insinuações.
No caso Sócrates dão tal gravidade às insinuações que, são para eles, automaticamente factos. No caso relvas os factos são transformados em insinuações falsas, desprezíveis, sem valor.
Os atentos percebem porquê: no caso Sócrates as insinuações tem a sua própria autoria e assinatura, logo são factos. Factos seus.

Porém, pensar contra os factos acaba por confundir o pensamento ou por revolucionar os próprios factos.
Prever o futuro e com base nessa previsão montar e efectuar jogos de poder, é um caminho com tal imensidão de riscos e imprevisibilidades que só os loucos embarcam e ensaiam percorrer: chega sempre o dia trágico em que os loucos postados no mundo dos "de fora do caminho" entopem a progressão dos caminhantes loucos.
E com gente que faz previsões que passados dias já têm de ser revistas e feitas novas previsões: isto é, com gente que nem prever sabe, então, palmilhar tal caminho plantado apenas sobre imprevisibilidades, é como dar a volta ao mundo sobre uma corda.

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