Saturday, September 25, 2010

MORRA A DECADÊNCIA

SEGUNDO VASCO PULIDO VALENTE

O profeta em ruínas Vasco Pulido Valente fala do "Estado Social" em completa decadência, assim como a saúde e educação. E perante tal pré-visão advoga, sem a nomear, uma medida tipo "solução final", porque o colapso acontecerá breve. É um marxista.
Ora Marx também propunha a solução revolucionária porque, tendo como ciência certa que o capitalismo estava condenado por força do determinismo histórico que descobrira, mais valia acabar de vez com o tal capitalismo decadente e avançar desde logo com o novo mundo de maravilhas que anunciava. Evitava assim a continuação do sofrimento da humanidade por mais uns tempos, não sabia quanto, e mais rapidamente o novo homem entraria no gozo do reino da felicidade nunca vista sobre a terra. Uma espécie de "Bomba de Hiroxima" para evitar a continuação da guerra e o consequente sofrimento e mortes futuras.
Sabe-se que, ainda hoje o capitalismo não só não sossobrou perante o marxismo como o venceu no terreno precisamente sobretudo pela força das liberdades individuais que conseguiu manter e do "Estado Social" que foi capaz de organizar e sustentar, até hoje, em benefício dos cidadãos mais desprotegidos e necessitados.
O profeta VPV tem tido no seu percurso histórico-astrológico muitas avarias na sua bola de cristal que o leva a tirar coelhos falsos da cartola. Nem outra coisa seria de esperar de quem tem diariamente de escrever profecias para ganha pão. Uma das gordas foi quando profetizou que a linha do Metro para o Parque Expo fecharia no dia seguinte ao encerramento da Expo'98, por falta de passageiros.
Sendo assim, porque porra de crença é que devemos acreditar no que diz VPV? E porque é que havemos de dar "solução final" àquilo que ainda está vivo e pode ser mantido, pode ser melhorado, pode ser modificado, pode vir a ter uma nova solução noutro quadro social por descobrir?
Por acaso está VPV, que como temos observado na TV, pelos escritos, nas notícias de saúde, pelo inexorável envelhecimento, está, ele próprio, em franca e adiantada decadência, disponível para que lhe seja aplicada uma terapia tipo "solução final"?

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Saturday, September 18, 2010

REGISTE-SE

"Naõ podia dizer que não, porque sou português".
Foi dito por José Mourinho, treinador português e considerado por muitos o melhor do planeta. Uma leal actitude do sentir pertencencer a um povo, ter um país; pertencer a uma identidade social que o ajudou a ser o que é; ser solidário com as origens e respeitá-las, fazendo-se respeitar. Para mim, a quem já pouco dizem as coisas do futebol, Mourinho ganhou uma respeitabilidade nova, a compreensão de um caracter de elevado bom senso comum, de uma mentalidade forte que faz entender melhor a fonte do seu sucesso.
A sua actitude é um violento soco na hipocrisia de nacionalizações oportunistas, como agora se tornam nítidas. E também naqueles craques superficiais que facilmente se deixam estrangeirar deslumbrados, recusando a selecção de Portugal, no pressuposto patego que jogar num grande "lá de fora", é a maior valorização pessoal possível, o mais alto valor aquém do qual tudo é desprestigiante, restringindo o fim de sua existência ao seu umbigo seco e não ao cordão umbilical que o fez cidadão.
O treinador Paciência, que como quase todos treinadores portugueses imitam e querem ser Mourinhos, pode ver melhor agora que não é quem rejeita dar o seu contributo que descredibiliza a equipa de Portugal, mas ao contrário, descredibiliza-se a sí próprio. Pensar como o Paciência é achar que um qualquer jogador craque do pontapé na bola, está acima dum conjunto de dez milhões de homens que pensam e agem em sociedade há quase mil anos.

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Sunday, September 12, 2010

A CONFISSÃO DE FIDEL


A espera da morte é o tempo oportuno para uma reflexão retrospectiva fecunda acerca da vida conduzida e feita segundo a interpretação de uma esperança ideológica assimilada à pressa, imposta à força, dirigida tiranicamente na tentativa de moldar o homem à ideologia e não a ideologia ao homem.
O revolucionário inflamado, o chefe inflexível em suas certezas livresco-científicas, o herói popular que, em nome da liberdade, se fez poder vitalício ditaturialmente, o libertador aclamado que transformou Cuba num país concentracionário, agora no fim da vida está com problemas de consciência.
Como bom religioso crente e alto dignitário de uma igreja confecional de índole sócio-ideológica centrada na sagração de um sistema histórico determinista inexorável, ao ver falhar e ruir todos os altares construidos sob a crença durante uma vida inteira, ainda assim não perdendo a fé, vai ao confessionário e torna-se num arrependido confesso.

O homem que brincou às ogivas nucleares, disposto a sacrificar o seu povo em holocausto de uma orgia ideológica.
O homem que perseguiu prendeu e torturou pessoas por homosexualidade em nome da selecção da pureza do homem novo parido pelo socialismo científico.
O homem que perseguiu, prendeu, torturou, e até liquidou todo e qualquer adversário político sem dó nem piedade em nome de uma verdade inquestionável por decreto.
O homem que através de polícia política, bufaria partidária, brutalidade militar, livre-arbítrio de justiça subserviente, proibição total de qualquer mínima liberdade individual, vigia, controlo e censura total do pensamento escrito e falado, criou um país em regime de tipo concentracionário sob o terror do medo.
O homem que tentou exportar o seu modelo visionário pela ideologia e pela força militar aos continentes americano e africano sem a mínima consulta aos povos directamente interessados.

Esse mesmo homem vem agora confessar cândidamente que afinal o seu modelo não serve para exportar porque nem sequer serviu internamente para Cuba.

As últimas notícias vindas da Ilha já davam o sinal indicativo de qual era o actual entendimento da chefia totalitária: de falhanço total a ordem para criar juntas de bois em substituição de tratores que não havia nem havia recursos financeiros para comprar; de tentativa desesperada para recuperar um mínimo de economia social a ordem de privatização de barbearias e quiosques de gelados e depois outros pequenos negócios com abolição de empregos fictícios e respectivos despedimentos.
Após estas medidas capitalistas de emergência era notório o sufoco do falhanço total da economia planificada. Contudo, o que ninguém esperava era que o grande teórico e cioso defensor do socialismo cubano, fosse ele próprio a denunciar o seu falhanço e derrocada inevitável tal como já sucedera com o socialismo soviético, seu progenitor e mentor.

Fidel, é agora uma figura trágica à imagem de Rei-Édipo: de início salvador da cidade, desconhecendo as suas limitações, nem sequer as limitações dos homens, acaba por conduzir a cidade à catástrofe e futura queda. À confissão tardia, a Historia não lhe dará a remissão da culpa.

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Saturday, September 11, 2010

ATENÇÃO

Atenção treinador Paciência.
Quando os jogadores rejeitam a Selecção de Portugal não estão a descredibilizar a Selecão. Estão antes a descredibilizar-se a eles próprios.

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Thursday, September 09, 2010

FINALMENTE? NÃO, FOI SÓ O CONTRATO.

Junta de Freguesia de Santa Bárbara de Nexe, Setenbro, 07.09.2010, às 18,00 horas.
E não é que foi mesmo verdade a assinatura pública da adjudicação das obras de águas e esgotos para os lugares desde Falfosa até aos Gorjões, na Freguesia de Santa Bárbara de Nexe, ao longo da EM 520 como eixo central de distribuição!
Perante o Presidentes Macário Correia e Leonardo Abreu e o público interessado presente foi oficialmente assinado o contracto de adjudicação entre a Fagar e o empreiteiro das obras. Os ténicos explicaram as linhas gerais do projecto e responderam a questões levantadas, tendo sido confirmado pelo presidente da Fagar que o financiamento do projecto estava garantido sem receio de qualquer desvio indevido.
O presidente Leonardo Abreu congratulou-se e disse sentir-se muito contente, sentidamente contente, por finalmente a obra poder avançar e vir a ser uma realidade. Contudo, surpreendeu a assistência ao acusar "uns indígenas de andar a dizer que ele estava contra a água nos Gorjões, contra esta obra, o que é uma pura mentira". Se o Presidente da Junta de Freguesia se referia ao que aqui foi escrito e discutido, através dos comentários com o seu Secretário de Junta, salientamos que nunca aqui foi dito nem nunca tivemos esse sentimento de que estaria contra a obra, isso seria um absurdo contra-senso em qualquer nexense.
A questão é outra, a Junta de Santa Bárbara de Nexe, desde início até ao fim do mandato do Engº Apolinário votou sempre contra o esquema de financiamento proposto para esta obra, fundamentada no argumento de princípio partidário de ser contra a Fagar e os seus inerentes malefícios privatizados. E com isso protelou anos a possibilidade de dar início à realização das obras. Cremos mesmo que, cada votação desfavorável ao arranque da obra, por obediência partidária, foi uma sentida violação de consciência.
Qual o resultado prático? Passados anos o mesmo Presidente da mesma Junta, em público, vir congratular-se e estar muito contente e satisfeito com a assinatura do contrato, precisamente com a mesma Fagar. Afinal, nesta data, em que nos congratulamos todos por este forte indício de que é desta que as obras se vão concretizar, podíamos estar a festejar a finalização das ditas obras.
O Presidente esteve exaltado quando falou dos "indígenas", contudo, melhor é reflectir calmamente sobre o passado e tentar aprender com os factos.

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Friday, September 03, 2010

FINALMENTE?

Lemos hoje no jornal regional "O Algarve" que no próximo dia 7 pelas 18,00H na Junta Freguesia de Santa Bárbara de Nexe, ia ser lançada a obra de águas e esgotos para os Gorjões.
Pela imprecisa redacção da notícia ficámos sem saber se se trata mesmo do lançamento dos trabalhos ou ainda de formalização de adjudicação, assinatura de contratos ou outras burocracias ligadas. Porque lançar a obra no salão da Junta só tomado como acto simbólico.
De qualquer modo é um bom sinal pois, pela 1ª vez é atingida uma fase tão avançada sobre esta malfadada obra tantas vezes anunciada e jamais lançada.
Podem os gorjonenses desabafar: finalmente?
Sendo o povoado mais afastado do Concelho é também o que está no fim da linha do pensamento e preocupações de Faro capital regional. Consequentemente, tal como tem sucedido com estradas, caminhos, electricidade, iluminação pública, também a água e saneamento básico vai chegar aqui décadas depois dos povoados vizinhos dos concelhos limítrofes. Em tudo que diga respeito à chegada aqui de instalações civilizacionais, primeiro temos de sofrer o isolamento de ilhéus: fomos décadas uma ilha às escuras circundados por redes eléctricas e iluminação pública.
Temos razões para ser como Tomé: ver para crer. Mas também a experiência nos ensina que a passagem à condição de "ilha" única aumenta a possibilidade do milagre da iluminação acontecer. Neste caso trata-se de uma "ilha seca" pelo que vamos ter fé que aconteça o milagre da água.

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Thursday, September 02, 2010

O ELOGIO DE QUARTEIRA II


No princípio era o caos depois foi o big-bang
milhões de anos de fogo sem vida ou sangue
uma natureza bárbara horrível sob fogo
em bolas incandescentes à solta no espaço
livre sem limites sujeições ou regras de jogo
escolásticas morais éticas ou grosso calhamaço
académico de juizos estéticos sobretudo
porque o homem estava ainda a milhares
de milhares de anos de nascer e ter olhares
sobre um mundo criado cego surdo e mudo.


Reunidas as condições e massa crítica surgiu
tremulante célula ser mínimo mãe que pariu
o reino vivente incluído este macaco racional
comedor papa tudo primeiro a pensar a natureza
dos sentidos e de olhos abertos sentiu a beleza
à vista e vida feliz nela na sua idade inicial
até experimentar a necessidade e o perigo
para sentenciar de vez com o seu umbigo
que existir e viver era belo belo não fora o mal
ser obreiro do mundo. Preso deste original
pecado congénito foi de macaco a macacão
pela esperteza de nomear tudo dar atributos
dominar o pensamento para os mais astutos
submeterem o macaco-pobre seu irmão.


Atribuiram conceitos de bem-mal feio-bonito
bom gosto-mau gosto popular-erudito
belo-horror magnífico-estúpido estrumeira
-jardim enfim criaram estéticas na pista
de sua escola imaginação ou ponto de vista
cultural tido superior vanguarda sobranceira
abrilhantada por companheiros de carreira.


Assim ao homem feio nu esteticistas zelotas
taparam com parras peles e panos os pelotas.
Às figuras inscritas na rocha pelos paleolíticos
ditaram; infantilidades uns ignorância os críticos.
À imortal beleza inscrita em pedra nos frisos
Parténon o sapiens fez paiol sob palmas e risos.
Ao simples surgir do inédito "boca-de-xarroco"
carro invulgar povo e eruditos "fizeram-pouco".
Outrotanto com o "ora-bolas" do espanto ao oh!
para mais tarde decretarem espantos de pópó.
A merda qualquer que seja é sempre merda
salvo se for merda de Duchamp que é soberba.


Coberto de tese filosófica simbolismo fetiche patine
estético-metafísica até o porno volve sublime
arte para mestres dos mistérios do ser e não ser
do digno e não digno do belo e não belo da gnose
e do vulgar da mente superior em culta overdose
e da gente piolhosa que se atreve mudar e erguer
em aldeias piscatórias da fome outro lugar e viver
outro espaço outra forma outra originalidade
outra fome menor outro ser social outro tecido
económico outro salto em frente ganho obtido
sobre elites poderosas que alheias à necessidade
gostam desejam querem fazer ninho e pôr ovos
em ambiente reservado fora do pagode dos povos.


Eram os chalés elites na praia criadas na praça
serrenhos e montanheitos em toldos de lencóis
com farnéis de garrafão e fogareiro braços dois
a dois tirando barcos do mar pescadores à caça
de restos com moscas pelas tascas escuras sujas
decoradas com pilhas de remos redes enfusas
d'apanhar polvo copos de vinho e peixe agulha
seco sobre mesas de oleado oleadas a peixe frito
alimento parco dos homens corajosos e esp'rito
forte ditos "homens do mar" mar mãe e pulha.


Homens da pesca à intempérie do sol e chuva
foram homens do mar ou homens de viúva?
Quantos destemidos devido à fome e penúria
tiveram de enfrentar o mar revolto em fúria?
Perdidos nas covas das ondas na faina do arrasto
sobre barquitos a remos e sem porto de abrigo
farol ou rádio apenas sujeitos ao mar inimigo
sepultura mole de quantos ficaram no cadastro
de exactos "homens do mar" os do peixe pasto.


Um mundo estático igual como sempre tenha sido
é sonho de aristocrata em busca do tempo perdido.
Manter aldeias no atraso turístico "very typical"
fotográfico é o sonho catita da snobeira intelectual.
A memória guarda o vivido o futuro é um gatuno
que nos rouba o passado bonito é uma maldade
do tempo que apaga o vivido e dá vida à saudade
lamúria retrospectiva de quem foi feliz com Juno
em céu limpo e agora só vê nuvens e mau tempo
sobre o que outrora fora "giro" e hoje é lamento.


A arte popular sempre assim foi: começa maldita
resta maldita gerações até virar cartão de visita
para mais tarde um novo histórico arremesso
a transfigure novamente no sentido do progresso.
E nova escola estética irá levantar-se contra
tal nova "popularunxada" e de dedo em riste
aponte saudoso entre o que foi e já não existe
mais e o contraste entre ser pilha ou ser montra.
A tal snob gente que quando mui lhes convém
aval do povo soberano se fingem submissos
beatos deixemo-los com os seus gostos postiços
tanto que lhes faz o povo mal cheiroso cheirar bem.
E a toda manhosa raposa quadrúpede personagem
que te qualifica de lugar horrendo que não presta
pedimos que cá não venha estragar ao povo a festa.

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