Thursday, August 27, 2009

MARAFAÇÕES LXXIV


PROPAGANDA E VERDADE
Diz MFL que tudo que o governo faz não existe: o governo não afirma, anuncía; anuncía mas são promessas; as promessas nunca passam de promessas, logo são tão somente propaganda. Resumindo: segundo MFL o governo tudo e só o que faz é propaganda. Provavelmente nem o governo existe, será uma ficção nascida na fonte da propaganda.
Ao contrário, ela denuncia, incansável e repetidamente, a tal propaganda do governo e diz e repete, incansável, repetida e propagandisticamente, que só fala e diz a "verdade": ela tem uma "verdade" para os portugueses. O governo propagandeia as suas várias promessas como verdades, mas ela só propagandeia uma: a sua "verdade".
Mas alguém acredita seriamente que a complexidade da relidade económica, social, política, cultural, geoestratégica, do mundo global actual, possa ser vista e tomada à partida como certa, exacta e eficaz apenas sob a visão de um único ponto de vista da "verdade"? Tomar a minha "verdade" como único rumo possível directo à felicidade é ter uma utopia na cabeça, e todos sabemos como acabaram todas as tentativas práticas de utopia.
O grave e perigoso mesmo está em que MFL parece que fala da sua "verdade" para os portugueses aparentemente convencida de ser detentora de tal receita milagrosa. E milagres e verdade juntas não jogam, são racionalidades incompatíveis.

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Monday, August 24, 2009

CRIMINALIDADE

ONTEM E HOJE
Paulo Portas, democrata cristão, sempre incansável na sua cruzada contra os malfeitores e bandidos, e outros crentes, espantam-se com a actual criminalidade no mundo exigindo uma prevenção pelo medo de retaliação oficial juridico-policial.

Querem fazer crer que a criminalidade é uma coisa derivada expressamente da desordem social e brandura política para com os marginais e fora da lei. Clamam por dureza e acusam os governos de complacentes e até de cumplíces com a marginalidade.

Contudo, sendo crentes e bons cristãos, não se percebe o seu espanto actual atendendo aos factos bíblicos primevos. Nesse tempo, ainda mal o mundo tinha sido criado, e apenas um homem e uma mulher habitavam o mundo, e para mais habitavam-no junto e às ordens directas de Deus, e logo um e outro desobedeceram e prevaricaram face à proibição divina.

Pior ainda, logo de seguida, quando apenas viviam no mundo quatro pessoas, já na Terra e obrigadas ao trabalho duro para grangear o sustento do dia a dia, por castigo da desobediência anterior, um irmão matou o outro irmão, para mais sem uma causa racional. Isto é: apenas existindo no mundo apenas quatro pessoas, sendo todas familiares consanguineas por via directa e sob estrito escrutínio de Deus, deu-se uma grave desobediência à ordem divina e um crime grave de assassinato deliberado e premeditado.

Neste tempo actual, estando o mundo superlotado de milhões de milhões de pessoas, com todos os deuses existentes e respectivas leis morais enfraquecidos, queriam que não houvesse criminalidade? Querer vencê-la pela violência pode fazer retornar as Euménides benevolentes ao estado primitivo de Erínias vingativas. Qual o perigo maior?

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Tuesday, August 18, 2009

FUTEBOLISMO À PORTUGUESA


A ESTRATÉGIA DOS TRUQUES
Começou o futebol à portuguesa: o futebolismo.
No domingo, fui tomar a bica ao café da terra, estava dando o jogo Manchester Unity vs Birmingham. Enquanto tomava o café fui dando conta que o jogo "corria" sem interrupções: anotei mais de 1/4 de hora sem o árbitro apitar. Mais, reparei que uma falta era sempre uma consequência do jogo, nunca de intenção deliberada do jogador ou de estratégia de balneário. E mais verifiquei, que após a falta os jogadores adversários cumprimentavam-se daquela forma como se fossem da mesma equipa, assim género: desculpa lá pá, não pude evitar.

À noite na mesma situação, vi um pouco do Benfica: o jogo não "corria" mais de tres/quatro minutos sem que o árbitro tivesse de interromper para marcar uma falta. A maior parte delas ou "cirúrgicas" (como os locutores gostam de desculpar faltas), ou provocadas, ou fingidas, ou dissimuladas, ou ensaiadas, ou de propósito para amedrontar ou aleijar ou "arrumar" ou sacar um cartão para o adversário. E em cima e ainda mais indigno, é que quase invariavelmente, o jogador agredido ou supostamente agredido atira-se para a relva a rebolar-se com tais ritos de dor que parece vai morrer alí de repente. Muitas vezes são os dois intervenientes na falta, a ver quem finge mais, para enganar o árbitro. Este por sua vez, muitas vezes é enganado, outras vezes deixa-se enganar pois não tem outra saída face há necessidade de actuar e ter de castigar um dos jogadores, dado ter apitado e parado o jogo.

Face ao que observei com curiosidade, anotei na memória que: Em Portugal joga-se futebol mais com os truques do que com a bola de jogo.

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Sunday, August 16, 2009

UMA HISTÓRIA GORJONENSE VI


CASA DE DEUS E CASA DO DIABO
Contou-me a Elvirita, nora do Tio Zé Luz do Mato que lhe contara a sogra, que certa vez, em tempos antigos quando se andava mais de pata descalça que calçada e quando os pobres só tinham uns sapatos ou umas botas de coiro grosso para o trabalho do campo, conservadas à custa de unto de cebo, a Francisca Morgadinho, moça na altura, pediu emprestados uns sapatos mais condignos para ir à missa. A Tia Conceição, pequena proprietária mais abastada e mais amiga de luxo grave mas recatado, como boa cristã praticante amiga de ajudar, esmerou-se para que a vizinha não ficasse mal vista, perante a olheira assistência, durante o ofício eucarístico na capela de Santa Catarina. Tratou de emprestar-lhe os mais novos e reluzentes sapatos pretos de verniz que tinha comprado recentemente numa loja fina da Vila de Loulé em Sábado de Mercado.
Encantada com os sapatos reluzentes de brilho espelhado, que até lhe ficavam a preceito e disfarçavam lindamente os pés ossudos calejados, lá foi a Morgadinho cheia de cuidado, pelo caminho de cabras, de passo incerto e aos lores para evitar riscar os sapatos com topadas nas pedras que enxameavam o caminho. Não pôs nunca um pé no chão sem previamente certificar-se de que não tropeçava em pedra, talisca ou lasca. Ela queria devolver os sapatos tal qual a Tia Conceição lhos entregara: era sua intenção de honra.

Mas uma intenção boa pode ficar ferida de morte se uma tentação ataca. Naquele dia havia bailarico no armazém do Tio Sebastião com baile de roda e dança abraçada ao som de concertina. A Morgadinho, dedicada a tudo que gostava, galhofeira e divertida com os homens, era crente e sincera na sua fé com a imóvel Santa Catarina mas era igualmente sincera com os impulsos do coração e devota do bulício festivo e à alegria do calor do contacto humano.

Não resistiu, nem podia quando tinha oportunidade única de meter inveja a elas e despertar os olhares deles. Iria, decidiu, apostando consigo própria que seria tão grande o cuidado no bailarico como fôra no caminho para a missa. O seu compromisso, fundamento de honestidade indiscutível, era devolver os sapatos tal qual os recebera. Assim decidido, assim cumprido: dançou e catrapulou sem perder de vista o seu compromisso consigo própria. Alguns lhe puseram a mão em cima e na cintura mas ninguém conseguiu por-lhe a bota cardada ou o sapato grosso em cima dos sapatos que foram chamariz de olhares invejosos. Cerca da meia-noite, quando os homens aguardentados desfizeram o bailarico e deram em bater-se no jogo do teso, voltou para casa satisfeita do dever cumprido. Logo de manhâ do dia seguinte iria devolver e agradecer à Tia Conceição.

Cheia de felicidade, afinal tudo correra de acordo com o plano de sua boa intenção e vontade forte, lá foi montada sobre toscos sapatos e levando na mão os sapatos emprestados, que tinham sido sua alegria um dia inteiro, limpos e engraxados como novos, metidos na caixa tal como o logista os vendera. Entrou pelo portão aberto do quintal murado e já a Tia Conceição a esperava no meio do pátio-almenxar de carantonha cerrada. Para desanuvear o ar carregado, fez-se jovial e disse sorrindo:
- Olhe, veja, a caixa impecável e os sapatos estão lá dentro tal como a caixa por fora: como novos trazidos agora da sapataria. Ficam-me a matar, ando lindamente com eles, não tropeçei numa pedrinha de fisga sequer, nem um risquinho têem. Muito agradecida Tia Conceição, ajudou-me a passar um dia muito querido para mim, na missa todos olharam invejados dos bonitos sapatos que levava -.
- Ó minha desenvergonhada -, respondeu a Tia Conceição pegando na caixa dos sapatos, - julgas que não sei tudo? Que não sei já que depois de ires à missa, à casa de Deus, depois foste para o depravado bailarico, à casa do Diabo, com os mesmos sapatos? E agora queres que eu volte a calçar tais sapatos para me apegarem o Diabo ao corpo? Nem quero vê-los mais, nem tocar-lhe com as mãos por fora e ainda menos com os pés lá dentro apertados ao maldito. De certeza que se me enfiava nos pés e subia pelas pernas acima até tomar-me o corpo todo. Domingo, quando fosse à missa pisava o chão sagrado da casa de Deus com esses sapatos encharcados de Demónio e tocava nas coisas de Deus com as mãos sujas de pecado, e depois? Queres que vá para o Inferno, não é minha cara sem vergonha? Queres, mas não te faço a vontade -. E atirou a caixa com os sapatos por sobre o muro afora, para o lado do mato, apontando o portão de saída e gritando: - Rua, rua -.

Foi para casa a Francisca Morgandinho, logo muito triste e envergonhada e assim o resto do dia. Andou uns dias a matutar com a cabeça no assunto, juntou em concílio a memória dos acontecimentos e nada detectou de comportamento indigno. Rápidamente começou a convencer-se que não cometera qualquer mal e muito menos qualquer crime. Não achava jeito nem nada direito aquela história da casa do Diabo e de este "apanhar-se" por contágio com os homens numa festa divertida e às claras. Pensou para sí que, se dar o ombro ou a cintura para um homem abraçar era negócio com o Diabo, então a outra que dormia na cama com o homem dela na escuridão, já tinha sido apanhada pelo Diabo há muitos anos. E depois, achava ela, que se uma festa alegre e gostosa assim era patrocínio do Demónio, este gostava do que ela também gostava sem maldade, e então não seria assim tão mau como o pintavam.

Chegado o tempo de estar plena e conscientemente convencida da sua inocência, achou que imprudente mesmo era desperdiçar daquele modo um belo par de sapatos que a ela lhe fazia tanto jeito. Um dia, com a Tia Conceição e o pessoal fora de casa, era tempo do varejo e apanha dos frutos secos, ela foi, sorrateiramente, apanhar os sapatos do mato para sí. Levou-os uma, duas, três vezes á missa e bailaricos e nunca teve sensações diabólicas no corpo, antes pelo contrário.

A Morgadinho, mulher sobretudo crente em sí e na tradição de viver lealmente sem más intenções e maldades, de prática virada para as felicidades terrenas, usou os sapatos enquanto duraram e sempre que precisou deles. Aqueles sapatos ajudaram-na a saber levar a vida com os pés melhor assentes na Terra: foram, para ela, um acrescento de sabedoria.
A Conceição, mulher crente piedosa e grave, embora ao corrente do que se passava, jamais falaria de tal assunto com medo de cometer pecado ou provocar ofensa ao Céu, ou a ira do Inferno. Aqueles sapatos foram um permanente tormento religioso escondido: foram, para ela, um martírio e reforço da sua crença.

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Friday, August 14, 2009

COMANDANTE VERDADE


A ríspida cara de ferro comandante General Vera Verdade Voltaemeia (de alcunha "Riscar Rasgar Revirar") e o seu ajudante de campo, Branco Aguiala.

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Wednesday, August 12, 2009

UM DIA NO HOSPITAL DE FARO III


AS IMPRESSÕES
Para concluir a minha experiência ao vivo, passada no interior do Hospital de Faro como "acompanhante" de um paciente, durante 20 horas, entre as 8,30 H do dia 2 e as 16,30 H do dia 3 deste mês, vou agora descrever as impressões mais fortes que tal experiência me deu observar. Tendo passado todos os momentos junto do paciente, pude observar de perto e ouvir conversas e diálogos pelos corredores e salas de tratamentos, as quais entendidas à luz dos acontecimentos vividos, dos protestos e reclamações brandas ou exaltadas, me permitiu fazer os seguintes juizos a partir dessas impressões então registadas.

i) Na espera para o tratamento da ferida nas "pequenas cirurgias", um senhor também "acompanhante" encostado ao corredor junto da maca do seu doente, de repente exaltou-se e fixei o seguinte: ... como querem que esteja calmo, como? Digam-me. Depois de 5 horas de espera e vejo outros entrarem e sairem e eu aqui, não sei de nada e ninguem me diz nada. E pedem-me calma e que fale baixo? Por acaso esta maca com o doente e eu próprio somos invisíveis? O que eu acho é que quando o doente tiver alta o "acompanhante" está capaz para ser internado.
Certeiro. Também eu, por fim, senti igualmente uma fraqueza humana inultrapassável, uma angústia impotente, uma revolta já sem voz, apenas dor. É-se "acompanhante" de alguém muito amigo ou familiar querido, não por obrigação ou dever de ofício, logo o mal do paciente tanbém é o nosso mal: acrescentar mais mal ao mal, a certo ponto, torna-se insuportável. Aquela imagem dada pelo tal "acompanhante", tem muito de pertinente: quando, por fim e ao fim de uma situação tipo Kafkiana, o doente vai ter "alta" o respectivo "acompanhante" está em condições mentais de dar "baixa" e ser internado. Ou então ser levado à Esquadra da Polícia próxima por ilegal estado de loucura.

ii) Quando esperava à porta do "Balcão Verde-Azul", perguntei a uma enfermeira se me podia dizer quando previa que a doente fosse atendida, se o serviço estava muito demorado porque a ferida da paciente continuava a sangrar. Respondeu que se se tratava de uma ferida devia esperar à porta da "pequena cirurgia" e apontou o local. Respondi que tinham mandado esperar à porta daquele "Balcão Verde-Azul". A enfermeira respondeu: - então não sei nem posso dizer mais nada -. Pouco tempo depois, uma "acompanhante" fez uma pergunta semelhante a uma outra enfermeira que desabafou: - nós somos as enfermeiras, somos as executantes, os doutores diagnostificam e receitam, nós apenas executamos. Sabemos bem o trabalho que temos a fazer e executamos, sobre outras coisas tem de perguntar aos doutores-. E falava em voz alta de modo que os doutores, na sala em frente de portas abertas, ouvissem directamente de viva voz.
A segunda impressão a retirar deste diálogo da enfermeira com a "Acompanhante" mas dirigido aos doutores é: que não existe cooperação solidária de esforços para bem servir o doente entre os diversos agentes que servem a eficácia do acto médico. Dá-se a entender que tudo é feito por obrigação e disciplina, por procedimentos burocratizados onde não cabe a boa-vontade e espírito de serviço ao doente.

iii) As situações vividas no caso da radiografia onde a doente entrou na sala e foi posta no corredor e sobretudo o caso do tac onde a doente esteve na máquina pronta para fazer o exame e foi recusado fazê-lo e de novo posta no corredor, ficando neste caso como em situação de doente "perdida" por apagão informático do hospital. Tudo porque o sistema de informática interno não comunicava entre serviços e, como a ficha da doente não aparecia no computador do serviço de tac, foi-lhe interdito fazer o tac e colocada em abandono à porta do respectico serviço tac.
Terceira impressão a retirar deste modo de proceder dos serviços: a existência de uma burocratização e guetização dos serviços exagerada. Os serviços não comunicam "humanamente" mas apenas mecanicamente, não comunicam "medicamente" mas apenas "responsabilitavelmente". Cada serviço é apenas responsável, e sobretudo vigilante, pelo "bom serviço" do seu departamento: os serviços são compartimentados e fechados sobre sí próprios sem inter-ajuda e "fala humana" entre eles. Assim o hospital torna-se ainda mais desumanizado sobre a pessoa já fragilizada pela doença.

iiii) É inadmissível que face a uma falha dos sistemas informáticos entre serviços, não esteja estabelecida uma alternativa, um plano b para manter os serviços em funcionamento. Pois em caso de um "apagão" informático o hospital, em poucas horas, fica inoperacional, infuncionável, em estado comatoso e explosivo devido à acumulação de doentes e acompanhantes pelos corredores em estado de espera indefinida.
Porque carga de água, em casos de falha de "entrada" de um doente no computador de um serviço este, não pode pedir uma confirmação escrita (uma nota de serviço interna) ao médico que requereu o serviço, responsabilizando-se este pelo pedido? O doente que aparece à pota do serviço para fazer um tac certamente não aparece ali por acaso: o chefe do serviço de tac sabe-o perfeitamente mas não dá passo para desbloquear a situação. Inadmissível.

iiiii) Quando soubemos, depois de 3 horas de espera, que o médico do "Balcão Verde- Azul" afinal tinha receitado fazer o tac à doente, reclamámos que não nos tinham falado em tal nem o médico da "pequena cirurgia" falara dessa necessidade depois da rádiografia. Este foi falar com o colega do Balcão mas não o convenceu a desistir do tac.
Ficámos com a impressão de que o médico do Balcão, mais por receio futuro de qualquer nefasta ocorrência, jogou pelo seguro e quiz-se munir de todas as cautelas: e assim insistiu e ordenou o tac. Nota-se, subjacente a esta cautela exagerada, o receio interiorizado de uma possivel futura acusação de "negligência médica". Ainda mais quando o médico é jovem e, consequentemente sem muita experiência, e provávelmente contratado, visto não ser português, tudo se conjuga para que se jogue pelo seguro.

iiiiii) Racionalmente ficamos com a sensação de que dada a compartimentação de cada serviço individualizando-os, com os seus agentes de tratamento afectos apenas a cada serviço, cria muita duplicação de pessoal auxiliar ou menos especializada. Observámos, durante as longas esperas nos corredores, que o pessoal interno de "batas verdes", batas azuis" e "batas cinzentas", desloca-se constantemente de um lado para o outro, quase invariávelmente assomando-se ou entrando pelos serviços adentro, perguntando algo ou trocando conversa com o pessoal adstrito. Há uma constante invasão dos serviços por pessoal de outros serviços o que, normalmente, faz interromper momentaneamente em muitos momentos, o trabalho e a atenção do técnico sobre o doente.

iiiiiii) Reconhecemos, para além das impressões atrás referidas, que podem ser falsos alarmes com base em uma situação ocasional, que ir hoje a um hospital nada tem a ver com uma ida antes ou mesmo muito depois de Abril. Os cuidados e a atenção médica prestada ao doente, são hoje em dia, incomparavelmente diferentes para melhor. Nesse tempo e neste caso concreto, o doente ia ao enfermeiro para fazer o "curativo" da ferida e era mandado "curado" para casa.
Também a existência da figura do "acompanhante" é uma medida de muita validade. Assim o doente nunca está nem se sente só, desprotegido, abandonado além de permitir-lhe estar informado do andamento do seu processo clínico. E como ficou demonstrado neste caso, evita que o doente possa ficar esquecido ou perdido no hospital, por qualquer falha burocrática. Pode ficar horas exageradas à espera nos corredores, mas aí o vigilante "acompanhante" terá sempre a possibilidade de interpor uma revolta declarada em voz alta. Isso é um ganho importante de cidadania.

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Sunday, August 09, 2009

O MONIZ DA TV II


FOGE
Toda a recente movimentação do Moniz com tentativas encenadas de saídas pressionadas por poderes inimigos exteriores, não passam de golpaças de fumarada para encobrir as verdadeiras motivações e desejos pessoais. Moniz na tvi já não tinha grande espaço de progressão de audiências: já esgotara todas as formas de programação subjacentemente de cariz pornográfico e pedófilo para gáudio da estultícia nacional. Era o caso, por um lado, dos reality-shows de enredo e encenação dissimulada de bordel fino e o caso, por outro lado, das telenovelas feitas com "turmas" de infantis que, apenas com idade para brincar no recreio, namoram à grande e "turmas" de meninos e meninas adolescentes que em vez de estudar passeiam-se pelos corredores e estacionam nos cantos em insinuosas poses de lascividade ao nível do show de streaptease, numa linha estudada e coerente de encenação e representação até ao pormenor, de forma apelativa aos instintos primitivos sexuais dos espectadores irracionalizados pela injecção de doses maciças diárias, com o premeditado objectivo de criar dependências viciosas que fácilmente os podem conduzir à pedófilia. Ir mais além da baixeza televisiva que já atingira, obrigava-o a ultrapassar a moral do senso comum que é o seu público, o que era perigoso para o auditório, e sobretudo seria obrigado a pisar grosseiramente a legalidade o que, mesmo que viesse mais uma vez fazer "voz grossa" para o écram, podia não ser suficiente face a um juiz duro. Portanto, logo.

Outra dor do Moniz era a tvi24. O "gajo expert" que é, aplicou à informação a mesma táctica que sempre aplicou, com resultado favorável, em todas suas passagens por tvs de pimbalhice generalista: fazer informação cinematográfica à base de efeitos especiais, fazer espectáculo maior que a notícia, fazer da televisão em si e seus funcionários jornalistas e actores a fonte de notícias, em suma dar notícias espalhafatosamente e fazer do espalhafato notícia própria. No fundo, a fabricação do estado moto-contínuo que sempre resultou nas tvs generalistas e que se resume na célebre defesa do lixo televisivo com a tese: -nós damos aquilo que o público gosta e pede -. Parta-se uma perna a uma pessoa e pergunte-se o que ela quer: dirá, primeiro que tudo, que quer uma muleta. Assim é o valor da tese de defesa dos rangéis e monizes das nossas tvs. Falhado o modelo, era obrigado a mudar o plano: um sintoma de fraqueza e coisa dolorosa para tamanha arrogância. Logo, portanto.

De facto o Moniz enganou-se ao julgar que o público consumidor leitor de notícias era o mesmo que consome telenovelas. Ou então, o grande gozador que é dos portugueses pensou, tal como o seu ilustre mestre Rangel, que numa terra de ignorantes vende-se o que a tv quizer vender: um Presidente ou notícias como a um sabonete. Felizmente parece que não é bem assim e por causa: o melhor é arrecadar o que ainda é possível. E fugir.

Saturday, August 08, 2009

UM DIA NO HOSPITAL DE FARO II


AS PERIPÉCIAS
Como já expliquei, entrámos, doente e eu, o "acompanhante", no Hospital de Faro às 20,30H do dia 2 e saímos às 16,30 do dia 3 deste mês: 20 horas passados no interior do hospital para realizar 4 operações médicas normais que gastaram um total de 1,3o horas. O resto do tempo foi gasto em esperas intermináveis e outras, as maiores, inteiramente absurdas.

Depois do curativo à ferida, com pontos na cabeça, na "pequena cirurgia", surgiram sintomas de que algo não estava funcionando bem. Após 1/2 hora de espera chegou a maca à porta da sala de radiografia quase contígua à anterior. Passado 1/4 de hora, a maca com o doente, deu entrada na radiografia e passados 2 minutos os mesmos foram postos de novo à porta, motivo: a ficha do doente não constava no computador do seviço de radiografia. O empregado auxiliar que andara com a maca, de boa vontade para resolver o enigma da "branca" do ficheiro, andou de um lado para outro e até levou à entrada a braçadeira amarela identificadora do processo. A boa vontade do maqueiro desbloqueou a boa vontade do pessoal da radiografia e finalmente à meia noite o cirurgião podia verificar que radiograficamente estava tudo bem.
Perguntei se o doente ia ter alta e o cirugião respondeu que não: o doente ia ser enviado para o "Balcão Verde-Azul" para ser observado afim de tentar determinar-se a causa do desmaio e consequente queda e ferida.

Três horas à porta do "Balcão Verde-Azul", com um corropio de médicos, enfermeiros, auxliares do serviço a passar junto de nós e, nada. Interpelámos a enferneira do serviço que, atenciosa, nos atendeu e prometeu ver o que se passava. Passáva-se que o médico, sem observar a doente e sequer informar disso, decidira mandar fazer um tac à cabeça da doente. A emfermeira informou que o tac só poderia ser feito por volta das 10,00h. Acerca dessa hora telefona-me o doente que já tinha feito o tac e podia ir buscá-lo. Ó surpresa fantástica: fantástica de fantasmas. A doente estivera na máquina do tac mas no último momento não fora accionada para realizar a operação: outra vez a identificação do doente não constava no computador deste serviço. Situação kafkiana: a doente foi colocada no corredor à pora do tac numa situação de total abandono. O sistema de comunicação informática não comunicava logo, o médico que receitara o tac, como não recebia informação do doente apagou-o da memória, ou melhor desaparecera o seu rastro no meio da burocracia informática e por conseguinte prefigurava-se uma situação de "perdido".

E assim estava e bem podia ter ficado a situação, até esticar-se e rebentar o sistema nervoso e gerar-se uma humana revolta de palavras azedas, caso não surgisse do interior do hospital a Sandra, amiga quase familiar, que se propôs resolver o caso dado tratar-se de assunto obrigatório do seu serviço de apoio aos utentes. Mesmo assim, contando com toda a diligência e boa vontade da Sandra, só foi possível realizar de facto o tac cerca das 15,00h e sair do hospital pelas 16,30 horas.

Descritas todas as peripécias, para-kafkianas, passadas no hospital de Faro durante 20,00 horas, na próxima direi das impressões tiradas e retidas a partir das situações atentamente observadas.

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Friday, August 07, 2009

O MONIZ DA TV

ATACA

O Moniz disse, com um grande sorriso na boca, que saía triste da sua tvi. O que o homem não tem feito ultimamente para aumentar a cotação: nem o futebolista Ronaldo no jogo de putas faz render melhor do que o puta Moniz faz no jogo das tvs. Mete seis milhões ao bolso numa assentada, mais um ordenado e mordomias que darão para estoirar com a empresa já de sí com uma dívida à banca de 800 milhões. O astuto cara de jójó Cadilhe ao ir para o BPN viu o golpe de transformar uma indemnização de 9 milhões de euros pagos a 35000 euros mensais numa indemnização de 9 milhões no bolso já, imediatos. O Moniz que não é menos esperto e sabe muito mais fez outro tanto e diz: 6 milhões já cá cantam, o resto vamos ver.

O aprendiz do Rangel, o Moniz, sempre quiz ser maior que o mestre: se um fez uma tv responsável pela maior promoção e educação pimba deste país, o aprendiz é responsável pela maior deseducação e contra-educação face ao esforço dos professores da nossa Escola Pública. Conseguiu instituir o "bordel" e respectiva actividade bordelística ao vivo disfarçada sob uma capa travestida de "ao estilo da linha" chamado de reality-show. E, quero crer, o grande sonho que alimenta e não abdica para seu gozo e risota à grande e à conta dos pategos portugueses, é mesmo transformar Portugal inteiro num "grande bordel", moderno em alta definição e caixa digital.

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Wednesday, August 05, 2009

UM DIA NO HOSPITAL DE FARO


VISTO POR "ACOMPANHANTE"
Um dia de vida passado no Hospital de Faro no papel de "acompanhante" de um doente é uma experiência prática de viver no interior dum cosmos verdadeiramente não criado por Deus. Aquele mundo só podia ser inventado por Kafka. Não obstante, diga-se desde já, ser uma coisa boa o facto de agora existir essa figura do "acompanhante" que segue e vigia o familiar ou amigo doente a par e passo por todas as "salas", "blocos", "balcões" e sobretudo pelos inúmeros longos "corredores" a perder de vista onde os doentes passam 90% do tempo de estadia no interior do hospital. Caso contrário seria ainda mais doloroso ser apenas "esperante", às cegas e sem informação do que se passa com o doente familiar. Ver, observando, aquele microcosmos fervilhante de médicos, enfermeiras, auxiliares, doentes, acompanhantes e todo o arrastar contínuo de macas e aparelhagem técnica de um lado para outro por entre conversas médicas, cavaqueiras nos corredores, ordens hierárquicas, revoltas e discussões de aconpanhantes, gritos e falas altas de drogados ou bebados recém-chegados, falas grossas e descabeladas de presos de pulsos amarrados vigiados por guardas prisionais, e tudo isto misturado com sonoros ais, pedidos, gemidos e gritos de dor dos doentes, faz-nos pensar num mundo inconvencional, subterrâneo, sem Deus.
A minha experiência contada sumáriamente foi assim. Chegada via ambulância, entrada e registo administrativo do doente cerca das 20,30 horas do dia 02.08.2009 e saída às 16,30 do dia 03.08.2009, portanto um total de 20 horas passados dentro do hospital ininterruptamente para realizar 4 operações médicas: i) tirar sangue para análises, 15 minutos. ii) pequena cirurgia de tratamento e suturação de uma ferida na cabeça com 3 pontos, 30 minutos. iii) fazer uma radiografia à cabeça, local da ferida, 15 minutos. iiii) fazer um tac à cabeça, 30 minutos. Conclusão, foram precisas gastar 20 horas para se poder realizar 1,5 horas de trabalho efectivamente médico: menos de 8% de aproveitamento útil.
E como foram gastas o resto das horas? De tal forma que tornam as horas intermináveis e o tempo insuportável, quer para o paciente que, sustentando o mal no corpo se resigna, quer sobretudo para o "acompanhante" que desespera pelos corredores junto da maca onde o doente é instalado, depositado e transportado. Fácil é deduzir, da explicação do tempo útil gasto em actos médicos, que o restante tempo é necessáriamente gasto em "esperas" para identificação, "aguardares" para ser atendido à porta das salas de serviços, "abandonos" nos corredores por falhas burocráticas de comunicação internas.
A maior de todas foi, depois de sair cerca das 12,00 horas da radiografia, depois de um abandono durante três horas à porta do Balcão Verde-Azul, e depois de interpelada a enfermeira de serviço, diga-se, atenciosa e que deu imediato seguimento ao questionado, soubemos que à doente tinha sido medicado fazer um tac à cabeça, o que só poderia ser efectuado pelas 10,00 horas dessa manhã. O certo é que o tac das 10.00 horas falhou e só se pôde efectuar às 14,00 horas: uma "espera" de 14,00 horas. E com inadmissíveis procedimentos pelo meio, mas isso vamos contar na próxima.

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Sunday, August 02, 2009

JOANINHA, CARA LAROCA


GARRAFINHA DE VENENO

A joaninha cara laroca garrafinha de veneno, caída en desgraça no Bloco, como fina menina de bem, esquerdista radical, pensa pouco e mal, à maneira do Bernardino cara de jójó e proletário da papelada burocrática da nomenclatura: tal como este e muitos esquerdistas e direitistas demagogos que comunmente alimentam a idéia que os 200 euros para cada naciturno servem apenas o negócio da banca. A joaninha, ontem no "CM", até começa as contas mas depois não as conclui, certamente porque matemática são igualdades exactas e isso de números e exactidão não deve ser com ela: com ela são mais os jogos políticos duplos, truques e habilidades de linguagem livresca ou aprendida no turismo do Brasil como no caso da crónica referida no "CM".
Diz ela que os 200 euros correspondem a 150 milhões ao ano e que ao fim de 18 anos o número nem cabe na crónica: bem, eu faço-lhe a conta, ao fim dos 18 anos são 2.700 milhões de euros. Claro, calculado para a natalidade média uniforme que ela considera. Agora a pergunta que se põe é a seguinte: onde supõe a joaninha e os bernardinos deste mundo que se pode guardar tanto dinheiro? No colchão? Debaixo do ladrilho? Num cofre caseiro? Num pé de meia? E sobretudo, pedir que nos digam, caso não fossem atribuidos aos recém-nascidos para guardar na banca, onde seriam gastos e ou guardados pelo Estado?
Era bom que a joaninha e os bernardinos dos partidos nos informassem onde guarda o Bloco e o PC as chorudas quantias que recebem do Estado. Não obstante estes partidos se reclamarem dos mais pobres e miseráveis além dos desempregados, que certamente serão a maioria dos seus aderentes e simpatizantes, não consta que repartam com eles as gordas contas pagas pelo Estado correspondentes aos ganhos eleitorais: logo o devem guardar em alguma parte. Se não o pôem no banco pôem onde e quem o guarda e contabiliza?

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