Sunday, July 26, 2009

INTERMITÊNCIAS II


BANHOS E CALÇADÃO

À luz do luar telemóveis e corrente

luminosa uma nortada de gente

cheia de sí sobe e desce o Calçadão

soltando as palavras virís do Bulhão

disparos certeiros de boca de peça

fálica remate-golo de toda conversa

miúda e graúda normal ou maníaco

cultural do uso e abuso do Príapo

instrumento pai da humanidade

feito deus desde o tempo sem idade

dado à história pela bela arte grega

esculpindo alto e firme uma verga

maior que o deus-corpo portador

emblemático desse fogo-macho criador

incessante de vida sine qua non

hoje fala característica do "bulhon"

povão que veraneia à caralhada

tanta como areia e pedras da calçada

tem o Calçadão e se os ritos elêusino

e dionisíaco celebravam vida e destino

viril do homem arcaico e sábio grego

porquê o celebrante d'hoje seria labrego?

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Tuesday, July 21, 2009

INTERMITÊNCIA I


A BANHOS


Ao sol na hora da torreira

sobre a areia da Quarteira

turistas alfabetizados do país

profundo falam como juiz

conselheiro

do mundo inteiro

sobre políticas e futebois

como quem sorve caracóis

intermediados a imperiais

enquanto castos fios dentais

enfiados em rotundos rabos

vigiam os pequenos diabos

à solta ou em grupo as fiéis

esposas sorvem os papéis

côr-de-rosa com as intrigas

das lilis e dos lelés às brigas

com amores e silicones

mas notável são as posisiones

dos pares deitados uma aliança

perfeita ela de rabo ele de pança

alevantadas cujo mistério

é saber quem neste par gémeo

de panças e rabos rotundos

contém o melhor dos mundos.

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Sunday, July 12, 2009

REGIME DE PAUSA INTERMITENTE

Nestes meses de verão, estando intermitentemente fora do local de postar, este blog entrou em regime de pausa. Se possível também intermitentemente.

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Thursday, July 09, 2009

TALENTOS PARASITÁRIOS


OU ANÕES EMPOLEIRADOS
Abundam por todo o lado mas em Portugal são uma praga, aqueles que na falta de obra própria para glorificar, fundam a sua reputação sobre a crítica que fazem acerca da obra produzida pelos outros. Inutilidades produtivas de qualquer arte ou conhecimento, normalmente encavalitados em mestrados ou doutoramentos feitos a martelo, circulando por salas de aula de universidades comerciais, utilizam o truque de investir à marrada contra a obra feita de algum consagrado. O seu propósito é chamar a atenção para a sua existência arremetendo contra uma celebridade ou clebridades conceituadas. Espertos, estão razoavelmente apetrechados de retórica sofística e, se juntam a isso algum jeito e treino para a escrita, com recurso ao exibicionismo literário de citações e pensamentos filosóficos descontextualizados, como argumentos de autoridade, conseguem disfarçar que mantêm um debate sério fundamentado o que não passa de mera opinião ou crença. Podem até, explorando alguma fraca subjectividade sobreviver a uma prova de discussão com algum adversário de obra feita e considerado e, desse modo, de um dia para o outro ficarem famosos entre pares e discípulos. Estes encarregar-se-ão depois de espalhar a superioridade moral, tranformando-a em citações que servem para novas citações, e assim sucessiva e laboriosamente até à desvalorização ou desqualificação intelectual do adversário por uma questão menor sem importância no contexto global da obra criada.

Se assim é na crítica literária, teatro, música, cinema, muito mais fácil é aplicar tal táctica na crítica política dada a premência diária de tomar decisões inadiáveis sob pena de se tornarem inúteis e que, por conseguinte, mudadas as circunstâncias se podem revelar a curto prazo, menos adequadas. Um Tavares, outro Gonçalves, opinadores semanais no "DN", são exemplos protótipo de talentos parasitários, para não falar dos tradicionais Graça Moura, o insultador parasita mor, e de Baptista Bastos, o fingidor. Mas há muitos mais que praticam o método espalhados por blogues, revistas, tv, etc. Uma crítica confronta o crítico com a expectativa de conhecer melhor a obra de outrem que o próprio e, sobretudo, deixa subentendido a capacidade, de fazer melhor que o próprio autor: de ouro modo como poderia criticá-lo? Mas dado que raramente é assim o crítico, de propósito, pelo uso de uma crítica feroz e acutilante, tenta criar uma distância paternalista condescendente calculada entre o imbecil do autor e a sua própria superioridade, e tanto mais abusa do método quanto menos percebe do assunto em questão.

Ao talento parasitário não interessa sequer fazer obra que sirva de comparação e o possa tornar identificável com a mediocridade: ele está acima de sujar as mãos na massa do decidir, conceber, construir, fazer, euguer, inscrever. Ele, o crítico político, igualmente face à sua real ignorância sobre a matéria, também não discute a fundamentação, nem a concepção, nem o momento temporal da feitura, nem a bondade presente ou futura da obra, ele apenas se pronuncia após os resultados e depois foca-se na crítica psicológica e dramatização do carácter do autor de obra feita, que quer abater a qualquer custo e proveito pessoal, para valorizar o curriculo próprio e ostentar como triunfo na vitrine do seu espólio. Tal como os "professores astrólogos" que, tiram o retrato psicológico do alvo a explorar e aplicam "as medidas curandeiras" de acordo com os dividendos expectáveis, assim os talentos parasitários actuam, aplicam e dirigem as suas críticas.

A crítica do talento parasitário é sempre a mesma ao longo de todos os textos que escreve e resume-se a, descrever preconceituosamente, uma redutora resenha histórica de actos e acontecimentos políticos recentes, convenientes à atribuição e colagem à pele do autor/actor a desclassificar, de uma série de "caracteres" maníaco-depreciativos, repetidos à exaustão até ao irracional reconhecimento pavloviano. O talento parasitário quanto mais atrofiado é, mais se esforça por condundir o leitor em vez de o informar. Por isso convém saber que muitos críticos não passam de anões empoleirados sobre os ombros de gigantes.

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Tuesday, July 07, 2009

Nº 9, FORA NADA

. Um homem jogador de futebol foi comprado pelo maior valor de sempre: 94.000.000 de euros.

. Um homem jogador de futebol comprado ganha 9.000.000 euros/ano, 750.000 euros/mês, 25.000 euros/dia, 3.125 euros/hora.

. Um homem jogador de futebol comprado por 94.000.000 de euros, foi exibido num estádio de futebol perante 80.000 pessoas que:

. Não foram ver o homem jogador de futebol jogar futebol.

. Esperaram horas para ver o homem jogador de futebol comprado pelo maior valor de sempre, mostrar-se numa passadeira e dizer umas palavras banais durante uns minutos.

. Cada camisola com o nome e nº 9 do homem jogador de futebol comprado pelo maior valor de sempre, custa cerca de 100 euros/cada.

. O homem jogador de futebol comprado pelo maior valor de sempre é vendido a retalho a camisolas com o nome e nº 9, bilhetes de ingresso nos estádios e outros gadjets até dar lucro.

. O homem jogador de futebol comprado por atacado e vendido a retalho, diz, realizou o seu sonho.

E milhões de pessoas nas bancadas, sem palco, também compradas ao mês e ao desbarato e vendidas à hora, rotineiramente, vão comprar no retalho e pagar o homem jogador comprado pelo maior valor de sempre. Sem sonhos próprios adoptam e comungam do sonho do homem jogador comprado pelo maior valor de sempre com a camisola nº 9, fora nada.

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Monday, July 06, 2009

MAIORES QUE PORTUGAL

AS PRIMA-DONAS
Primeiro foi Saramago, recentemente Maria João Pires, e agora é a vez de Miguel Sousa Tavares descobrirem a reduzida dimensão do comezinho Portugal no qual já não cabe a sua rotunda dimensão moral e incomensurável grandeza intelectual. A estes dois últimos já nem a Espanha chega; para não se sentirem abafados mental e criativamente, precisam dum espaço vital de tamanho continental onde possa sobreviver e exteriorizar-se um valor, consciência e pensamento maior que o seu país.

MST desvenda quais os males de que o país padece; está agastado com gente em quem depositava esperança, e tal gente, a primeira coisa que faz é deixar a política para ir ganhar dinheiro, o que leva a supor que ele não, que ele não fez nem faz tal coisa, ele só faz política "de fora" para a "bucha" do dia a dia.

É uma pena que tanta gente possuidora de infalíveis inventários dos males e dos remédios de Portugal, em vez de os proclamarem, publicitarem e, dentro ou fora dos partidos os proporem aos portugueses e baterem-se por eles, mostrar que são mais capazes, o que lhes acontece é o desencanto, o desânimo, a perda de esperança e por fim, alçar a caganita e fugir .

Malharam no Guterres porque fugiu para a ONU, malharam no Barroso porque fugiu para a UE, malham no Santana porque, corrido de todo lugar por incompetência, foge e corre corre, sempre perseguindo, ininterruptamente, alcançar quaquer cadeirão dourado. Sem pré-anúncio, os políticos fogem como ratos dos navios ante-catástrofe, as primas-donas com o aviso de que já não cabem no país e vão embora daqui, deste imerecido e mal agradecido cantinho, pré-anunciam com o seu abandono e ausência, a chegada iminente da catástrofre.

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Friday, July 03, 2009

O GOVERNO DEVASSO SEGUNDO PP


SOBRE PROSTITUIÇÃO
Vi e ouvi hoje, na blogosfera, a catilinária de Dom pacheco pereira aos "tempos de hoje" no seu novo púlpito proporcionado pela sic para promover e engrandecer a educação do povo: não confundir com propaganda, isso faz o governo, ele só educa. E, quanta graça vê-lo no seu estudado ar e estilo de Mestre-Escola fingido-se homem do povo despreocupado e desinteressado em conversa de família, a ler o "ponto" na sua frente e lembrar os epítetos com que mimoseou o PM quando este apareceu a ler o ponto nos comícios: mas também aqui o comício em pp é feito de "a verdade", no outro é propaganda.
Mas o melhor de pp é quando fala da prostituição como "uma realidade dos nossos tempos", como mais uma, esta sim, puta insinuação de que a governação promove a prostituição: uma baixa torpeza.

Na recente feira do livro adquiri por 2.5 Euros o livro " Os Bons Velhos Tempos da Prostituição em Portugal", "antologia de histórias e documentos colhidos na História da Prostituição em Portugal de 1877". Aqui, bem pode pp que é de linhagem nobre, constatar como a " mais velha profissão do mundo" se expande desde os Fenícios, Gregos, Romanos, Lusitânia e como os bons velhos tempos de costumes carnais passam pelo Rei Fundador e não pára em nenhuma dinastia ou em tempo algum qualquer entre a realeza e o povo que os imita.

Uma amostra do relato deste livro:
"Nestes dois editais (5 de maio de 1838 e outro de 22 do mesmo mês) estão marcadas as ruas dos diferentes distritos que elas (as putas) não podem habitar. Temos a notar que muitas das ruas que foram isentas de ser habitadas por estas mulheres não as julgo merecedoras de tão alta dignidade, como são as do Telhal, dos Remédios, de Santa Bárbara e, especialmente no bairro Alto, as ruas dos Calafates, da Atalaia, da Barroca, a Travessa da Espera, etc., se as compararmos com as ruas do Crucifixo, dos Sapateiros, dos Correeiros e dos Douradores, na Cidade Nova, nas quais elas podem habitar livremente. E também não sabemos porque fatalidade estas últimas ruas não foram isentas, quando o foram as travessas que as cortam perpendicularmente ou que as cruzam, como a de Santa Justa, da Assunção, da Victória, de São Nicolau, etc. Mas, enfim, assim o ordenou a autoridade competente, e estava no seu direito".

Pela amostra do número de ruas nomeadas para permissão de habitar e outras aptas para tal, pode pp tirar conclusões, mas há muito mais e melhor nas muitas páginas deste ilustrativo livro sobre o tema.
Naquele tempo habitavam em ruas escolhidas e designadas para o seu trabalho, hoje, no tempo mediático, habitam nas páginas dos jornais, revistas, tv, internet, etc. Pelo duvidoso puritanismo revelado tudo indicia que, caso pp seja ministro, mande publicar editais proibindo tais anúncios e, com isso, erradicará a prostituição do país, limpando-o, asseptizando-o e logo será um grande e bom governo, não devasso como hoje. Cuidado, também Salazar, nas vésperas da Guerra Colonial proibiu a prostituição, depois os seus homens de mão fizeram apelo e promoveram a deslocação das prostitutas para Angola para "levantar o moral às tropas".

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Thursday, July 02, 2009

A MORTE DO HERÓI MODERNO


MICHAEL JACKSON

A pergunta do mundo é: que mal matou Michael Jackson? E a pergunta que se devia fazer é: que males levaram à morte MicKael Jackson?

Desde os gregos que se sabe que a perseguição da imortalidade tem um preço: todos os que buscam sair para além do circunscrito à inescapável condição humana, são portadores de um qualquer "calcanhar de Aquiles" que os fazem tombar de repente, precisamente, no momento que julgam prestes a atingir o Sol. Ícaro é o modelo mitológico desse herói que, entrado no caminho da ascenção, impregnam-se da sensação da leveza do divino, pressentem-o e farejam-o o que os faz perder a racionalidade e, desde então não há mais retorno possível. À procura incessante da imortalidade batem com a cabeça na irracionalidade: o muro da loucura. E, paradoxo da trágico-comédia humana, essa via de vida individual que leva à loucura que leva à morte materializa, com a passagem à leveza imaterial, o momento de partida para a imortalidade: porque esta não está em nós, está na nossa história.


MJ é a história típica do herói dos tempos modernos. No tempo arcaico, os heróis sobreviviam pela aptidão física, destreza e bravura até à queda prematura sem apelo, hoje os nossos heróis sobrevivem pela química e pela técnica: estas dispôem de um arsenal de drogas e maquinaria que permitem viver e sobreviver ao sabor dos desejos, pretensões e objectivos de cada carreira individual. Envereda-se pela carreira de artista e desde cedo, para elevar tal modo de vida ao topo, recorre-se às drogas para "criar" e aguentar o palco; se se pretende mudar de côr ou fisionomia envereda-se por experimentais e delicadas operações plásticas; estas, para efeitos de manutenção em estado apresentável, por sua vez exigem mais e mais sofisticadas drogas; a manutenção do estilo e aparência de vida em público exige doses cada vez mais fortes e sofisticadas. Por fim, a dependência de drogas legais e ilegais é total para estar vivo: para dormir e para acordar, para estar no palco e em casa, para apanhar sol ou chuva, para dançar e para estar sentado, para pensar ou estar amnésico, isto é, precisa de uma droga qualquer preparatória para realizar um determinado acto qualquer.


Para MJ tudo que tomava já era, simultâneamente, medicamento e droga. Ele não morreu de tomar esta ou aquela droga ou medicamento, morreu sim, de tudo que foi tomando para manter vivo um desafio permanente com a sua natureza e condição humana: e nunca ninguém ainda ganhou tal contenda. Está na cara que foi assim e todos sabem que assim foi, mas o que interessa é enrrolar o assunto num nebuloso mistério que faça crescer e engordar o mito. E a bolsa de muita e muito carpideira gente deste mundo.

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