Thursday, July 31, 2008

APONTAMENTOS DE FÉRIAS


ALCOBAÇA ILUSIONADA

A mais portuguesa contestação deste período de férias, até agora, foi assumida pelo presidente e povo do município de Alcobaça e, claro, foi igualmente filha de uma mui portuguesa ideia ilusionada tirada do elevado e exigente pensamento cultural do presidente da edilidade local. Este presidente pagou euros 180.000 euros (36 mil contos) para um português ilusionista famoso fazer desaparecer o Mosteiro da Batalha(ou Alcobaça?) frente ao público da sua terra. Como o homem de fecundas magias não fez desaparecer o Mosteiro o povo protestou, e logo o presidente o seguiu nos enérgicos protestos, e igualmente contestou o contrato que tinha feito com o famoso mágico.
Os jornais falaram de troca de argumentos género: do presidente; -estava previsto desaparecer-, do mágico; -não senhor não estava, nunca poderia prometer tal coisa-, etc. Depois e, de repente, as notícias sobre o caso, estas sim desapareceram de circulação mediática. O presidente deve ter-se apercebido rápidamente que o ilusionismo próprio de campanha eleitoral de matriz política que é para ser executado e mostrado -logo que seja eleito, quando fôr presidente, no futuro próximo-, não é compatível com contratos comerciais com mágicos que querem fazer o seu ilusionismo profissional em data marcada, exibir o espectáculo num espaço e à vista, receber o seu, e ir magicar para outro presidente modernaço de igual e tão imaginativa portuguesa visão.
Para o ano, o presidente ou é ou não é, ou tem ou não tem, e deve contratar uma empresa de implosões de velhos edifícios que respeite a sua vontade. O povo vai agradecer, vai respeitar o presidente e elegê-lo enquanto houver de pé um monumento histórico no Concelho.


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Monday, July 28, 2008

O MEU LUGAR XXI


DE BELOS GORJEIOS NASCEU GORJÕES

Do alto dos cerros por veredas
desceram de grutas-algueirões
os pais primitivos e dos matos
fizeram searas, e das pedras
maroiços e valados, embriões
de casas moradas, os exactos
lugares de viril amor e medas
de filhos de filhos, de gerações
de gerações inscritoras dos actos
fundadores gravados em moedas
de terra pedra árvores e multidões
de pássaros gorjeadores inatos
que, como de bicho nascem sedas,
de belos gorjeios nasceu Gorjões.

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Tuesday, July 08, 2008

FÉRIAS DE BLOG

Vou estar uns dias de férias de blog e um pouco, muito pouco só o necessário para secar, de papo para o ar na praia, porque no que diz respeito a leituras vão aumentar na proporção do não-blog. Até breve.

O PIRILAMPO













Pirilampo, segundo a enciclopédia da Verbo, é o nome por que é conhecido em Portugal um pequeno coleóptero da família dos lampirídios. De hábitos nocturnos, possui orgãos luminescentes no abdómen, prsentes apenas nos machos.
Pirilampo, para a enciplopédia Larousse, é apenas: coleóptero cuja fêmea não possui asas e é luminosa.
Para o Fontinha, Pirilampo é: (Gr. pyr=fogo + lampô=eu luzo), insecto coleóptero pentâmero, que dá luz fosforescente e vulgarmente conhecido por vagalume ou lumeeira.

Já há muitos anos, desde criança quando andava e brincava à noite pelos caminhos dos matos, que não via brilhar na noite escura a luzinha pontual intensa e brilhante emitida pelo designado Pirilampo mas que nós aqui chamamos de luz-em-cu. Uma noite destas, no quintal, um deles veio visitar-me e fiquei impressionado a pensar, dado a crise do petróleo, que tipo de combustível usará este bicho eléctrico na sua central produtora de energia eléctrica luminosa. E sem flutuações, sem altos e baixos luminosos, sem oscilações de intensidade de luz, sem apagões, sem avarias de linha, uma central eléctrica impecável e infalível, uma maravilha.

Se tivesse juizo e falasse que diria o Pirilampo face à actual crise petrolífera e a tonteria em que os homens andam dada a dependência do estilo de vida que criaram e desenvolveram para seu auto-propalado progresso e bem-estar. Afinal um pequeno e despretensioso luz-em-cu tem luz própria para se iluminar a si e ser notado, enquanto o homem, quanto mais procura a sua luz mais se enfia nas trevas. E os que se atribuem a sí como possuidores de luz própria brilhante, deviam fazer como o Pirilampo; iluminar-se a sí próprios, fazerem-se luminosos sem exibicionismo, deixar que os outros observem e certifiquem a sua luminosidade, para que não nos enganem com imitações, falsificações ou luz reflectida. E luminárias falsas é o que mais há e prolifera em todos os lados e actividades e, tal como os pirilampos segundo enciclopédias acima, tanto nas fêmeas como nos machos.

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Monday, July 07, 2008

GORJEIOS XVIII


Vai fugido vai à procura
d'encher pele e ossatura
à vista no corpo seco.
Faz contas à sua sucata
de vida no país que o trata
como farrapo de boneco
lançado na valeta,
pergunta que deus ignoto
faz que uns raspem o goto
e outros mamem na teta.
Lembra-se da última ceia
mais lágrimas que comida,
tem saudades da remexida
mulher só e triste? na aldeia.


2ª estrofe do poema "Emigração"
do livro "Gorjeios".

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Friday, July 04, 2008

DA TRETA


"TRETA" E "CONVERSA DA TRETA"

Nestes dias em Lisboa, nas habituais horas que passo frente às estantes das livrarias, descobri este pequeno ensaio sobre "a treta" de um Professor de filosofia jubilado da Universidade de Princeton. Diz o Professor que "a treta" é parte intrínseca do discurso da "conversa da treta" mas a essência de cada tem algo de próprio. A essência da "treta" está na falta de uma preocupação com a verdade, na indiferença pela forma como as coisas realmente são. As "conversas da treta", caracterizam-se por as afirmações das pessoas estarem desligadas daquilo em que realmente acreditam, é uma conversa que apesar de poder ser intensa e com significado, a discussão não é, de um certo modo, para ser levada a sério, nesta conversa os participantes não entendem o que cada um diz como sendo o que realmente acredita ou sente, logo a finalidade da conversa não é transmitir convicções. Contudo os dois conceitos se assemelham porque em ambos existe uma dissociação de uma preocupação com a verdade.
O autor compara "a treta" (bullshit) ao "gastar saliva" dado que este gasto é característico de um discurso esvaziado de todo o conteúdo informativo tal como o excremento é uma matéria da qual todos os nutrientes foram removidos. Também o tetreiro não é própriamente um mentiroso, dado que a treta não necessita de ser falsa, difere da mentira no seu projecto de distorção. Para poder mentir é pressuposto que o mentiroso conhece a verdade, é-lhe indispensável conceber o que diz como falso. Para o tetreiro nada disso interessa; não está nem do lado do verdadeiro nem do lado do falso, não quer saber se o que diz descreve a realidade de forma correcta, apenas as usa , ou as inventa, para satisfazer o seu propósito. O tetreiro não rejeita a autoridade da verdade como o mentiroso, opondo-se a ela, ignora-a pura e simplesmente, e é por isso que "a treta", como inimiga da verdade é muito mais poderosa do que a mentira.
Remata o autor que a "treta" é inevitável sempre que as circunstâncias permitam que alguém fale sem saber do que está a falar. Assim a produção de "treta" é estimulada sempre que as obrigações ou as oportunidades de alguém falar sobre um determinado assunto excedem o seu conhecimento dos factos relevantes para esse assunto. Esta discrepância é comum na "vida pública", na qual as pessoas são frequentemente impelidas - quer pelas suas próprias inclinações, quer pelas exigências alheias - a falar extensamente sobre matérias das quais são, em variados graus, ignorantes.

De certeza o Professor Harry G. Frankfurt não acompanha, nem de perto nem de longe o ambiente opinativo e comentarista português, a coincidência está, certamente, em que a globalização também tornou a "bullshit" um fenómeno universal dos media.

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Tuesday, July 01, 2008

GORJEIOS XVII


Se fez emigração à falta
de pão e o povo salta
fronteira
na mão de desonestos
"pssadores" papa-restos
de tostões de algibeira.
Investido de sua lástima
sem carta ou passaporte
vai a salto vai à sorte
pede à senhora de Fátima
forças prá caminhada
por entre serras e vales
escondido dos seus males
sonha com o fim da jornada.


Do livro "Gorjeios"
1ª estrofe do poema "Emigração"

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