Friday, August 29, 2008

GORJEIOS NEXENSES


A CIDADE E O CAMPO

Das reuniões camarárias que a CM FARO decidiu fazer rotativamente pelas Juntas de Freguesia do Concelho, coube ontem ser anfitriã a nossa Junta de Santa Bárbara de Nexe. A reunião contemplava um período de intervenção para os munícipes agendada para a abertura dos trabalhos após as protocolares boas vindas e agradecimentos, o que foi aproveitado por um pequeno número de moradores locais. E mais reduzido se tornou dado que alguns, sendo vizinhos colocaram o mesmo problema do mesmo caminho que serve as suas casas, uma forma inteligente de ampliar a preocupação social do problema.
Duas intervenções, uma de política geral acerca da cidade e outra acentuando a tónica na política de apoio social da edilidade aos mais pobres, deram a entender facilmente, pela extensão de assuntos falados e sobretudo pela forma e estilo da exposição, atirando para todos os lados e contradizendo-se, que são pessoas habituais neste tipo de reuniões. Isso ficou claramente identificado quando o Presidente nas respostas aos munícipes afirmou que as respostas a estes ficavam para outra ocasião dado que tais questões já haviam sido postas e certamente ainda iriam ser postas muitas mais vezes. São pessoas que, ou por boa vontade de ajudar ou por que se julgam políticos de olho vivo espoliados pelos partidos de um lugar político de relevo para que se julgam altamente capacitados, vão para as reuniões públicas de luta política partidária demonstrar a torto e a direito, orgulhosamente, os seus méritos atentos de provedores da causa pública e extremes defensores dos coitadinhos desprotegidos. São a versão portuguesa na política, dos habitués que enchem os treinos das equipas de futebol e nas/das bancadas ditam a táctica ao treinador.
Os munícipes locais levantaram o problema da má estrada municipal 520 e péssimo piso dela em todo o percurso entre o Patacão e os Gorjões e, inevitavelmente a questão das águas e esgotos em falta em metade da Freguesia com incidência nos Gorjões e à volta, o local inscrito como "fim do mundo" no bloco de notas de todas as passantes edilidades. A resposta para esta última questão vai ser posta, novamente, à prova da luta político-partidária em próxima reunião camarária onde a presidência porá à aprovação ou recusa o seu modelo de financiamento já uma vez proposto e vencido. Ficam, deste modo, os cidadãos moradores rurais afastados mental e quilometricamente da cidade, sujeitos aos humores da conjuntura politico-partidária do momento. Esperemos que seja um momento-luz.
Quanto à espécie de azinhaga em que se transformou a actual estrada municipal 520, foi dito pelo Presidente que está o projecto feito e vai ser posto a concurso a renovação/reconstrução do troço até Mata Lobos. Era mais que previsível, era inevitável face ao anúncio governamental da construção do novo Hospital Distrital no Parque das Cidades. Já aquando do Europeu 2004, com a construção do Estádio do Algarve, se alisou a buracaria e alindou com marcações o troço até à Falfosa dado que a 520 funcionava como estrada de reserva e de serviço à porta trazeira do novo estádio. Face ao tremendo falhanço que foi e continua sendo aquele formoso, largo, caro e custoso espaço apenas para uso futebolístico, até se tornaram excessivos os acessos à porta principal quanto mais os acessos das trazeiras, pelo que a pobre e mal-amada 520 foi novamente abandonada.
Tratando-se agora de uma infra-estrutura governamental da saúde com sucesso assegurado de corropio de utentes, familiares e empregados, tudo faz prever que desta vez, pelo menos até à Falfosa, a estrada será tida em consieração, creio eu. Como até à sede da freguesia são apenas 3000 passos e esta será procurada por muita gente do novo hospital, certamente os nexenses do centro serão também contemplados. Nós os gorjonenses vamos rezar para que se dê um importante achado arqueológico na cova do Estanco, assim, deste modo, a nossa importância coincidiria com a maneira como nos vêem a partir da cidade.
A questão da nossa principal estrada é a prova evidente de que, embora se encham bocas da palavra cidadania, esta não tem conteúdo no coração dos poderes políticos. Como se vê não são as famílias dos cidadãos existentes há séculos nesta terra que obrigam à contrução duma nova ou renovada estrada como merecem. Pelo contrário, são os futuros deslocados para esta zona por via do novo hospital, os tomados em consideração como factor decisivo para que uma boa estrada seja possível. Uma questão moral levanta esta posição dos detentores dos poderes, a saber, a sua mentalidade de embasbacamento subserviente face às perspectivas de brilhantes grandezas futuras em contraponto com o menosprezo indigno que dedicam aos seculares rurais que humilde e abdicadamente suportam todas as inconveniências impostas pela cidade e corajosamente evitam a total desertificação do interior.

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Saturday, August 23, 2008

APONTAMENTOS

1. MAIS VALIA ESTAR CALADO
Após tanto tempo sem tugir nem mugir o PSD, surge de repente a pedir a demissão do ministro das guardas e polícias porque não consegue parar a recém-emergente onda de crimes violentos. Quererá o PSD trocar o actual ministro por um "rambo" capaz de eliminar os criminosos numa penada?
E afinal o actual crime violento pode ser violento nos meios utilizados, no efeito cinematográfico televisivo, no aparato de brutalidade, contudo nos danos pessoais nem por isso. Nas últimas actuações de assaltos a polícia ganha 2 a 0 em mortes. Brutalidade contra carrinhas e caixas multibamco metem medo, fazem mossa nos cofres dos bancos mas não na carne das pessoas. Pelo menos por enquanto tem sido mais assim do que o espavento dos jornais e tvs tablóides querem vender para vender.

2. JOGOS OLÍMPICOS À "PÚBLICO"

Na abertura dos JO de Pequim o jornal "público" de 09.08.08, fazia manchete assim: "E ao primeiro dia a China seduziu o mundo" sobre foto ocupando a 1ª página. No interior o pachecal editorial incluia pérolas como " coreografias de tirar o fôlego" do gigante que "vestiu-se a preceito e quis cegar o mundo" no que "foram quatro horas em que o mundo pareceu quase perfeito" durante os quais "os conflitos aceitaram um parêntesis para assistir à fantasia magistral" no dia do "embevecimento geral" quando "montou um espectáculo que mais nenhum país estaria em condições de exibir".
O pachecal director adjunto ficou tão embevecido, cego e paralizado que não viu que faltava a palavra «democrático» entre as palavras país e estaria na acima última mencionada laudatória apologia chinesa.

Não é que no mesmo jornal "público" de 21.08.08, o director Fernandes vem dizer que "alguns dos elementos que sustentaram o mundo comunista, nunca o assumindo, reemergem sob uma forma ora brutal, ora dissimulada pelo glamour de um evento desportivo" referindo-se ao " espectáculo dos Jogos de Prquim , que incluiram uma coreografia política em que o Presidente Hu Jintao surgiu num lugar que lembrava o trono do imperador" no país onde "se continua a desrespeitar os mais elementares direitos humanos".

Afinal em que ficamos? Qual a linha editorial deste ultimamente tão inconstante jornal? A que afirma que a abertura foi uma "demonstração de poder, riqueza civilizacional e diplomacia" ou o que considera uma coreografia política imperial dissimulada sob o glamour de um evento desportivo?
O Belmiro e o belmirinho têem motivos de sobra para andar preocupados.

Wednesday, August 20, 2008

JOGOS OLÍMPICOS À PORTUGUESA


OS ATLETAS, OS BASBAQUES E OS TONTOS
A abrir os jogos tivemos logo direito à primeira manifestação do infantil portuguesismo primário da nossa delegação quando desfilou de cachecóis desfraldados ao melhor estilo das claques do futebolismo. Ficou logo aqui à vista o nível cultural da delegação, sobretudo de quem a chefiava, o que foi um prenúncio claro da falta de mentalidade olímpica que reinava e se transmitia de alto a baixo, como agora já se tornou evidente para todos.

Depois tivemos direito aos basbaques da comunicação caseira siderados pela encenação chinesa recheada de canto falso, fumaradas coloridas, fogo de artifício, milhares de chineses regimentalmente robotizados obrigados a não falhar um milímetro no seu trabalho de exercícios sobre movimentos corporais. Até o acender da chama feita por alguém conduzido por cabos e roldanas ou outro sistema mecânico sofisticado, foi motivo de embasbacamento da nossa imprensa. O jornal "público" nesta monstruosa máquina de propaganda à boa e velha maneira dos estados totalitários, apenas viu tão somente diplomacia.
Todo este basbaquismo é outra notória manifestação de infantil portuguesismo primário.

Agora temos direito à vingança dos basbaques tontos. Quem, embasbacado, eleva ao céu o feito alheio torna-se exigente para com os seus e não lhes perdoa falhas. Falhadas as expectativas aí estão os cus gordos de poltronas fofas da tv e outros cadeirões magnânimos, a bater duro e forte nos atletas e a todo o resto por arrasto.
Exemplo típico foi o vozeirão de três habituais futebolisteiros clubistas da sic. Estas espécies unicolor que semanalmente são capazes de fazer das derrotas victórias "inventando e vendo" erros do árbitro, do relvado, do público, do treinador, do calor, da chuva, das luzes, da cafeína, do controle e falta de controle, e muito mais, etc., agora face aos maus resultados e piores declarações de alguns atletas gritam, abaixo os "turistas olímpicos".
Até acusam os atletas de mal desbaratar o dinheiro do erário público que para todo bom portuguesinho que se preze é tão somente "o meu/nosso dinheirinho". Impressiona como tais mamistas notáveis dos dinheiros públicos, nas federações, nas câmaras, nas ligas, nas tvs, nas rádios e outros cargos menos visíveis, conseguem sem corar acusar os atletas de delapidar dinheiro do Estado.
Mas pior ainda é ver alguém que foi director da liga do nosso futebolismo, que conviveu com um sistema que, pelo que agora tem sido posto a nú, estava coberto de recomendações e encomendas para falsificar resultados, levantar o vozeirão de portuguesinho avarento e moralista anti-atleta olímpico 2008. Bater no peito e falar forte e feio sobre o pecado dos outros não é prova de inocência, antes pelo contrário.

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Sunday, August 17, 2008

APONTAMENTOS,TEMPO DE PRAIA



ÁGOAS E AS PEQUENAS "ALEGRIAS DE VIVER"

No princípio os EUA para atacar os russos armaram os Talibans, estes uma vez ganhadores armaram a Alqaeda, estes atacaram os EUA e deitaram duas torres abaixo, os EUA retaliaram e atacaram o Afeganistão primeiro, depois o Iraque: alguém sabe ou pode prever como esta cadeia de guerras vai acabar?

Dois meliantes planearam e decidiram iniciar um assalto armado a um banco, foram obrigados a fazer reféns dois empregados: podia alguém ou mesmo eles próprios prever como tal "façanha" poderia acabar?

Sabe-se que a Georgia iniciou um ataque contra a Ossétia do Sul à hora de inauguração dos Jogos Olímpicos, os russos ripostaram à "Ivan o Terrível": desencadeado todo este processo de alta estratégia global alguém conseguirá entrever como tal processo em marcha vai acabar?

Quando ainda era preciso fazer a rodagem dos carros novos sabemos que Cavaco Silva foi à Figueira da Foz : voltou de lá presidente do PSD, foi 1º ministro, hoje é o nosso Presidente e sabe alguém como vai acabar a sua carreira?.

Também sabemos da vida prática que iniciada uma obra mesmo com projecto é imprevisível determinar quando e sob que forma acaba: até terminar e ser dada como pronta sofre no seu decurso impensáveis alterações e trabalhos a mais, umas vezes propostas pelo empreiteiro para aumentar o ganho outras a pedido do dono da obra por gosto.

Se assim se passa em quase tudo na vida prática, tem toda razão o comandante Ágoas ao afirmar que também nunca se sabe como acaba uma massagem. Quer na intimidade dum gabinete devidamente apropriado quer na praia à vista dos mirones, claro.

Contudo Ágoas tira aos veraneantes essa pequena "alegria de viver" que a massagem e a imaginação proporciona.

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Thursday, August 14, 2008

O MEU LUGAR XXII


APÓS CRIAÇÃO DE TERRA PLANA E CAMPO ARÁVEL

Após criação de terra plana e campo
arável trocaram casa Mato-da-Mina
inicial refúgio de amor e canseira
por casa de pedra e cal no Estanco
com capela no alto a Santa Catarina
e lavra ao lado na plana Caramujeira
porta aberta do alteroso Corgo banco
de pedra até Fonte da Murta confina
ção de Poço Largo e Palmeiral fronteira
de Poço Arranhado e fundo barranco
Cerca do Lobo longa e aberta vagina
peluda de árvores e fecunda parideira
de águas e Raposeiras. A oeste flanco
norte nossa mãe Cerro Nexe divina
doce soberana vigia Goldra Sobreira
Crespos Pinheiros com o seu manto
verde abraça o Alto e guardeã se inclina
abençoando este Lugar terra herdeira
dos Homens ínclitos seu choro e canto.

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Wednesday, August 13, 2008

MARAFAÇÕES LXIII

OS CIGANOS OUTRA VEZ
Novamente os ciganos voltaram a ser notícia por maus factos. E vimos na televisão como um rapazito da família se desculpa dizendo mais ou menos (cito de memória mas o sentido é este): " por se andar a apanhar uns ferritos do chão a Guarda não pode atirar a matar sobre uma pessoa", depois vê-se o autor do roubo, que saia do tribunal, a dizer que: "andava a apanhar uns ferros velhos para comer". Entretanto, houve logo um advogado defensor (da sua oportunidade de auto-notariedade) frente à TV, a anunciar que ia estudar se avançava ou não com uma acção contra a Guarda.
Por fim vê-se o dito autor de apanhar ferro alheio para comer, tomar a sua carrinha Mercedes e abalar apressado para casa. Certamente ia fazer contas para calcular o montante de indminização a pedir ao Estado, somando o montante do produto de todos os roubos previstos nos próximos anos e que já não vai poder efectuar devido à ilegal oposição da Guarda.
"Os ciganos não podem querer ser cidadãos face aos direitos e malfeitores face aos deveres" disse Miguel Sousa Tavares e tem carradas de razão.

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Sunday, August 10, 2008

MARAFAÇÕES LXII


OS BASBAQUES
Pela leitura dos jornais de ontem, dia 9, após a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, constata-se que os nossos jornalistas limitaram-se a ser basbaques da grande encenação chinesa. A manchete do Público diz logo a abrir, " e ao primeiro dia a China seduziu o mundo" e depois na 2ª página nova parangona, "quatro horas em que o mundo pareceu quase perfeito" cujo texto continua nestes termos, " para viver, com uma cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos que os chineses transformaram numa demonstração de poder, riqueza civilizacional e diplomacia". E todo este comentário de Hugo Sousa sobre a abertura continua sempre neste embasbacado tom.
Para este basbaque, os chineses demonstraram, nesta abertura olímpica, tão somente poder, uma rica civilização e diplomacia. Num jornal onde tudo o que o nosso governo, legitimado por eleições livres e escrutinado por partidos e imprensa livres, anuncía ou faz é considerado propaganda, este embasbacado posto de olhos em bico, num país de regime ferozmente ditatorial com leis de trabalho e sociais semi-escravas, apenas vê riqueza, civilização e diplomacia.
Que esperava tal basbaque ver de uma potência ditaturial? Uma representação anárquica, com falhas de organização e dirigismo? Desconhece tal basbaque todas as grandes encenações de regimes ditaturiais de anteriores potências mundiais? Nunca viu, durante o prec pós-Abril, as impecáveis e grandiosas apologias da revolução maoista de óperas e teatro chineses que os nossos maoistas caseiros propagandeavam por cá? Até o facto de irem buscar um cineasta antigo opositor do regime, agora domesticado, para encenar e dirigir o espectáculo não foge ao estilo tradicional de mostrar a "abertura" dos regimes totalitários.
Certo é que os chineses, talvez devido à sua milenária e rica cultura, vão aqui colher os seus ideais de representação de elevado nacionalismo, mais ou menos disfarçado conforme as circunstâncias o requerem. Neste caso, os Jogos Olímpicos, a representação nacionalista de força e poder universal cada vez mais evidente face ao decadente Ocidente, obrigatóriamente, pelo simbolísmo de tempo de paz do evento nascido do génio grego antigo, não podia de modo algum ser belicista ou afrontoso, não deixando por isso de ser uma exibição de força e absolutismo.
Os manifestantes de ontem e de hoje na velha praça de Tiananmen ou do Tibete sabem bem como a força se exibe e faz sentir quando toca a reclamar pacíficamente vulgares liberdades políticas que não jogos de paz propiciadores de jogos de elevado cariz propagandístico. Contudo os nossos jornalistas e comentadores, sempre subservientes face ao "de fora" e estranho, perante o exotismo do estilo típico chinês de representação gestual, até as enormes e vulgares fumaradas coloridas e fogos de artifício os deixam enebriados como basbaques em extase.


O ORGULHO DO PACHECO
Mas a maior, mais descarada e miserável interpretação do espectáculo de abertura dos Jogos é do jornalista Pacheco, director adjunto do Público. Esta personagem das sombras tem a tremenda ideia de num editorial dedicado embevecidamente aos "chineses orgulhosos com o seu primeiro dia em que ganharam as atenções do mundo" com o "espectáculo que mais nenhum país estaria em condições de exibir" numa "exibição de mestria" na qual "a China volta a brilhar frente ao mundo" "num clima de segurança e desportivismo", juntar no mesmo editorial, em contraponto à laudatória da abertura dos jogos, a actuação da nossa polícia face aos assaltantes do BES em Lisboa, tratada de uma forma insidiosamente difamante. Enquanto na China tudo foi maravilha que "seduziu o mundo" na actuação da PSP tudo são dúvidas no pensamento doentio deste Pacheco. Na China aconteceram "coreografias de tirar o fôlego" mas em Lisboa " os reféns foram ameaçados, a sua vida corria perigo e era preciso escolher: eles ou os assaltamtes. Por isso a polícia matou. Por isso ou porque mais alguma coisa correu mal?" pergunta o desconfiado Pacheco. E esta fase do editorial contrapontista ao brilho chinês é, de uma ponta à outra, uma contínua interrogação insinuosa de que a actuação da polícia devia ter sido outra, que algo correu mal, e por isso morreu "uma pessoa com família, como nós".
É mais que evidente pela pachecal prosa, que caso tudo corresse ao contrário e o morto fosse um dos reféns, então a polícia que forçosamente teve de actuar, seria cozida em lume de letras incandescentes e editoriais de línguas de fogo vulcânicas saídas do inflamado pensamento canceroso deste portuguesinho Pacheco.

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Friday, August 08, 2008

OS PROVÉRBIOS JÁ NÃO SÃO O QUE ERAM


DE ESPANHA NEM BOM VENTO NEM BOM CASAMENTO
ouvia eu os mais velhos dizerem, amiudadamente, quando era garoto. Tantas voltas deu a Terra à volta do Sol e de sí própria, desde então, que deixou os portugueses completamente almariados.
Actualmente em Espanha tudo que se produz, existe, mexe, se faz, se organiza, se mostra, se diz, se pensa é tudo uma maravilha que deixa o português pasmado. Há uns meses, antes da crise financeira, de Espanha o vento trazia tudo do melhor, bom e bonito: o pib, o superavit, a economia, o social, o crescimento, o desemprego, os vencimentos, o nível de vida, a qualidade de vida, o preço dos combustíveis, dos sumos, da fruta, dos enchidos, do presunto, as praias, a gastronomia, os hotéis, a habitação, a arquitectura turística, o património, a agricultura, a coragem e a capacidade, etc. Era o desfraldar, boquiabertos, da grandeza económica e o despontar da nova potência europeia.
Com a actual crise, que atingiu mais fortemente a Espanha (e não seria ela aingida mais duramente porque jogava mais forte na especulação financeira e também por isso crescia mais?), muitos rácios do galopante desenvolvimento cairam a pique. Então os portuguêses começaram a ver e a elogiar loquazmente a grandeza espanhola, já não no campo económico mas nos inigualáveis feitos e resultados desportivos: a nível mundial o futebol, o ténis, o ciclismo, o hoquei, a enorme representação olímpica, etc.
Cá dentro, entre nós, passamos a vida a espreitar o nosso vizinho: a casa, o carro, a roupa, a gravata, o curso, o cargo, a mobília, as férias, o desporto, o gato, o cão, o estilo de vida, etc. Exactamente com o mesmo sentimento ardiloso de dor impotente face ao outro, usado para desculpa própria do desejar sem vontade de querer, do querer sem vontade de obter com que espreitamos o vizinho de rua, olhamos, vemos e apontamos para o vizinho de fronteira.

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Tuesday, August 05, 2008

GORJÕES, SANTA BÁRBARA DE NEXE


COMO FOI POSSÍVEL?

Lemos no blogue ADF que a nossa Junta de Freguesia de Santa Bárbara de Nexe não compareceu à importante reunião da Assembleia Municipal, havida recentemente, para decidir o modelo de financiamente das redes de águas e saneamento básico para a Freguesia e nomeadamente para o nosso lugar de Gorjões e os outros sítios vizinhos.
Depois de anos e anos em apoio visível da população a bater-se junto da CMF para se conseguir esse bem civilizacional que já é coisa vulgar na maior parte do país e sobretudo nos municípios à nossa volta, como foi possível que a nossa Junta de Freguesia se tenha alheado desta questão quente e tão necessária como urgente para a maior parte dos sítios que constituem a Freguesia? Que raio de poder político é maior que uma necessidade básica do povo? Que raio de entendimento político-partidário adopta sobrepor-se ao entendimento geral do povo da Freguesia? Que raio de dependência política é maior do que aquela devida ao povo que outorgou o poder em eleições livres? Que raio de liberdade é essa conferida pelos eleitores aos eleitos, de sua livre vontade, e que estes na hora de fazer valer essa liberdade e vontade em defesa do bem comum do povo, usam mal essa liberdade?
Na acção doméstica, privada ou na política nobre perante uma necessidade inadiável, avalia-se a situação e deve avançar-se face ao mal menor. Neste caso, o mal menor era qualquer modelo legal de financiamento, face ao bem bem maior de trazer, após 34 anos de democracia e mais de 20 de Europa, a rede de águas e esgotos para a nossa Freguesia o mais rápidamente possível.
Com o inacreditável não comparecimento na referida reúnião e a actitude de alheamento da força que politicamente orienta a Junta, face a este problema, candente para os sítios da Freguesia, arriscamo-nos a esperar mais outro tanto tempo como até agora. Quando aqui nos Gorjões e arredores as águas subterrâneas estiverem todas inquinadas pelas fossas sanitárias e quando este lugar fôr uma ilha de vergonha na cara dos dirigentes, então talvez aos moradores centenários deste lugar lhes seja concedido o que é concedido obrigatóriamente aos bairros da cidade mesmo antes de terem moradores.

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Sunday, August 03, 2008

APONTAMENTOS DE FÉRIAS II


EX-MINISTROS E DOR-DE-COTOVELO

1. O ESTRATEGA
Dizia-se muito, antigamente, e ainda hoje se diz que em Portugal o que dá mesmo é ser ex-ministro. Verdade que grande parte, no seu afã ministerial prepara-se, sobretudo, para os tempos pós-ministro e vê-se claramente como tantos, mal termina o curto período de recato, "conseguem" logo altos empregos altamente bem pagos nas áreas de sua antiga tutela. Estes são os ministros menos ambiciosos politicamente e mais ambiciosos domesticamente, a maior parte remete-se ao silêncio do recato de alma dos negócios e, num abrir e fechar de olhos, nós que os vimos chegar com uma mão atrás e outra à frente, em pouco tempo os vemos aparecem como homens ricos ou muito ricos e sempre com um património invejável.
Esta espécie entra cedo na política, é trabalhador, prepara-se cuidada e minuciosamente, traça planos de médio-longo prazo, sobe lenta mas seguramente, é estratega, faz a tarimba completa sempre na mira do objectivo. Tal espécie só sente uma forte dor-de-cotovelo se não atingir o patamar que dê a alta competência e empregabilidade devida ao seu ex-ser. Nesta categoria integram-se aqueles que se apressaram a telefonar, aos saltinhos de contente, a comunicar: "pai já sou ministro, já sou ministro, sou ministro, sou ministro pai" e, hoje o pai espantado pode dizer, "filho ganhaste a vida bem e depressa, bela carreira meu filho".
A esta espécie já não interessa voltar a ser ministro, mas não querem, não lhes convém perder a política de vista, tornam-se influentes, conselheiros, avalistas de credibilidade política e a partir de adquirido esse estatuto que também procuram ter, fazem e gerem uma política de capitais próprios e alheios à sucapa enquanto mediaticamente proclamam grandes princípios.

2. O TÉCNICO
Ao contrário do estratega de carreira existe o que, não por plano, mas por uma espécie de carambola lhe vem parar às mãos, inesperadamente, um convite para ministro. São os, quase sempre denominados independentes, não políticos mas ditos apenas técnicos. O cavaquismo tem dos primeiros mas tem ainda mais desta espécie, da qual o próprio Cavaco é modelo sob o aspecto da sua actuação política que não da sua indiscutível integridade moral e comportamental.
Mas a regra comportamental desta espécie, uma vez sentados no alto da cadeira do poder de decidir, é de imediato aproveitar o tempo a seu favor, não vá o diabo tecê-las e com a mesma rapidez que lhes deu lhes tire, e a oportunidade vai-se sem proveito. Então esta espécie, antes de mais, sob o aspecto de grande actividade a bem da nação, mexe-se sobretudo na direcção de sí próprio.
O período de sua actividade política é uma viagem tumultuosa e frenética para obter a independência doméstica para o resto da vida. Como ex-ministros técnicos, com o alto grau adquirido na cátedra ministerial, vão parar a todo e qualquer conselho de administração de qualquer grande empresa de qualquer área e especialidade.
Menos influentes, depois, que os primeiros, isso não lhes provoca qualquer dor-de-cotovelo, eles rodam dentro das administrações ultra-bem pagas auto-regulamentarmente até obterem uma reforma milionária antecipadamente. E ainda vão fazer biscates dourados de consultadoria para conduto do bojudo orçamento familiar. Costuma finalmente botar, mediáticamente, grandes tiradas moralistas clamando atenção para os pobrezinhos desgraçados e desprezados, acusando os outros de nada fazerem pela classe mais frágil e desprotegida.

3. O DOUTRINAL
Provenientes da espécie dos primeiros ou dos segundos, que por via de sua própria índole e auto-importância política se julgam eternamente ministeráveis, aparece uma terceira categoria de ex. São ex mais dedicados à intervenção mediática, uns através de artigos de estudos e pensamento de estilo ensaístico, académico e doutrinal, outros de estilo estrela pop sempre à procura de palco e holofotes para sorrirem e dizerem banalidades como se fossem coisas de sábios ou insinuarem permanentemente ir desvendar um rol de enigmas políticos que só a eles foram revelados.
Esta espécie "anda sempre por aí" mesmo depois de passarem por vários assentos ministeriais onde pouco fizeram ou fizeram menos que mais ou pior que melhor, e aproveitam toda a ocasião propícia para aparecerem criticamente em bicos de pé. Normalmente, esta espécie auto-sapiente, atribui-se tão grande importância acima dos mortais vulgares que não critica este ou aquele caso ou deslize, mas as políticas seguidas na generalidade, umas vezes na forma outras no conteúdo, fazem análises por sentimento e prognosticam males e desgraças futuras tão inevitáveis como a chuva, o sol ou a morte.
Outro aspecto característico desta espécie é que, dada a sua alta auto-estima e valor, sentem-se qualificados para 1º ministros, e tendem a substitui-los no programa e acção do governo, contudo jamais se rebaixarão a suar e comer pó de estrada para aturar o mau cheiro dos camponeses ou peixeiras numa campanha eleitoral. A sua auto-avaliação de que são possuidores ou foram investidos de uma categoria extra, apadrinhada por interesseiros, fá-los sentirem-se mais aptos para os cargos que os eleitos.
Esta impressão sobrevalorizada e desajustada de si mesmos que trazem consigo e consideram inerente à sua pessoa, é a mãe da forte dor-de-cotovelo que sentem permanentemente e de que já não conseguem libertar-se. Tomam-se como mais merecedores da missão de governar do que aqueles que os eleitores elejeram. Muitos fazem-se opinadores comentaristas de obstinada critica dos abusos de modos e moral da governação, outros tornam-se fingidores defensores dos males e dores alheias, alguns fingem de Moisés eleito de Deus de quem receberam as leis divinas para reger o povo, os sequiosos integram-se em grupos com "sedes" especiais que se instituem e funcionam como bolsa de sábios ministeriáveis sempre prontos e disponíveis.
Nestes, o grande perigo está no facto de fingirem que estão além ou fora da política, que querem ser actores e não autores de política, contudo, quando no elenco logo reclamam ser o figurinista, o encenador e a prima-dona.

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