quinta-feira, maio 17, 2018

IIL, ESTREMOZ 'ARCOS' 2018

terça-feira, maio 15, 2012

MEMÓRIAS DOS ANOS IIL, 1963 - 1967

MEMÓRIA IIL, 1963 – 1967

Intervalo de tempo repleto de sonhos infindáveis
repletos de intervalos repletos de vida formidável
repleta de desejos felizes incontidos fecundados
na indomável juventude sem impossíveis
idos directos à alegria de viver e ser jovem único
irrecusável às mulheres, imbatível no amor,
impenetrável à dúvida, invencível nos estudos.
Intervalo de tempo de combate total pelos sonhos,
ninguém nos podia vencer:
nem o cálculo vectorial do ga(y)seado Nuno Fonseca
nem a química do vaidoso Galvão
nem o desenho de máquinas do lunático Americano
nem a física especial do mais poderoso Ajax
nem os ensaios e medidas do pontos no ii do Cardeal
nem a electricidade do nanha deltaX
nem as máquinas a vapor e combustão do inimitável Preto
nem as máquinas eléctricas do dandy Rufino
nem a resistência de materiais do receitas ferrosas Penin
E muito menos as instalações eléctricas,
ávida e gostosamente dissecadas, absorvidas às gotas
e ruminadas letra a letra, número a número, esquema a esquema,
matéria sabiamente dada e explicada com luminosidade
brilho e bondade ímpar, pelo inultrapassável Chagas Gomes.

Encontrado perdido no computador há anos.
Tentado enviar para ser lido no jantar de curso 1963-1967 do IIL do passado dia 12, mas que parece não ter chegado a partir da origem.

Para o efeito da intenção de envio, aqui fica registado.

José Neves
Gorjões, 08.05.1998

Etiquetas:

domingo, novembro 18, 2007

NOTÍCIAS DO IIL

CURSO DO INSTITUTO INDUSTRIAL DE LISBOA
ELECTROTÉCNIA E MÁQUINAS 1963-1967


Caso inédito ou muito raro constitui o curso de Elecrotécnia e Máquinas 1963-1967 do antigo Instituto Industrial de Lisboa que se reúne ininterruptamente há 40 anos. Estudou no salazarismo, iniciou-se a trabalhar com o caetanismo, atravessou o prec e outras crises económicas e de trabalho, subsistiu aos conflitos ideológicos pessoais da democracia e continua resistindo ao tempo.

Foi nos pavilhões abarracados ou na sala dos pavões escutando as espantosas lições papíricas do "Preto", as lições sebentais do "Delta Xis", as lições de tecnologia museológica do "Tarzam", as lições dos sábios químicos do "Galvão", as lições de cálculo vectorial sem vectores ou de geometria descritiva sem linha de terra do "Nuno" que se cosia com outras linhas e amava vectores mais gostosos, ou escutando atentamente as imperdíveis sábias lições do ímpar "Chagas Gomes", nas aventuras com o chefe "Lucas" dos contínuos ou com o chefe da secretaria "Snr.Costa", etc., ou ainda as muito especiais e gostosas idas diárias obrigatórias à papelaria da Associação visitar as belas manas de magníficas vistas de todos lados, que nasceu esta camaradagem amiga inapagável.

A maior parte dos alunos vinham das Escolas Industriais de Lisboa mas uma parte importante era oriunda das escolas de província especialmente de Leiria e Faro. Estes alunos, filhos de famílias modestas, viviam em quartos esconsos multicamas sem ambiente e condições de estudo, alugados à volta da Estrela, era também nessa zona que procuravam o café mais adequado para estudar. Estudava-se em grupos distribuidos por cafés como o "Canas", o "Gigante", e a Esplanada do Jardim da Estrela do "Três Pelos" onde se juntavam os algarvios. Os da província eram alunos de médias altas e de elevada craveira pois entravam directamente dispensados do exame de admissão e em Lisboa mantinham o mesmo nível de inteligência ou melhor ainda por aplicação. Eram filhos de famílias remediadas e o estudar em Lisboa não era uma festa mas o meio de obter um ganha pão menos duramente que os pais.

As poucas escapadelas ao estudo, além de uma ou outra ida ao futebol, eram as idas ao cinema da área, o Paris e o Jardim-Cinema, o "Vergas" devido ás cadeiras de verga para os espectadores. Reunidos no café, muitas vezes, deixávamos os livros na mesa, íamos a uma sessão e voltávamos à mesma mesa e estudos, como se fôra uma espécie de intervalo necessário no esforço enorme de horas e horas a matar a cabeça.

Cada um tinha a sua mesa e estudava individualmente no seu canto mas perante uma dificuldade na matéria do dia havia reunião geral e a difuldade era ultrapassada com a discussão geral sobre o assunto, se não, combinávamos pôr a questão ao professor no dia seguinte. Habituávamo-nos ao bulício do café das box-musics com faixas de long-play a um escudo, e o estudo tornava-se mais alegre para além de ser altamente produtivo e menos desgastante face ao facto de podermos tirar dúvidas conjuntamente.

Deste modo, a vivência estudantil nesse tempo, era uma escola de sã camaradagem proporcionando uma boa formação de convivência social, alargamento e convergência de gostos de leituras e hábitos reputados. Pode dizer-se que os bancos comuns dos cafés, do cinema, do futebol e outros, tal como os bancos da escola do IIL foram fundamentais para a criação deste espírito de fraternidade que ainda hoje perdura e se renova de seis em seis meses há 40 anos sem falhas e que só a morte matará.


Estes da esquerda e direita abaixo são quatro exemplos da fraterna camaradagem do nosso curso. Desde o primeiro ano que fazem parte dos indefectíveis e na hora de organizar as comemorações dos 40 anos deitaram a mão à obra, esforçaram-se e conseguiram reunir mais de cinquenta colegas ao fim de tantos anos.
Merecem o nosso reconhecimento.


Etiquetas:

terça-feira, maio 15, 2007

NOTÍCIAS DO PAU V


IIL CURSO DE ELECTROTÉCNIA E MÁQUINAS 1963-1967

O curso do Instituto Industrial de Lisboa de Electrotécnia e Máquinas de 1963-1967, iniciou no dia 12 as comemorações do seu 40º aniversário com uma reunião de confraternização no Alentejo. Um autocarro completo vindo de Lisboa e outros em viatura própria encontraram-se junto à porta central do Castelo de Vila Viçosa para uma visita ao Museu da Caça e das Armas sito no interior do Castelo, antigo Paço Ducal. Após esta visita ao magnífico conteúdo e espaço do museu, pouco conhecido mas digno de uma visita com olhar atento, a caravana dirigiu-se para o Hotel Rural Valmonte, em Borba, no interior duma quinta de vinhas e pomares, onde estava marcado o almoço para celebrar "à saúde da malta do IIL" com vinho de produção local e "cantar os parabens" com bolo e champanhe.



DO GRUPO DOS SEMPRE PRESENTES SÃO ESTES OS ORGANIZADORES




A história desta reúnião seria banal caso tivesse sido convocada apenas sob o pretexto de festejar agora o 40º aniversário da conclusão do Curso de Electrotécnia e Máquinas do IIL. Contudo a história deste Curso é uma longa narrativa com episódios certos de 6 em 6 meses a partir de Novembro de 1967. Atravessou o salazarismo, o marcelismo, Abril revolucionário, o prec, o democraticismo, 7 presidentes da Répública, dezenas de governos, estados de crise e de bonança e continua. Já atravessou a morte de muitos colegas do casarão da Buenos Aires e mantem-se de pé.














Desde Novembro de 1967, data da 1ª confraternização, ficou estabelecido que iriamos comemorar o Curso todos os seis meses e assim tem sido sem uma única falha ao longo de 40 anos. Também outra deliberação tomada desde o início tem sido mantida sem mudança, apesar de algumas tentativas de subverter o espírito do convívio, que é o facto das confraternizações serem mesmo "De Curso" e não de tipo familiar. Assim, semestralmente, reúnem-se sem acompanhantes, apenas os finalistas. E como em 1967 ainda não havia mulheres em Electrotécnia e Máquinas, as confraternizações estão apenas reservadas a homens.









Quarenta anos duas vezes ao ano
subimos o palco e abrimos o pano
do teatro de sonhos mortos
que a luta diária mano a mano
levou uns atrás dos outros
ao tapete e todos os nossos mares
de sonhos tombaram dos ares
ao chão às cambalhotas
sem pára-quedas, são cadáveres
podres em tempo de arrumar botas.

Valhem-nos as memórias deles,
as lutas que travámos, as peles
que trocámos, as mãos postas
no fogo, as submissões reles
que suportámos, o curvar costas,
as máscaras na cara sem vergonha,
e tudo porque um homen sonha
sempre, tropeça e se alevanta,
brinda à amizade, e um dia a ronha
negra nos invade de eterna noite santa.

Etiquetas: