quarta-feira, dezembro 03, 2008

EQUADOR, FILME OU TELENOVELA?

"Importante é o que está atrás", respondia MST à reporter de imagem sobre o que pensava ele da sua participação no filme sobre o seu romance o Equador que a televisão está a produzir. Mirei o écran, para trás dele e de Moniz e não vi bicha, fila nem qualquer grupo de gente, máquinas, palcos, cenários, câmaras, luzes, ribalta, nada.
Então pensei que MST se referia ao que estava por detrás do filme: a máquina técnica de bastidores, actores, figurantes, técnicos, figurinos, electricistas, operadores de câmara, realizadores, enfim toda aquela lista de nomes que aparecem no fim e que nunca mais acaba mesmo a correr à cem metros. De repente corri a cortina da memória e pude topar que por detrás de tal filme estava a tvi, grande patrocinadora da operação filme Equador.
Moniz da tvi, aprendiz de Rangel, reis da introdução e promoção da pimbalhice mais rasca na tv a fazer filmes? Ou a fazer fitas? Ou a fazer telenovela? Ou a fazer um best-seller de xaropadas em episódios?

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domingo, maio 18, 2008

TELEVISÃO, FUTEBOLISMO, TELENOVELAS, CRIMES, SANGUE, SEXO.


A INOCÊNCIA PERDIDA

Tem toda razão Pacheco Pereira na sua crítica à cada vez mais actual comunicação "pimblóide" em geral e televisão especialmente. Nos meios de comunicação de massa actuais sem excepção, o grosso de seu conteúdo, é uma verdadeira linha de montagem de títulos, cabeçalhos, fotos, legendas, publicidade, cores, design, etc, inteiramente ordenados e manipulados numa linguagem visual destinada a criar um produto final de leitura de choque visual predestinado a obter um efeito mental de mercadoria algo pornográfica para atingir certeiramente e condicionar mentalidades simples desprevenidas.

Mas PP critica a situação como se ela existisse de per si, sem mais e sem causas. Contudo a má tv não nasceu com pecado original, e a actual situação é sobretudo filha das têvês privadas que PP tanto apoiou e apoia ao ponto de estar constantemente a propor a privatização das que ainda são públicas. Tudo começou com os formatos à Rangel na Sic, defendendo a mais obscena pimbalhice para formatar mentalidades acriticas e depois argumentando, com despudorada canalhice, que dava o que o público gostava e exigia. Acabou a proclamar que se fosse preciso venderia um presidente da républica tal qual como vendia sabonetes. Fez escola e foi mestre de Moniz que, aplicando o método e lições do mestre, suplantá-lo-ia como vem demonstrando teimosa e arduamente sem descanso e inimputável.

Pensava e pensa PP que mais privado em comunicação era sinal de melhor conteúdo e mais livre opinião. Engana-se redondamente porque "informar" não é um produto acabado, definitivo, enlatado, inocente, sempre igual e com o mesmo aspecto e gosto. Informar não é criar emoções e suspenses falsos, dramatizá-los com lágrimas de basbaques, e vendê-los em folhetins diários para fazer comércio. Não, informar é um produto base constituinte de um processo construtivo de consciências, mentalidades, pensamentos, éticas e estéticas que não pode ser deixado ao livre arbítrio comercial.

A tv pública precisa da antiga taxa para ser económicamente independente e entregue a jornalistas e homens de cultura honestos, afim de tornar-se um exemplo de escola de educação e formação em todas as áreas, mesmo no desporto e entretenimento mas de forma inteligente. Deve tornar-se exemplo de reconhecimento pela qualidade e deixar aos privados que chafurdem na merda morbida ou côr de rosa como tanto gostam e tanto quanto queiram.

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sexta-feira, fevereiro 08, 2008

NOTÍCIAS VIA MÉDIA


1. Notícia que "pega" na comunicação e faz manchete é sabido que é aquela que é considerada má notícia para o leitor em geral. Agora temos a notícia do elevado aumento do preço do trigo nos grandes produtores o que vai encarecer substancialmente quase todos os produtos alimentícios de grande consumo. Os títulos nos jornais ou a enfase dos locutores marados da nossa TV, são sempre encenados, escritos e apresentados carregando nas tintas à Tarantino, de forma a criar no receptador programado uma indignação de calibre terrorista.
Face a qualquer notícia de um novo foguetão, nova ogiva, nova bala, chama-se logo um expert para comentar o alcance, o raio de acção, causas e consequências de tal maravilha. Abre-se a televisão ou a rádio e lá está alguem sabido a perorar sobre o que devemos fazer acerca de tudo. Contudo perante o facto real do aumento do preço do trigo, apesar dum Alentejo quase na totalidade em "poesio", ninguém nos vem falar da hipótese do seu cultivo rentável e o que isso representaria económica e socialmente para o nosso país.
Para além de saber acerca do aumento, essa era a questão com interesse que gostava ver discutida, analizada e tirar conclusões possíveis. Mas não, posta desse modo a notícia tem o perigo de pôr o leitor ou telespectador a usar o pensamento, por outro lado perde o efeito "bombástico" tão necessário ao sucesso jornalístico dos média actuais.

2. A confirmação de tudo o dito em 1.) é o caso do preço do barril de petróleo. Enquanto o preço subia todos os dias era motivo de abertura de todos os jornais e telejornais. O preço começou a aproximar-se dos 100 dólares/barril, que os locutores marados anunciavam emocionalmente, criando a idéia de uma meta-barreira que ultrapassada seria catastrófica. Comentadores residentes, experts, presidentes de petrolíferas, críticos sabe tudo, mesas redondas, etc., etc., foram convidados para dar prognósticos e palpites.
Agora que o preço/barril começou a baixar já não sabemos a quantos anda o preço do barril. No momento em que passou a ser boa notícia comum, sem carga emocional, deixou de ser notícia jornalística. Noticiar baixa do petróleo implica carga racional no automobilista acerca do preço dos combustíveis e isso não interessa para quem vive da publicidade.

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sexta-feira, novembro 30, 2007

M.SOARES & F.ALVES

Depositava fundadas esperânças no programa televisivo de Ferreira Alves com Mário Soares iniciado agora na RTP1, dado a reconhecida competência de ambos participantes. Foi, contudo, quase decepcionante e muito por culpa do modelo televisivo adoptado. O assunto da conversa anda aos saltinhos para cá e para lá ao ritmo dos saltinhos das deslocações de local para local. No final fica-nos na memória uma colagem de imagens soltas, pouco conexas, uma espécie de manta de retalhos sem consistência de visão de conjunto.

Penso que, dada a grande vivência política, social e cultural de MS, seria de todo muito mais interessante que cada programa se dedicasse a um assunto específico, explorasse um tipo definido de vivência e nesta explorasse todas as facetas interessantes vividas no seu interior. Este 1º capítulo centrou-se sobretudo na vivência de MS como residente-resistente político exilado em Paris, pois o programa deveria, mesmo com a leveza narrativa-televisiva de rua adoptada, focar-se nessa localização-situação evitando o brusco saltitar que provoca desfocagem no espectador. E material interessante para relatar, apenas deste seu passo de vida, deve ser mato na cabeça de MS, basta lembrar-lhe os factos e deixá-lo falar.

Outra fragilidade deste capítulo são a leveza dos assuntos tratados, com pouca ligação ao animal político que foi e é MS. Esperamos sempre desta figura que, como disse, prefere pensar e olhar o futuro sobretudo, e como tal sempre pertinente e controversa, nos fale da sua vida como uma luta permanente pela liberdade e democracia em Portugal. Ora, embora o facto da sua estadia em Paris fosse decorrente dessa luta política, quem o desconhece ficou na mesma. Ficamos com a sensação de que se está a falar de fait-divers. Muito pouco para as minhas expectativas.

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domingo, novembro 04, 2007

OBSERVAÇÕES


1. A GUERRA DE ÁFRICA

No Público de ontem este senhor na foto ao lado, na sua crítica da guerra em África de Joaquim Furtado que passa na RTP às 3ªs feiras, para lá do inicial elogio do enorme trabalho de investigação e realização, todo merecido e devido a JF, passa à crítica própriamente dita do relato fílmico, sua forma e correcta conformidade com os acontecimentos. E aqui constato que ECT coincide integralmente com as opiniões que tenho expressado neste espaço. A sua análise às imagens, ao discurso, aos depoimentos inseridos no tom e tempo certo dos acontecimentos relatados, coincidem taco a taco com os aqui impressos. Contudo topa-se a pouca atenção que dedica ao assunto pois fala em quatro episódios sobre os primeiros oito meses de guerra quando ainda só passaram três episódios e quatro meses de guerra. O próximo episódio será sobre a operação Viriato (tomada de Nambuangongo) e a minha Unidade, o Esq. Cav. 149 iniciou esta operação a 26 de Julho de 1961 às cinco horas da madrugada. As outras duas Unidades haviam iniciado alguns dias antes. Fora estas falhas reveladoras de desinteresse pelo assunto, no resto estamos inteiramente de acordo.

2. MORTE À SOCIEDADE CIVIL

Noutro artigo simultâneo ao de 1. ECT, a propósito do serviço público de TV, desanca no governo como de costume, na linha de hostilidades desencadeada pelo jornal Público a mando do Belmiro (ou do Belmirinho?) por causa da opa falhada da Sonae sobre a PT, o que o jornal se apressou a culpar o govermo(Sócrates). Daí em diante o tom de hostilidade vem em crescendo até ao estilo ostensivamente provocatório. Dado o feitio rijo, algo emotivo e empertigado do 1º ministro, fazem da provocação irritante uma cilada permanente onde esperam ele um dia caia com estrondo, tomando alguma actitude de revolta que possa ser cavalgada mediaticamente. Invocar Estaline, Jdanov, Harare e Pyongyang, a propósito da independência da televisão pública portuguesa só é possível de uma mente desvairada de sanha pessoal contra outrem, e objectivamente serve para ajudar o branqueamento da perseguição criminosa desses ditadores contra as liberdades dos cidadãos dos seus países.
Como conciliar a idéia que temos de tais personagens com um Estado Democrático de Direito com partidos, com devida e estruturada oposição, imprensa privada livre, direito de reunião e opinião, uma constituição que consagra as liberdades e garantias dos cidadãos, etc, etc.?
Sobretudo como entender tamanha comparação com ditadores ferozes quando a prova contrária está no próprio artigo de ECT publicado e no jornal Público diariamente? Como entender que a RTP e RTP1 tenham "cada vez menos conteúdos de serviço público" quando no seu artigo simultâneo acerca de 1. elogia abertamente o trabalho público feito e apresentado pela RTP sobre a nossa guerra de África? Tinha a televisão privada disponibilidade (disponibilidades) para empreender, não comercialmente, esta saga da guerra com a veracidade e imparcialidade dos factos tal como o faz a RTP?
ECT tal como J. Pacheco Pereira e muitos outros querem-nos vender a idéia que a TV pública não pode ser independente porque está sujeita à tutela do Estado, escamoteando a tutela sem qualquer escrutínio da TV privada, dando-a como imaculada ou omitindo deliberadamente os donos e interesses particulares desses patrões.

Para mais, uma televisão privada colocará sempre a tónica no oportunismo comercial, até mesmo contra a educação promovida pelas escolas. Uma televisão pública, mesmo tutelada, pode ser um bom instrumento se estiver ao serviço dum bom governo.

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sexta-feira, março 30, 2007

TELEVISÃO ÃO ÃO ÃO III

ARGUMENTO BRANQUINHO

O senhor deputado Branquinho acusou o governo, na Assembleia da República, de governamentalizar a RTP com o brilhantinoso argumento de que em determinado período a RTP deu o dobro de notícias sobre o governo que a SIC e a TVI juntas. Com tal contagem infalível mostrou a evidente subserviência da RTP e, implicitamente, a conduta imaculada das TVs privadas. Claro que exactamente com o mesmo argumento podia o governo levantar a quetão da subserviência das privadas. E podia mais, podia perguntar ao senhor deputado que, se a RTP estivesse obrigada a dar o mesmo tempo de notícias sobre o governo que as privadas, caso estas fizessem um boicote às notícias governamentais, os portugueses ficavam sem saber se ainda existia o governo de Portugal. Nessa altura, quando as privadas dessem zero notícias do governo, o senhor Branquinho aceitaria que a RTP desse o dobro de zero notícias, e os portugueses ficavam doutorados em acidentes, futebolismo, telenovelas, publicidade, big brother e pimbalhices várias.
E o que choca mais no senhor Branquinho(P.Pereira e outros) é que ele não se preocupa com a deseducação provocada por horas e horas de lixo televisivo que é atirado à cabeça dos portugueses todos os dias. Ele não se preocupa que as escolas e professores se matem a tentar elevar a educação da juventude e as televisões, especialmente as privadas, se danem a conspurcar e enlamear brutalmente, essa mesma juventude, sobrepondo à educação escolar do esforço para aprender e saber a idéia de que tudo está à mão dum botão, de que a felicidade se obtem a ver até ao fim a telenovela, de que os heróis actuais são os presos, os drogados, os gangrilheiros, os actores de telenovela, etc., etc., porque as TVs entendem que são estes os carácteres e caras mais vendáveis para crónicas e entrevistas. Do argumento do senhor Branquinho fica evidente que quando(se um dia)tutelar a televisão a sua única preocupação será a de manter o olho na subserviência da RTP.
Pensava-se que todo o ser humano, mesmo burro, tinha massa cinzenta mas o senhor Branquinho parece que a tem branquinha e pior que isso quer branquear a nossa.

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sexta-feira, março 16, 2007

TELEVISÃO ÃO ÃO ÃO II

ABRUPTAMENTE

O senhor Pacheco Pereira, na sua demanda actual contra a RTP, volta de novo no Abrupto(12 pp), com um exemplo de como a televisão pública manipula para servir o governo. Diz que a RTP abriu o noticiário com o caso da «menina raptada» enquanto a SIC abriu com a notícia do DN sobre as «admissões do governo» um caso incómodo para o governo.
Prova isso que a RTP manipula a favor do governo? Provavelmente. Serve o dono, e nessa medida de servir o poder serve-se a si, serve a manutenção do seu elevado poder próprio, serve a garantia da sua continuidade instalada, serve os grandes e pequenos interesses de todos os que estrebucharam para se alcandorar a uma migalha de poder. Não é o próprio Estato que se organiza a si e à sociedade para sua preservação e manutenção mesmo para quando o poder muda de mãos? Que são as leis, todas no seu conjunto, senão um código de mandamentos que estabelecem as relaões hierárquicas de produção, políticas, culturais, morais, estéticas, sociais, costumes, etc., de modo a preservar a coesão e continuidade da sociedade? Todo o ser vivo, racional ou instintivamente, reage a tudo que atente contra a sua existência, ora as instituiçõs, as comunidades, os países, como seres vivos organizados reagem de igual modo. A RTP não foje à regra.
Mas o exemplo citado prova sobretudo, e é aqui que este tipo de exercício à PP é manipulador tanto como a RTP que acusa, que a SIC também tem dono. Prova afinal que a SIC é privada mas não se priva de fazer política, e fá-lo em oposição ao governo. E porquê? Exactamente porque tem dono e rosto bem conhecido com interesses políticos idênticos aos do senhor Pereira e, ainda pior, tem interesses comerciais avultados com a subalternização ou desaparecimento da RTP.
Muito pior ainda, os exemplos como esse e outros citados em defesa da televisão privada, só prova que quando o PSD fôr governo em vez de uma tem duas televisões predispostas a propagandeá-lo; a RTP por imposição hierárquica e a SIC por camaradismo político e interesse financeiro. E neste caso o grau de liberdade de imprensa e, por conseguinte, das liberdades, fica diminuida.
Senhor Pacheco, através da sua bagagem academista, não queira enganar-nos, impregnando o pensamento lógico com retórica redutora e retorcida, defendendo o contrário do que a evidência prática já fez regra. O que, depois do insulto verbal a António Campos por este denunciar a existência de vacas loucas, e depois do insulto intelectual aos não apoiantes de Bush(Durão) na guerra do Iraque, seria o terceiro insulto à inteligência dos portugueses.

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segunda-feira, março 12, 2007

TELEVISÃO ÃO ÃO ÃO

RTP, 50 ANOS

Durante anos a fio Mário Castrim, dia a dia, programa a programa, assinalou, desmascarou e desmontou a total subserviência política e cultural da RTP perante a ditadura. Ensinou-nos não só a ver mas sobretudo como ver televisão, como olhar o modelo, a encenação, o enquadramento, a omissão, a forma, o conteúdo da notícia, a sua mensagem sempre, directa ou subrepticiamente carregada de tendencioso efeito político, moral e cultural conveniente ao poder. Tudo isso, os mais velhos aprenderam, conheceram e sabem bem como se cozinha e não é preciso os novos papas comentadores nos virem agora lembrar a velha subserviência da cinquentenária senhora.
E quem, nesse tempo ligado à comunicação, não foi subserviente? Quem não se sujeitou à censura? E quem não foi subserviente depois ou o não é hoje?
Falar da subserviência do tempo da ditadura para apontar a subserviência como uma fatalidade da RTP é mistificar a condição inevitável de subordinação hierárquica da instituição. O carácter subserviente ou prepotente duma instituição influente revela tão sómente o desígnio fatal do poder. É da natureza e necessidade do poder exercer e fazer cumprir esse poder, não podendo agir por via violenta, usará meios de sedução pavloviana para condicionar atitudes, consciências, auto-propagandear-se, etc., e a televisão é o meio ideal, de efeito imediato e fácil manipulação, que tem à mão e não o desperdiça. Por isso a RTP serve sempre quem está no poder e é sempre criticada por quem está na oposição no momento.
Vasco Pulido Valente, Ex-Secretário de Estado, Ex-Deputado, diz(Público de 9 pp) :«Mas neste meio século reflectiu sempre servilmente o pior país. Não deu o mais ligeiro contributo para a liberdade e educação de Portugal».
E eu pergunto-lhe: e a televisão privada deu?
Eduardo Cintra Torres, Ex-colaborador para a definiçao do modelo da RTP2, diz(Público de 10 pp) : «Em 50 anos, a RTP teve uma informação globalmente subserviente ; uma produção cultural erudita diminuta e uma produção popular em geral pimba»
E eu pergunto- lhe: e a produção das privadas não é pimba é o quê?
Pacheco Pereira, influente Ex-Deputado, diz(Público de 10 pp) : «A concepção de fundo é clara e atravessou governos do PS e PSD: entretenimento competitivo com as privadas, futebol, concursos e telenovelas, para manter as audiências para o que verdadeiramente interessa - a manutenção de uma informação(no telejornal e nos programas de debate) controlada nos seus efeitos perturbadores).
E eu pergunto-lhe: e as privadas além das telenovelas, concursos, futebol e publicidade dão o quê?
Mas a pergunta crucial que deve fazer-se a estes senhores é a seguinte: a RTP é subserviente do governo e as privadas são subservientes dos anjinhos? A TV pública obedece ao poder livremente eleito por milhões e a TV privada apenas obedece ao patrão privado, muitas vezes escondido atrás dum qualquer testa de ferro. A TV pública servindo o governo ainda assim pode estar a ajudar o país se este fôr um bom governo enquanto a privada servirá sempre em primeiro lugar os interesses comerciais privados do patrão. A TV pública é escrutinada pela oposição, pelos comentadores, críticos, jornalistas, parlamento, cidadãos, também nas eleições legislativas, etc., e as privadas são vigiadas e controladas por quem? Já alguem viu os jornalistas do Expresso criticar pública e negativamente a SIC? E quando estes lançaram notícias desagradáveis ao BES e este ameaçou imediatamente cortar os acordos de publicidade, não se viu que tanto o jornal como a impoluta televisão meteu a viola no saco? E não se viu mui recentemente a independência do jornal Público perante a opa da Sonaecom sobre a PT? E qual foi a televisão que se atreveu a dizer, no auge do record de audiências, que se fosse preciso vendia um Presicente da República tal qual um sabonete? E qual correu com o inefável parecereiro Marcelo R. de Sousa quando este se fez inconveniente? E a mandado de quem?
Quanto a independência estamos perfeitamente empatados com a particularidade de que na privada nada poder ser alterado contra os interesses do dono. Essa é a terrível particularidade da particular.
Quanto à programação lembrar-se-ão ainda estes senhores quem introduziu, protegeu, alimentou, vendeu em doses maciças ao público def...rxyz a pimbalhice mais rasca da música, dança, concursos, erotismo de playboy e outros, telenovelas em série, o futebolismo mais primário, concursos deprimentes, telejornais de desgraças, acidentes, sangue, lágrimas, encenação de anedotas boçais, emissões fora da lei, cortes em filmes, programas patrocinados, publicidade visível e encapotada ininterrupta, etc., etc.? Acaso já não se lembram do Rangel, senhor televisão todo poderoso, em debates académicos defender a pimbalhice porque era isso que o público gostava? Depois o Moniz, senhor televisão todo poderoso aprendiz do Rangel, fazer ainda pior que o mestre e dizer que a programação abaixo de cão que emitia era exigência do público? Só se esqueceram de dizer quem tinha educado o público em tão elevado bom gosto que só queria, pedia, exigia a porcaria que o sabão das lavagens ao cérebro tinha amontoado. Infelizmente a RTP, endividada e sem receitas, apertada pelas dívidas e pelos adeptos da privatização, correu atrás das audiências e apimbalhou-se totalmente pela mão do senhor Arons que teve a lamentável idéia de ir buscar à pressa e peso de ouro o tal Rangel inventor e dono da pimbalhice pública. Começa agora a libertar-se da guterrista pimbalhota hard core para uma mais soft, de conteúdos polémicos duvidosos embrulhados vistosamente.
Saberão dizer-me estes senhores comentadores porquê as televisões privadas, e outros importantes meios de informação, vão sempre parar às mãos de grandes senhores já com grandes interesses em muitos outros negócios? Será para sevir o público ou criar um público condicionado e dirigido para os seus interesses privados escondidos?
Uma RTP privada para o senhor Sonaecom? Para o senhor Olivedesportos? Para o senhor Bes?
Evidentemente, as mãos privadas, propiciam discreta e privadamente, privados ávontades para todos os privados independentes se baterem pela maior independência do seu privado poder de compra.

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